- Antes de tudo: por que isso não funciona só no chat do claude.ai
- O que é uma Skill, de forma simples
- Passo a passo: montando o seu editor de vídeo autônomo
- Passo 1 — Instale o Claude Code
- Passo 2 — Instale o ffmpeg na sua máquina
- Passo 3 — Crie a pasta da Skill
- Passo 4 — Crie o arquivo SKILL.md
- Passo 5 — Rode o Claude Code na pasta do seu vídeo
- Passo 6 — Peça a edição com um prompt direto
- Passo 7 — Refine com pedidos pontuais
- E se eu quiser automatizar isso em escala (sem abrir o terminal toda vez)?
- Boas práticas de segurança ao criar Skills
- Resumo do que muda em relação ao primeiro artigo
No artigo anterior mostramos como usar um prompt para transformar a Claude em uma consultora de edição: ela analisa a transcrição do seu vídeo e devolve um roteiro de corte, gancho de abertura, legendas e sugestões de trilha.
Só que existe uma limitação clara ali: você ainda precisa abrir o editor e aplicar tudo manualmente.
Neste artigo damos um passo além, usando dois recursos reais da Anthropic:
- Agent Skills (Skills do Claude) — pacotes de instruções, scripts e recursos que o Claude carrega automaticamente quando são relevantes para a tarefa;
- um agente com acesso a arquivo e terminal (o Claude Code) — que permite ao Claude não só sugerir, mas executar comandos reais de edição de vídeo (cortar, remover silêncio, gerar legendas, exportar no formato final).
A combinação das duas coisas é o que faz a diferença entre “a IA me disse o que cortar” e “a IA cortou”.
Antes de tudo: por que isso não funciona só no chat do claude.ai
É importante alinhar expectativa. No chat comum do claude.ai, o Claude processa texto e imagens muito bem, e pode até criar documentos (Word, Excel, PowerPoint, PDF) usando Skills pré-instaladas da Anthropic.
Só que edição de vídeo bruto (cortar cenas, remover silêncio, renderizar um .mp4 final) exige rodar um programa de manipulação de vídeo real (o padrão do mercado é o ffmpeg) sobre o arquivo — e isso precisa de um ambiente com terminal e sistema de arquivos.
Por isso, o caminho mais confiável hoje é o Claude Code: um agente que roda no seu computador, tem acesso ao terminal (bash) e ao sistema de arquivos, e pode carregar Skills customizadas em formato de pasta. É esse combo — Claude Code + Skill de vídeo + ffmpeg instalado na máquina — que permite a edição autônoma de ponta a ponta.
(Fonte: documentação oficial de Agent Skills — platform.claude.com/docs/en/agents-and-tools/agent-skills/overview)
O que é uma Skill, de forma simples
Uma Skill é só uma pasta com um arquivo SKILL.md dentro. Esse arquivo tem duas partes:
- um cabeçalho (frontmatter) com
nameedescription— é isso que o Claude lê primeiro, para decidir se aquela Skill é relevante para o que você pediu; - o corpo, com instruções passo a passo, exemplos e, se quiser, scripts prontos (por exemplo, um script
.shque já roda o ffmpeg com os parâmetros certos).
O Claude só carrega o conteúdo completo da Skill quando percebe que ela é útil para a tarefa — isso economiza contexto e faz o comportamento ficar consistente toda vez que você pedir a mesma coisa.
Skills funcionam em três lugares, com pequenas diferenças:
| Onde | O que dá pra fazer |
|---|---|
| Claude Code | Skills customizadas, baseadas em arquivos, salvas em .claude/skills/ (do projeto) ou ~/.claude/skills/ (pessoal, para todos os projetos) |
| Claude API | Skills pré-prontas (Word, Excel, PowerPoint, PDF) e Skills customizadas, usadas junto da ferramenta de execução de código |
| claude.ai | Skills pré-prontas ativas automaticamente ao criar documentos, e Skills customizadas enviadas via Configurações > Recursos |
Para o nosso caso — editar vídeo de verdade, com acesso a arquivos e terminal — o Claude Code é o ambiente certo.
Passo a passo: montando o seu editor de vídeo autônomo
Passo 1 — Instale o Claude Code
Se ainda não tem, siga a documentação oficial de instalação: docs.claude.com/en/docs/claude-code/overview. Funciona via terminal, dentro do VS Code/JetBrains, ou no app desktop.
Passo 2 — Instale o ffmpeg na sua máquina
O ffmpeg é o motor que vai realmente cortar, recodificar e exportar o vídeo. No Mac: brew install ffmpeg. No Linux (Ubuntu/Debian): sudo apt install ffmpeg. No Windows, baixe o executável e adicione ao PATH.
Opcionalmente, instale também uma ferramenta de transcrição automática (por exemplo, whisper da OpenAI, via pip install openai-whisper) — ela vai gerar a legenda (.srt) que o Claude vai usar para identificar silêncios, repetições e gerar legendas dinâmicas.
Passo 3 — Crie a pasta da Skill
No terminal, dentro da pasta do seu projeto (ou na pasta pessoal, para usar em qualquer projeto):
mkdir -p ~/.claude/skills/editor-video-alta-retencao
cd ~/.claude/skills/editor-video-alta-retencao
Passo 4 — Crie o arquivo SKILL.md
Copie e cole o conteúdo abaixo em um arquivo chamado SKILL.md dentro dessa pasta.
---
name: editor-video-alta-retencao
description: Edita vídeos brutos automaticamente para maximizar retenção em redes sociais (Shorts, Reels, TikTok, YouTube, LinkedIn, X). Use quando o usuário pedir para cortar, editar, remover silêncios, adicionar legendas ou preparar um vídeo para publicação.
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# Editor de Vídeo de Alta Retenção
## Quando usar esta Skill
Use sempre que o usuário pedir para editar, cortar, legendar ou preparar um
vídeo bruto (.mp4, .mov, .mkv) para publicação em redes sociais.
## Ferramentas necessárias
- ffmpeg (obrigatório) — para cortes, recodificação, crop, legendas embutidas
- whisper ou outra ferramenta de transcrição (opcional, mas recomendado) —
para gerar arquivo .srt automaticamente
Antes de começar, verifique se o ffmpeg está instalado:
`ffmpeg -version`
Se não estiver, avise o usuário e pare.
## Fluxo de trabalho
### 1. Diagnóstico
Rode `ffprobe` no arquivo para descobrir duração, resolução e taxa de quadros:
`ffprobe -v quiet -print_format json -show_format -show_streams entrada.mp4`
### 2. Detecção de silêncio
Use o filtro `silencedetect` do ffmpeg para localizar pausas longas:
`ffmpeg -i entrada.mp4 -af silencedetect=noise=-30dB:d=0.5 -f null -`
Anote os timestamps de início/fim de cada silêncio maior que 0.5s.
### 3. Transcrição (se whisper estiver disponível)
`whisper entrada.mp4 --model small --language Portuguese --output_format srt`
Use a transcrição para identificar: vícios de fala ("é...", "hmm..."),
repetições e frases que podem ser cortadas.
### 4. Geração da lista de cortes
Combine os timestamps de silêncio com a transcrição e monte uma lista de
segmentos "a manter" (evite cortar no meio de uma palavra — dê folga de
0.1s antes e depois de cada corte).
### 5. Corte e concatenação
Para cada segmento a manter, extraia com:
`ffmpeg -i entrada.mp4 -ss INICIO -to FIM -c copy segmento_N.mp4`
Depois concatene todos com um arquivo de lista:
`ffmpeg -f concat -safe 0 -i lista.txt -c copy corte_bruto.mp4`
### 6. Reformatação por plataforma
- Shorts/Reels/TikTok (vertical 9:16):
`ffmpeg -i corte_bruto.mp4 -vf "crop=ih*9/16:ih,scale=1080:1920" -c:a copy vertical.mp4`
- YouTube (horizontal 16:9): manter proporção original, apenas ajustar
resolução se necessário:
`ffmpeg -i corte_bruto.mp4 -vf scale=1920:1080 -c:a copy youtube.mp4`
- LinkedIn/X: usar o mesmo corte horizontal, priorizando os primeiros
segundos (não recodificar sem necessidade).
### 7. Legendas dinâmicas
Gere ou ajuste o .srt e queime as legendas no vídeo:
`ffmpeg -i vertical.mp4 -vf "subtitles=legendas.srt:force_style='FontSize=24,Alignment=2,MarginV=80'" -c:a copy final.mp4`
Ajuste `FontSize` e `MarginV` conforme a proporção do vídeo.
### 8. Verificação final
Rode `ffprobe` no arquivo final para confirmar duração e integridade antes
de entregar.
## Entregáveis obrigatórios ao final da execução
1. Arquivo(s) de vídeo final(is), já no formato da plataforma escolhida
2. Lista dos cortes feitos (com timestamps do vídeo original) e o motivo
de cada corte
3. Sugestão de título (5 opções)
4. Sugestão de texto de thumbnail (5 opções, no máximo 4 palavras cada)
5. Descrição adequada à plataforma
6. Hashtags relevantes
## Princípios de edição
Todo corte deve responder: "isso aumenta a retenção do espectador?" Se a
resposta for não, corte. Evite cortes bruscos demais no áudio (deixe
folga mínima de 0.1s). Priorize manter a inteligibilidade da fala mesmo
com cortes agressivos. Nunca sobrescreva o arquivo original — sempre
gere arquivos novos.
Passo 5 — Rode o Claude Code na pasta do seu vídeo
Coloque o vídeo bruto em uma pasta de projeto e inicie o Claude Code nela:
cd ~/projetos/meu-video
claude
Passo 6 — Peça a edição com um prompt direto
Dentro da sessão do Claude Code, use um prompt como este:
Use a skill editor-video-alta-retencao para editar o arquivo bruto.mp4.
Contexto: é um vídeo sobre [assunto do vídeo].
Plataforma de destino: Reels/Shorts (vertical 9:16).
Faça o diagnóstico, detecte silêncios, gere a transcrição, monte a lista
de cortes, exporte o vídeo final já legendado, e me entregue o resumo da
edição, 5 títulos, 5 textos de thumbnail, descrição e hashtags.
O Claude Code vai carregar a Skill automaticamente (porque a descrição bate com o pedido), executar os comandos de ffmpeg no seu terminal, e devolver o vídeo final já processado na pasta do projeto — sem você precisar copiar e colar comandos manualmente.
Passo 7 — Refine com pedidos pontuais
Depois da primeira versão, você pode pedir ajustes específicos, e o Claude Code vai reexecutar só a parte necessária:
- “O corte em 0:42 tirou uma palavra, refaça com mais folga.”
- “Gere também a versão horizontal para YouTube a partir do mesmo corte.”
- “Aumente o tamanho da fonte da legenda.”
E se eu quiser automatizar isso em escala (sem abrir o terminal toda vez)?
Para quem quer automatizar esse fluxo dentro de um sistema próprio (por exemplo, um painel interno do Eurisko que recebe vídeos e devolve cortes prontos), o caminho é a Claude API com a ferramenta de execução de código. Nesse cenário:
- você cria a mesma Skill (pasta com
SKILL.mde scripts) e faz upload dela para o workspace via API (/v1/skills); - cada chamada da API referencia o
skill_idda sua Skill customizada junto com a ferramenta de execução de código, que roda o ffmpeg dentro de um container isolado; - o resultado (vídeo final) volta como um arquivo, baixável pela Files API.
Esse caminho exige dois cabeçalhos beta na chamada (skills-2025-10-02 e files-api-2025-04-14) e é mais indicado para quem já tem um pipeline de produção, não para uso pontual.
(Fonte: documentação oficial — Using Agent Skills with the API)
Boas práticas de segurança ao criar Skills
Como a Skill pode executar comandos reais no seu terminal, vale seguir algumas precauções recomendadas pela própria Anthropic:
- Audite o conteúdo da Skill antes de usar — leia o
SKILL.mde qualquer script incluso, procurando por comandos que não façam sentido para a tarefa (chamadas de rede inesperadas, acesso a arquivos fora do escopo do vídeo, etc.). - Desconfie de Skills baixadas de fontes externas sem revisão — trate como instalar um software de terceiros.
- Restrinja as ferramentas disponíveis, se possível, usando a opção
allowed-toolsdo Claude Code para limitar o que a Skill pode acessar.
Resumo do que muda em relação ao primeiro artigo
| Prompt (artigo 1) | Skill + Claude Code (artigo 2) | |
|---|---|---|
| Onde roda | Chat comum (claude.ai) | Claude Code, no seu computador |
| O que você recebe | Um roteiro de edição em texto | O vídeo final já cortado e legendado |
| Quem aplica os cortes | Você, manualmente, no seu editor | O Claude, executando ffmpeg |
| Reutilização | Copiar e colar o prompt toda vez | A Skill fica salva e é carregada automaticamente |
| Ideal para | Quem edita no CapCut/Premiere/Resolve e quer um roteiro guia | Quem quer automatizar o corte inicial e ganhar tempo |
Os dois métodos não competem — muita gente vai usar o primeiro para decidir a narrativa e o segundo para gerar rapidamente uma primeira versão editada, que depois recebe os retoques finais no editor de preferência.
