Fundador da DeepSeek afirma que AGI é a única prioridade da empresa e descarta corrida por super apps

Renê Fraga
6 min de leitura

Principais destaques

  • O fundador da DeepSeek afirmou que a meta da empresa é alcançar a Inteligência Artificial Geral (AGI), sem priorizar super aplicativos para consumidores.
  • A companhia pretende continuar investindo em modelos de código aberto e aposta fortemente em agentes de programação.
  • Apesar das limitações de hardware na China, a DeepSeek acredita que chips nacionais poderão reduzir a dependência da Nvidia nos próximos anos.

A DeepSeek deixou claro que seu foco está muito além da disputa por aplicativos populares ou plataformas voltadas ao grande público.

Durante uma reunião fechada de quase quatro horas com investidores, cujo conteúdo acabou circulando após a publicação de uma transcrição pela Tencent Tech, o fundador Liang Wenfeng apresentou uma estratégia centrada exclusivamente no avanço rumo à Inteligência Artificial Geral (AGI).

Segundo ele, competir por tráfego com empresas como ByteDance ou investir na criação de um super app simplesmente não faz parte dos planos da companhia.

Uma estratégia baseada em foco e contenção

Durante a apresentação, Liang explicou que a DeepSeek não pretende direcionar recursos para áreas como geração de vídeos, criação de conteúdo em 3D ou desenvolvimento de modelos de mundo.

Embora reconheça que essas tecnologias sejam úteis, ele acredita que nenhuma delas representa um passo essencial para construir sistemas verdadeiramente inteligentes.

Na visão do executivo, escolher cuidadosamente onde investir é uma vantagem competitiva. Segundo ele, abrir mão de determinadas iniciativas permite concentrar esforços no que realmente acelera a evolução da inteligência artificial.

Para Liang, a contenção não representa uma limitação, mas sim uma decisão estratégica para manter o desenvolvimento da empresa alinhado ao seu objetivo principal.

O roteiro tecnológico apresentado começa com modelos avançados de raciocínio, evolui para agentes autônomos, aprendizado contínuo e, futuramente, inteligência incorporada ao mundo físico. Entre todas essas etapas, os agentes de programação aparecem como a prioridade de curto prazo.

A expectativa é que essas ferramentas aumentem tanto a produtividade dos clientes quanto a velocidade das pesquisas realizadas internamente pela própria DeepSeek.

Outro ponto destacado foi o compromisso com o código aberto. Liang afirmou que pretende manter os modelos mais avançados da empresa disponíveis para a comunidade, argumentando que abordagens fechadas não oferecem vantagens suficientes para justificar essa escolha.

Captação bilionária fortalece os planos da empresa

As declarações chegam em um momento de forte expansão financeira. A DeepSeek concluiu recentemente sua primeira rodada de investimentos externos, levantando aproximadamente 51 bilhões de yuans, valor equivalente a cerca de US$ 7 bilhões.

Entre os principais investidores estão a Tencent, que participou com aproximadamente 10 bilhões de yuans, e a fabricante de baterias CATL. Após essa rodada, a startup passou a ser avaliada em cerca de 350 bilhões de yuans, consolidando sua posição entre as empresas de inteligência artificial mais valiosas da China.

Além disso, a companhia já trabalha nos preparativos para uma possível abertura de capital na Bolsa STAR, em Xangai. Informações divulgadas anteriormente indicam que o objetivo interno é concluir o processo regulatório até o final de 2026, com uma possível estreia no mercado acionário em 2027.

Antes disso, a DeepSeek ainda avalia realizar uma nova rodada de investimentos, que poderá elevar sua avaliação para aproximadamente 500 bilhões de yuans.

Escassez de chips continua sendo o maior desafio

Liang também falou abertamente sobre um dos principais obstáculos enfrentados pela indústria chinesa de inteligência artificial: a capacidade computacional.

Segundo ele, a maior diferença entre empresas chinesas e norte-americanas não está na qualidade das pesquisas, mas no acesso aos recursos necessários para treinar modelos cada vez maiores.

As restrições na aquisição de chips de alto desempenho e os elevados custos de infraestrutura continuam limitando o ritmo de expansão da empresa. Ainda assim, o fundador demonstrou confiança na evolução do setor nacional de semicondutores.

Ele afirmou acreditar que, dentro de aproximadamente um ano, os chips desenvolvidos na China deverão comprovar sua competitividade em aplicações reais. Como exemplo, citou o supernó 950 da Huawei, que, segundo sua avaliação, poderá oferecer desempenho e custo comparáveis às soluções atualmente fornecidas pela Nvidia.

Para Liang, a eficiência pela qual a DeepSeek ficou conhecida não nasceu como uma filosofia de desenvolvimento, mas como consequência direta das restrições de hardware enfrentadas pela empresa.

Segundo ele, a companhia continua acreditando que modelos maiores tendem a produzir melhores resultados, e o verdadeiro limite para esse crescimento não é a ambição da equipe, mas a disponibilidade de capacidade computacional.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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