Principais destaques
- O Firefox começou a testar o Smart Window, um novo modo de navegação baseado em inteligência artificial.
- A ferramenta permite conversar com a web, pesquisar e resumir páginas diretamente no navegador.
- Um detalhe polêmico chamou atenção: o sistema chegou a acessar histórico antigo de navegação para criar “memórias”.
A Mozilla começou a experimentar uma das mudanças mais ambiciosas da história recente do Firefox.
Em versões beta do navegador, uma função chamada Smart Window transforma a inteligência artificial no principal ponto de interação com a web. Em vez de apenas digitar um endereço ou fazer uma busca tradicional, o usuário passa a conversar com o navegador.
O recurso ainda está em desenvolvimento e apareceu recentemente na versão beta 149 do Firefox. Apesar de ainda não estar ativado por padrão, já é possível entender como a empresa imagina o futuro da navegação: uma experiência guiada por prompts e assistentes de IA.

Um navegador que conversa com você
Ao ativar o Smart Window, o visual do Firefox muda levemente e surge um campo de interação parecido com o de um chatbot. Ali, o usuário pode pedir praticamente qualquer coisa: fazer uma busca, resumir um site, revisar um texto ou pedir ajuda com alguma tarefa.
Quando a pergunta exige informações da web, o navegador abre resultados de busca normalmente. Ao mesmo tempo, um painel lateral de IA analisa os principais resultados e produz um resumo ou resposta baseada nas páginas encontradas.
Na prática, é como ter um assistente lendo vários sites ao mesmo tempo e explicando o conteúdo para você. O usuário também pode abrir páginas específicas e fazer perguntas sobre elas, enquanto a IA realiza buscas adicionais automaticamente se precisar de mais contexto.


Três modelos de IA disponíveis
Durante os testes, o Smart Window permite escolher qual modelo de linguagem será usado para responder às perguntas. Cada um tem um perfil diferente.
A opção chamada Fast usa o modelo Gemini Flash Lite, desenvolvido pelo Google.
A opção Flexible utiliza o Qwen3, da Alibaba Cloud.
Já o modo Personal roda o GPT-OSS 120B, hospedado na infraestrutura da OpenAI.
Também existe a possibilidade de conectar um modelo próprio, informando endpoint e chave de API. Porém, o próprio Firefox alerta que modelos locais ainda podem não funcionar corretamente nessa fase inicial.
Isso revela um ponto importante da estratégia da Mozilla: em vez de operar seus próprios modelos gigantes de IA, o navegador funciona como um intermediário entre o usuário e diferentes provedores de inteligência artificial.

O polêmico sistema de “memórias”
Um dos aspectos mais curiosos — e controversos — do Smart Window é o sistema chamado de memories.
A ideia é que o navegador aprenda com o comportamento do usuário para oferecer respostas mais relevantes. Essas memórias podem ser gerenciadas manualmente, apagadas ou desativadas em conversas específicas.
O problema é que, nos testes iniciais, alguns usuários perceberam que a lista de memórias incluía atividades de navegação de meses anteriores, muito antes da função ser ativada.
Ou seja, o histórico de navegação teria sido usado para alimentar o sistema de IA automaticamente. A Mozilla reconheceu que isso foi um erro no processo de testes e afirmou que o recurso será ajustado para considerar apenas atividades realizadas após o consentimento do usuário.
Um passo ousado no futuro do Firefox
A aposta da Mozilla é clara: transformar o navegador em um ambiente onde a inteligência artificial participa ativamente da forma como acessamos informações.
Ainda é cedo para saber se a ideia vai conquistar usuários. O Smart Window continua em desenvolvimento e muitos detalhes devem mudar antes do lançamento oficial.
Mas uma coisa já está evidente: a disputa pelo futuro da navegação na internet não será apenas sobre velocidade ou design. Cada vez mais, ela passa pela integração profunda de assistentes de IA dentro do navegador.
