Sam Altman se reúne com 50 líderes da Samsung em meio à crise dos chips de IA

Renê Fraga
10 min de leitura

Principais destaques

  • Encontro de alto escalão: CEO da OpenAI conversa com cerca de 50 executivos da Samsung sobre o futuro da inteligência artificial e as decisões estratégicas das empresas.
  • Parceria em expansão: Acordos entre as companhias envolvem chips de memória, data centers, infraestrutura de IA e ferramentas corporativas como ChatGPT Enterprise e Codex.
  • Escassez preocupa o setor: A oferta limitada de memória pressiona a indústria e reforça a importância dos fabricantes sul-coreanos para a expansão da inteligência artificial.

Sam Altman foi à Coreia do Sul para discutir o futuro da inteligência artificial com alguns dos principais executivos do Grupo Samsung. O encontro aconteceu neste sábado, 31 de outubro, em Yongin, na província de Gyeonggi, em um momento em que a disponibilidade de chips de memória se tornou uma preocupação crescente para a indústria.

A reunião reuniu cerca de 50 executivos seniores de diferentes áreas do conglomerado, incluindo eletrônicos, finanças e biotecnologia. Entre os participantes estavam Jun Young-hyun, CEO e vice-presidente do conselho da Samsung Electronics, e Roh Tae-moon, presidente da companhia, segundo a imprensa sul-coreana.

O tema escolhido para a sessão foi direto: “Os próximos 10 anos moldados pela IA: a escolha das empresas”.

Mais do que uma conversa sobre novas tecnologias, a agenda colocou em pauta como a inteligência artificial pode transformar a gestão, a tomada de decisões e as competências exigidas dos líderes empresariais.

🤖 A IA deixou de ser assunto apenas dos departamentos de tecnologia

Segundo a Samsung, os executivos discutiram as perspectivas da inteligência artificial, as oportunidades de negócios que podem surgir nos próximos anos e as mudanças que a tecnologia deve provocar na administração das empresas.

A discussão ocorre em um momento no qual grandes companhias tentam incorporar IA às suas operações, desde o desenvolvimento de software até a automação de processos e a análise de informações.

O ponto central: a adoção de IA não depende apenas de contratar ferramentas ou disponibilizar chatbots aos funcionários. Também exige mudanças na infraestrutura, nos processos internos e na maneira como as empresas tomam decisões.

A Samsung não divulgou detalhes das declarações de Altman durante o encontro, segundo o site TNW. Por isso, não há informações públicas suficientes para atribuir ao executivo compromissos específicos ou anúncios feitos na reunião.

💾 Por que a escassez de memória torna esse encontro importante?

A reunião acontece em meio à crescente pressão sobre a cadeia de fornecimento de semicondutores utilizados em sistemas de inteligência artificial.

Os data centers que executam modelos de IA precisam de grandes quantidades de memória de alto desempenho. Com a expansão desses sistemas, a disputa por componentes especializados ganha importância para fabricantes de chips, empresas de tecnologia e operadores de infraestrutura em nuvem.

A Samsung é uma das principais empresas desse mercado, ao lado de concorrentes como a SK Hynix e a norte-americana Micron.

📌 O gargalo não está apenas nos processadores: a memória também é um componente essencial para alimentar aceleradores de IA e manter grandes modelos funcionando com eficiência.

A pressão sobre a oferta pode elevar custos e dificultar a expansão da capacidade computacional. Isso torna o relacionamento entre desenvolvedores de modelos e fabricantes de semicondutores cada vez mais estratégico.

🏗️ Do projeto Stargate aos escritórios da Samsung

A aproximação entre OpenAI e Samsung vai além da reunião deste sábado.

Em outubro de 2025, a Samsung Electronics assinou uma carta de intenções com a OpenAI que previa o fornecimento de chips de memória avançados para o projeto Stargate, iniciativa voltada à expansão da infraestrutura de IA.

O entendimento também envolveu outras empresas do conglomerado sul-coreano:

  • Samsung SDS: comprometeu-se a avaliar a criação de data centers de inteligência artificial.
  • Samsung C&T: iniciou trabalhos relacionados a projetos de data centers flutuantes em alto-mar.
  • Samsung Heavy Industries: também passou a trabalhar nos projetos de infraestrutura flutuante.

Essas frentes mostram como a construção de infraestrutura para IA pode envolver muito mais do que servidores e chips. Energia, engenharia, instalações e capacidade de processamento fazem parte da mesma equação.

💼 A parceria também chegou ao ambiente corporativo: em junho, a OpenAI informou que a Samsung implantaria o ChatGPT Enterprise e o Codex para seus funcionários.

O primeiro é voltado ao uso empresarial do ChatGPT, enquanto o segundo é uma ferramenta de programação assistida por IA. A iniciativa aproxima a parceria da rotina de trabalho dos funcionários, além da infraestrutura que sustenta os modelos.

Em julho, Lee Jae-yong, presidente executivo da Samsung Electronics, visitou a sede da OpenAI em San Francisco.

🎓 Samsung quer preparar seus executivos para a próxima década

A reunião com Altman foi precedida por uma sessão prática de treinamento em IA generativa, a segunda realizada pela Samsung em 2026.

Segundo o relato do jornal The Korea Herald, a empresa já havia treinado cerca de 2.300 executivos desde junho e pretendia capacitar todos os funcionários até fevereiro de 2027.

A iniciativa indica que a companhia está tratando a inteligência artificial como uma transformação organizacional, não apenas como uma tecnologia restrita às equipes de pesquisa e desenvolvimento.

Para uma empresa com operações em eletrônicos, serviços financeiros, construção, engenharia e biotecnologia, a adoção de IA pode ter aplicações muito diferentes em cada negócio.

A disputa pela inteligência artificial acontece em duas frentes: garantir os componentes necessários para executá-la e preparar as organizações para usá-la de forma produtiva.

🌏 Os fabricantes de chips viraram peças centrais da estratégia de IA

Altman é o mais recente executivo de uma grande empresa norte-americana de tecnologia a visitar a Coreia do Sul em meio à corrida pela infraestrutura de IA.

Jensen Huang, CEO da Nvidia, e Lisa Su, CEO da AMD, também estiveram no país em diferentes ocasiões desde 2025, segundo o material de referência.

A movimentação reforça a importância da indústria sul-coreana na cadeia global de semicondutores. A SK Hynix, concorrente direta da Samsung em segmentos importantes de memória, afirmou nesta semana que a escassez poderia se prolongar até 2030, conforme noticiado pelo TNW.

Isso não significa que todos os tipos de memória estarão necessariamente em falta durante todo esse período. A disponibilidade varia conforme a tecnologia, a capacidade de produção e a demanda de cada segmento.

Ainda assim, a perspectiva de restrições prolongadas ajuda a explicar por que as empresas de IA estão estreitando relações com os fabricantes.

☁️ Altman também questiona a IA rodando em computadores pessoais

Dois dias antes da reunião, Altman participou do podcast Cheeky Pint, apresentado por John Collison, cofundador da Stripe. Na conversa, abordou a economia dos chips de memória e a tendência de executar modelos de IA diretamente em dispositivos pessoais.

O executivo argumentou que manter grandes quantidades de memória em computadores que passam boa parte do tempo sem utilizá-la pode ser ineficiente diante da oferta limitada de DRAM.

A visão de Altman privilegia a utilização da infraestrutura em nuvem. Nesse modelo, recursos computacionais podem atender a diferentes usuários e tarefas, em vez de permanecerem dedicados a um único dispositivo.

A declaração não elimina as vantagens da IA local, que pode oferecer menor latência, funcionamento sem conexão e maior controle sobre determinados dados. São abordagens com necessidades e benefícios distintos.

A questão é como distribuir uma capacidade limitada de memória entre data centers, computadores pessoais e outros dispositivos que também começam a incorporar recursos de IA.

O que vem pela frente?

A reunião entre Altman e os executivos da Samsung não resultou em um anúncio público de novo contrato, mas aconteceu em um momento estratégico para ambas as empresas.

A OpenAI precisa ampliar a capacidade necessária para desenvolver e executar seus modelos. A Samsung, por sua vez, tem a oportunidade de fortalecer sua posição como fornecedora de componentes e infraestrutura para esse mercado.

Com a escassez de memória pressionando a cadeia produtiva, a relação entre quem desenvolve os modelos e quem fabrica os componentes tende a ganhar ainda mais relevância.

A próxima década da IA dependerá das decisões tomadas nas salas de reunião, mas também de uma questão bastante concreta: quantos chips estarão disponíveis para transformar essas decisões em produtos e serviços.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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