Meta desenvolve robô humanoide com a chinesa Fourier, diz reportagem

Renê Fraga
9 min de leitura

Principais destaques

  • Protótipo já foi construído: Meta e Fourier Intelligence teriam desenvolvido conjuntamente um primeiro robô humanoide e iniciado o trabalho em uma segunda versão.
  • Foco nas tarefas domésticas: a iniciativa faz parte dos planos da Meta para desenvolver robôs capazes de executar atividades dentro das casas.
  • Meta amplia sua aposta em robótica: a parceria combina os modelos de inteligência artificial da empresa americana com a experiência da fabricante chinesa em robôs humanoides.

A Meta está avançando na robótica humanoide e pode estar mais perto de levar sua inteligência artificial para além das telas. Segundo reportagem publicada pelo The Information neste sábado, 31 de outubro, a empresa construiu um protótipo de robô humanoide em colaboração com a chinesa Fourier Intelligence e já trabalha em uma segunda versão.

O projeto ainda não foi anunciado oficialmente pelas empresas. A Reuters informou que não conseguiu verificar a informação de forma independente até a publicação de sua reportagem.

O movimento, porém, se encaixa em uma estratégia que a Meta vem desenvolvendo para transformar seus modelos de IA em sistemas capazes de interagir com o mundo físico.

🤖 A Meta quer levar a IA para dentro de casa

A iniciativa está relacionada aos planos da empresa de Mark Zuckerberg de desenvolver robôs para uso doméstico. Em vez de limitar seus assistentes de inteligência artificial a conversas, imagens e aplicativos, a Meta busca construir tecnologias capazes de executar tarefas físicas.

Pense em um sistema que não apenas explique como organizar uma cozinha, mas que também consiga manipular objetos e ajudar na organização do ambiente. Esse é o tipo de possibilidade que a robótica humanoide pretende explorar, embora ainda existam desafios técnicos importantes para torná-la prática e acessível.

🔎 O detalhe importante: a parceria com a Fourier indica que a Meta está recorrendo a uma fabricante especializada para avançar no desenvolvimento de hardware, em vez de depender exclusivamente de suas próprias equipes.

Isso também pode permitir que a empresa concentre parte de seus esforços nos modelos de IA, na percepção do ambiente e no controle dos movimentos dos robôs.

🧠 A Meta já vinha preparando o terreno

A parceria não aparece isoladamente. Em maio, a Meta adquiriu a Assured Robot Intelligence, uma startup especializada em modelos de base para robôs humanoides.

A empresa desenvolve tecnologias destinadas a permitir que robôs aprendam e executem trabalhos físicos, incluindo atividades domésticas.

Na ocasião, a Meta destacou a experiência dos cofundadores Lerrel Pinto e Xiaolong Wang em modelos de IA voltados ao controle de robôs e ao aprendizado autônomo de movimentos de corpo inteiro.

A equipe passou a integrar o Meta Superintelligence Labs, trabalhando ao lado do Meta Robotics Studio, grupo de pesquisa criado em 2025 para desenvolver tecnologias fundamentais para robôs humanoides.

💡 A estratégia da Meta combina três peças: modelos de inteligência artificial, sistemas de controle físico e hardware capaz de executar tarefas no mundo real.

Essa combinação é essencial porque um robô doméstico precisa fazer muito mais do que responder corretamente a um comando. Ele precisa reconhecer objetos, compreender o ambiente, planejar movimentos e reagir a situações inesperadas.

🏭 Quem é a Fourier Intelligence?

A Fourier Intelligence foi fundada em 2015 e tem sede em Xangai, na China.

A empresa começou desenvolvendo tecnologias de reabilitação, incluindo exoesqueletos, antes de ampliar sua atuação para robôs humanoides.

Seu portfólio inclui máquinas voltadas à interação humana, ao cuidado de pessoas e a aplicações de serviço.

Um dos exemplos mais recentes é o GR-3, apresentado na CES em janeiro de 2026.

Segundo as informações fornecidas sobre o produto, o robô tem 1,65 metro de altura e pesa 71 quilos. Seu revestimento macio e seus recursos de interação por visão e toque foram concebidos para aplicações como companhia, educação, serviços públicos e cuidado de idosos.

Durante a apresentação na CES, o GR-3 demonstrou capacidades de interação com visitantes, incluindo jogos e movimentos coreografados.

🤝 Por que essa experiência importa? A Fourier já trabalha com robôs projetados para interagir com pessoas, uma área diretamente relacionada aos objetivos atribuídos ao projeto da Meta.

Ainda assim, não há confirmação pública de que o protótipo desenvolvido com a Meta seja baseado no GR-3 ou utilize a mesma plataforma.

⚔️ A Meta quer competir com a Tesla?

A robótica humanoide está atraindo algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo.

A Tesla desenvolve o Optimus, enquanto outras empresas investem em robôs para ambientes industriais, comerciais e domésticos.

A Meta, por sua vez, vinha considerando uma abordagem diferente. Reportagens anteriores indicavam que a empresa inicialmente não pretendia lançar um robô com sua própria marca para disputar diretamente o mercado com o Optimus.

O foco estaria no desenvolvimento de tecnologias fundamentais e de infraestrutura de inteligência artificial que também poderiam ser utilizadas por fabricantes terceirizados.

Um memorando vazado, citado pelo TechCrunch em reportagens anteriores, teria descrito planos para um robô de consumo que combinaria modelos de IA e hardware próprios.

Essas informações apontam para diferentes caminhos estratégicos, mas não estabelecem qual será o modelo comercial definitivo da Meta.

🌎 Uma parceria que envolve tecnologia americana e chinesa

A colaboração também chama atenção pelo contexto geopolítico.

A Meta é uma das maiores empresas americanas de tecnologia, enquanto a Fourier integra o setor chinês de robótica, que vem ampliando sua presença internacional.

Parcerias desse tipo podem acelerar o desenvolvimento de produtos ao combinar competências complementares. Ao mesmo tempo, a cooperação tecnológica entre empresas americanas e chinesas está sujeita a um ambiente de crescente escrutínio regulatório e estratégico.

Por enquanto, não foram divulgados detalhes sobre a divisão de responsabilidades entre as empresas, os componentes utilizados no protótipo ou os termos comerciais do acordo.

💰 Quanto pode valer o mercado de robôs humanoides?

As estimativas para o mercado de robótica humanoide variam bastante conforme o horizonte temporal e as hipóteses adotadas.

Projeção citada no materialValor estimado
Mercado até 2035US$ 38 bilhões
Mercado até 2050US$ 5 trilhões

Os números não são diretamente comparáveis, pois consideram horizontes diferentes e podem utilizar definições distintas para o mercado. Eles devem ser tratados como projeções, não como receitas garantidas.

O potencial econômico depende de fatores como custo de fabricação, autonomia, segurança, confiabilidade e capacidade de executar tarefas úteis sem supervisão constante.

Um robô que funciona bem em uma demonstração controlada ainda precisa superar obstáculos para se tornar um produto doméstico viável.

O próximo passo será sair do laboratório?

O desenvolvimento de uma segunda versão sugere que o trabalho conjunto pode estar avançando além de uma experiência pontual. Mas ainda faltam informações essenciais para avaliar o projeto: quais tarefas o robô consegue realizar, quanto custa, quando poderá ser testado em ambientes reais e se chegará ao mercado.

A Meta já dispõe de modelos de IA, recursos computacionais e equipes especializadas. Com a Fourier, pode estar buscando acelerar a etapa em que essas capacidades precisam ganhar um corpo físico.

A questão agora é saber se a empresa pretende fornecer inteligência artificial para robôs de terceiros ou se, no futuro, também lançará seu próprio produto doméstico. Por enquanto, o protótipo é uma indicação de direção, não a confirmação de um lançamento comercial.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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