Meta registra patente de IA que pode manter perfis ativos após a morte

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • A Meta obteve patente para uma IA capaz de simular usuários falecidos nas redes sociais
  • A tecnologia usaria histórico de posts, mensagens e interações para criar um “substituto digital”
  • Especialistas alertam para dilemas éticos, jurídicos e comerciais envolvendo consentimento e memória

A Meta Platforms, Inc. teve aprovada no fim de dezembro de 2025 uma patente que descreve um sistema de inteligência artificial capaz de manter contas de redes sociais ativas mesmo após a morte de seus usuários.

A proposta envolve o treinamento de um grande modelo de linguagem com base no histórico digital da pessoa, permitindo que a IA reproduza seu comportamento online por tempo indeterminado.

A informação foi divulgada inicialmente pelo Business Insider. Entre os responsáveis pela patente está Andrew Bosworth, diretor de tecnologia da empresa. O pedido original foi registrado em 2023.

A tecnologia poderia ser aplicada em plataformas como Facebook, Instagram e WhatsApp.

Como funcionaria o “substituto digital”

Segundo a descrição do documento, o sistema seria treinado com dados específicos do usuário, incluindo publicações antigas, curtidas, comentários e mensagens privadas. A partir desse material, a IA aprenderia padrões de linguagem, preferências e estilo de comunicação.

Na prática, o perfil poderia continuar interagindo com outras pessoas, reagindo a conteúdos, respondendo mensagens diretas e até participando de chamadas de áudio ou vídeo simuladas. A justificativa apresentada na patente menciona que a ausência permanente de um usuário falecido gera um impacto mais intenso e definitivo dentro da plataforma.

Para criadores de conteúdo e influenciadores, a tecnologia também poderia manter o engajamento ativo durante longos períodos de inatividade.

Debate ético e preocupações legais

A proposta reacendeu discussões profundas sobre identidade digital e direitos após a morte. Especialistas em direito e privacidade questionam até que ponto é legítimo recriar digitalmente uma pessoa sem consentimento explícito.

Estudos acadêmicos já apontam que a criação de clones digitais pode envolver o uso de dados pessoais sem autorização formal do falecido, levantando questões sobre privacidade, herança digital e até manipulação emocional.

Críticos também observam possíveis interesses comerciais por trás da iniciativa. Perfis ativos significam mais engajamento, mais dados e mais oportunidades de monetização para sistemas de IA presentes e futuros.

Mercado em expansão e posição da empresa

Em nota ao Business Insider, a Meta afirmou que não há planos para implementar essa tecnologia no momento, ressaltando que o registro de uma patente não implica necessariamente no desenvolvimento do produto.

A empresa não é a única a explorar essa ideia. A Microsoft recebeu, em 2021, uma patente para um chatbot capaz de simular pessoas falecidas a partir de imagens, áudios e dados de redes sociais. O projeto, porém, não avançou para produção.

Enquanto isso, startups especializadas em “tecnologia do luto” ganham espaço ao oferecer interações digitais com entes queridos que já morreram. Analistas do setor estimam que o mercado de vida digital pós-morte pode movimentar até 80 bilhões de dólares na próxima década.

A discussão está apenas começando. Entre inovação tecnológica e limites éticos, o futuro da presença digital após a morte promete ser um dos debates mais delicados da era da inteligência artificial.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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