Siri reformulada da Apple finalmente funciona, mas críticos dizem que já está atrasada

Renê Fraga
11 min de leitura

Principais destaques

  • A Apple liberou a nova Siri com inteligência artificial no beta público do iOS 27, transformando a assistente em um sistema muito mais conversacional e integrado ao ecossistema da empresa.
  • A tecnologia combina modelos próprios da Apple com recursos desenvolvidos a partir da tecnologia Gemini, do Google, preservando a estratégia de processamento local e foco em privacidade.
  • Embora represente a maior evolução da Siri desde seu lançamento em 2011, especialistas afirmam que a novidade chega em um momento em que concorrentes como ChatGPT, Claude e Gemini já oferecem agentes de IA muito mais sofisticados.

Durante anos, a Siri foi considerada um dos pontos mais frágeis do ecossistema da Apple. Enquanto assistentes baseados em inteligência artificial evoluíam rapidamente, a solução da empresa permanecia limitada a comandos simples, frequentemente interpretando solicitações de maneira incorreta ou incapaz de compreender o contexto das conversas.

Essa percepção começou a mudar com a chegada do beta público do iOS 27. A Apple disponibilizou para milhões de usuários a maior reformulação da história da Siri, transformando a assistente em uma plataforma baseada em inteligência artificial generativa capaz de compreender linguagem natural, acessar informações pessoais com autorização do usuário e executar tarefas complexas entre aplicativos.

A atualização representa um dos projetos mais ambiciosos já realizados pela empresa na área de IA. No entanto, o desafio da Apple deixou de ser apenas criar uma Siri inteligente. Agora, a companhia precisa convencer consumidores e desenvolvedores de que ainda consegue competir em um mercado dominado por empresas que aceleraram seus investimentos em inteligência artificial muito antes de Cupertino.

A Siri finalmente virou uma assistente de IA de verdade

A principal mudança está na forma como a Siri entende o usuário.

Antes, praticamente toda interação precisava ser iniciada do zero. Agora, a assistente consegue manter uma conversa contínua, lembrar o contexto das perguntas anteriores e compreender referências feitas durante o diálogo, aproximando a experiência daquela oferecida por plataformas como ChatGPT, Gemini e Claude.

A inteligência da nova Siri também passa a acessar, sempre mediante autorização, diferentes informações presentes no aparelho.

Entre elas estão:

  • e-mails;
  • mensagens;
  • fotografias;
  • calendário;
  • contatos;
  • arquivos armazenados;
  • lembretes;
  • notas.

Isso permite que comandos muito mais naturais sejam executados.

Em vez de dizer exatamente onde determinado documento foi salvo, basta pedir:

“Encontre aquele recibo que recebi na semana passada.”

A Siri procura automaticamente entre diferentes aplicativos e apresenta o resultado.

O mesmo acontece com fotos.

Caso exista uma imagem contendo um documento, como uma carteira de motorista ou um passaporte, a assistente consegue localizar o arquivo, identificar as informações presentes e responder perguntas sobre ele.

Outro recurso bastante interessante é a capacidade de interpretar o que aparece na tela do iPhone.

Se o usuário estiver lendo um e-mail contendo data, horário e endereço de um compromisso, por exemplo, basta pedir para adicionar o evento ao calendário. A Siri compreende automaticamente o conteúdo exibido e realiza a tarefa sem necessidade de copiar ou informar manualmente cada detalhe.

A integração com o sistema operacional ficou muito mais profunda

Uma das maiores críticas à Siri sempre foi sua dificuldade para executar ações envolvendo diferentes aplicativos.

No iOS 27 isso muda de maneira significativa.

A Apple expandiu o conceito de App Intents, permitindo que a assistente combine informações de vários aplicativos para concluir uma única solicitação.

Na prática, isso significa que será possível pedir para enviar as fotos tiradas durante uma viagem para um contato específico, criar um álbum automaticamente, localizar um restaurante mencionado em uma conversa ou resumir mensagens recebidas em um grupo.

Outra novidade é que a Siri ganhou um aplicativo próprio.

Embora continue disponível por comando de voz ou pelo botão lateral do iPhone, agora existe uma interface semelhante aos chats de inteligência artificial já populares no mercado.

O usuário pode revisar conversas anteriores, continuar perguntas iniciadas dias antes e utilizar a Siri também por texto, recurso pensado principalmente para ambientes silenciosos ou situações em que falar não seja conveniente.

Além disso, a Apple integrou a nova assistente ao Spotlight, ampliando sua capacidade de pesquisar praticamente qualquer informação sem obrigar o usuário a abrir um navegador ou outro aplicativo.

A estratégia da Apple é diferente da concorrência

Apesar de utilizar tecnologia baseada no Gemini, do Google, a Apple afirma que a nova Siri não é simplesmente uma versão personalizada do chatbot da empresa rival.

Segundo a companhia, foram desenvolvidos Apple Foundation Models próprios, otimizados especificamente para os chips Apple Silicon. Parte desse processamento acontece diretamente no dispositivo, enquanto tarefas mais complexas utilizam a infraestrutura chamada Private Cloud Compute.

Essa arquitetura busca resolver um dos principais dilemas da inteligência artificial atual: como oferecer modelos avançados sem comprometer a privacidade.

Sempre que possível, os dados permanecem dentro do próprio aparelho.

Quando o processamento em nuvem é necessário, as solicitações passam por servidores operados pela Apple, que removem informações capazes de identificar o usuário antes da execução.

Segundo Craig Federighi, chefe de engenharia de software da Apple, privacidade continua sendo um princípio inegociável na estratégia de inteligência artificial da empresa.

Esse posicionamento diferencia a Apple de diversas concorrentes, que dependem quase integralmente de grandes modelos hospedados na nuvem.

O maior problema talvez não seja a tecnologia, mas o tempo

Embora a Siri tenha evoluído de forma impressionante, a reação inicial da imprensa especializada foi relativamente moderada.

O motivo é simples.

Em 2023, uma assistente capaz de conversar naturalmente teria sido considerada revolucionária.

Em 2026, esse recurso passou a ser praticamente obrigatório.

Hoje, plataformas como ChatGPT, Claude e Gemini já conseguem desenvolver software, criar agentes autônomos, navegar na internet, controlar computadores, realizar pesquisas complexas e executar fluxos completos de trabalho praticamente sem intervenção humana.

Nesse cenário, oferecer uma Siri finalmente funcional deixou de ser suficiente para colocar a Apple novamente na liderança da inovação.

Diversos analistas resumiram a situação dizendo que a Apple não lançou uma revolução.

Ela simplesmente corrigiu uma deficiência histórica de seu principal assistente digital.

A Apple aposta em uma plataforma aberta para recuperar espaço

Mesmo chegando depois da concorrência, a empresa prepara uma estratégia bastante diferente daquela adotada pelos rivais.

Segundo informações publicadas pela Bloomberg, o iOS 27 permitirá que usuários escolham diferentes modelos de inteligência artificial para alimentar recursos do sistema operacional e da própria Siri.

Na prática, isso significa que a Apple poderá deixar de depender exclusivamente de um único modelo.

Serviços como ChatGPT, Gemini, Claude e futuras soluções poderão ser utilizados conforme a preferência do usuário, desde que integrem a nova arquitetura da empresa.

Caso essa abertura realmente se consolide, a Apple poderá transformar a Siri em uma camada de interação, enquanto diferentes modelos especializados ficam responsáveis por executar cada tarefa.

Essa abordagem pode representar uma vantagem competitiva importante, principalmente porque reduz a necessidade de a Apple disputar diretamente a liderança na criação dos maiores modelos de linguagem do mundo.

Nem todos poderão usar a novidade

Apesar do entusiasmo, a nova Siri possui algumas limitações importantes.

Os recursos de inteligência artificial exigem um iPhone 15 Pro ou modelos posteriores, já que dependem da Neural Engine presente nos chips mais recentes. Isso deixa uma enorme quantidade de aparelhos incompatíveis com a atualização.

Além disso, países da União Europeia e a China ficaram inicialmente fora da primeira fase de lançamento devido a questões regulatórias envolvendo inteligência artificial e proteção de dados.

Outro ponto é que, por enquanto, algumas funções ainda permanecem em beta, podendo apresentar falhas ocasionais durante os testes públicos.

A Siri finalmente mudou, mas o desafio apenas começou

A reformulação da Siri representa um dos momentos mais importantes da Apple desde a chegada da Apple Intelligence.

Depois de anos sendo vista como uma assistente ultrapassada, a plataforma finalmente oferece uma experiência compatível com aquilo que os usuários passaram a esperar da inteligência artificial moderna.

Ainda assim, a empresa enfrenta um cenário completamente diferente daquele existente quando iniciou o desenvolvimento do projeto.

Enquanto a Apple buscava reinventar a Siri, concorrentes avançaram para agentes inteligentes capazes de trabalhar de forma praticamente autônoma, executar tarefas complexas e atuar como verdadeiros assistentes digitais pessoais.

Por isso, o sucesso da nova Siri dependerá menos da qualidade desta primeira versão e muito mais da velocidade com que a Apple conseguirá evoluí-la nos próximos anos. A empresa finalmente entrou na corrida da IA generativa, mas agora precisa provar que consegue acompanhar um mercado que muda em ritmo acelerado e no qual a inovação deixou de ser anual para acontecer praticamente todas as semanas.

Meta descrição (PT-BR): A Apple reformulou completamente a Siri no iOS 27 com inteligência artificial generativa, integração profunda ao sistema e foco em privacidade. Entenda como a nova assistente funciona, por que ela representa um enorme avanço e por que especialistas afirmam que a empresa chegou tarde à corrida da IA.

Meta descrição (ES): Apple renovó por completo Siri con inteligencia artificial generativa, integrándola profundamente en iOS y reforzando la privacidad. Descubre qué cambia, cómo funciona la nueva asistente y por qué muchos analistas consideran que llega tarde frente a ChatGPT, Gemini y Claude.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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