OpenAI ativa por padrão a reescrita automática de anúncios no ChatGPT

Renê Fraga
7 min de leitura

Principais destaques

  • Anúncios modificados por IA: campanhas novas e existentes passam a ter os aprimoramentos de criativos ativados por padrão, sem exigir aprovação individual do anunciante.
  • Mais formatos publicitários: o ChatGPT amplia os cards de anúncios no desktop e libera em beta aberto campanhas com quatro a seis imagens.
  • Menos controle sobre cada versão: anunciantes podem desativar o recurso, mas não conseguem visualizar antecipadamente todas as variações que a IA poderá veicular.

A OpenAI está dando mais autonomia à inteligência artificial na publicidade do ChatGPT. Desde sexta-feira, 30 de outubro, os chamados aprimoramentos de criativos estão sendo ativados por padrão nas campanhas novas e existentes da plataforma.

A mudança permite que o sistema reescreva anúncios, traduza mensagens e escolha páginas de destino sem que o anunciante precise aprovar cada versão. Na prática, a empresa quer adaptar a publicidade ao contexto de cada usuário, mas isso também levanta questões sobre controle criativo, rastreamento e transparência.

🤖 A IA agora pode mudar o anúncio original

A configuração permite que o sistema produza versões alternativas dos anúncios com base em três elementos: a conversa ou os interesses do usuário, o material publicitário original e o conteúdo da página de destino.

Entre as alterações possíveis estão:

  • Títulos e descrições: criação de textos novos ou revisão das mensagens originais.
  • Traduções: adaptação dos anúncios para outros idiomas.
  • Imagens: redimensionamento dos elementos visuais.
  • Páginas de destino: substituição do endereço original por outra página do site do anunciante.

Essas versões podem ser preparadas antecipadamente ou geradas durante uma conversa. O problema é que o Ads Manager não oferece uma prévia de todas as variações que poderão aparecer para o público.

A mudança transforma a IA de uma ferramenta de otimização em parte ativa da execução criativa da campanha.

Para os anunciantes, isso pode reduzir o trabalho operacional e permitir experiências mais contextualizadas. Por outro lado, a mensagem exibida ao consumidor pode deixar de corresponder exatamente ao texto que a equipe de marketing escreveu e aprovou.

⚙️ O recurso pode ser desativado

A OpenAI comunicou a alteração aos anunciantes por e-mail enviado por volta de 20 de outubro. Segundo o PPC Land, a mensagem alertava que os anúncios poderiam ser veiculados automaticamente, sem revisão ou aprovação individual de cada versão.

A documentação de ajuda da empresa apresentou datas diferentes ao longo da semana seguinte, até estabelecer 30 de outubro como data de início da mudança.

🔧 Quem mantém o controle? Os anunciantes podem desativar os aprimoramentos em “Gerenciar configurações”, no Ads Manager. Desativações anteriores feitas no nível da conta ou da campanha continuam valendo, e as configurações específicas da campanha prevalecem sobre o padrão da conta.

Isso é importante para marcas que trabalham com mensagens institucionais, ofertas com condições específicas ou campanhas sujeitas a processos rigorosos de aprovação.

Três questões ainda precisam de respostas

A documentação disponível em 30 de outubro deixava lacunas relevantes para quem precisa medir resultados e manter o controle das campanhas.

• Rastreamento: não esclarecia como parâmetros como as tags UTM são preservados quando a IA altera a URL de destino.

• Restrições: não informava se os anunciantes podem excluir páginas específicas da seleção automática.

• Relatórios: não explicava se seria possível consultar o desempenho individual de cada versão aprimorada.

Sem essas informações, fica mais difícil avaliar se a automação melhora os resultados ou apenas distribui diferentes versões sem transparência suficiente para uma análise detalhada.

🖥️ Anúncios maiores no desktop

A mudança não se limita à geração automática de criativos. A OpenAI também anunciou um formato padrão de anúncio mais largo, que aproveita melhor o espaço disponível na conversa do ChatGPT em computadores.

O novo card funciona com campanhas e criativos existentes. Portanto, segundo a comunicação enviada aos anunciantes, não é necessário modificar os materiais para utilizar o formato.

A empresa também informou que os anúncios do ChatGPT já estavam disponíveis em 89 países.

🖼️ Campanhas com várias imagens entram em beta aberto

Outra novidade é a abertura do beta de anúncios com múltiplas imagens, disponibilizado no Ads Manager em 26 de outubro.

O formato utiliza de quatro a seis imagens quadradas, todas direcionando para a mesma URL. A chamada para ação disponível é “Saiba mais”.

As campanhas podem ser utilizadas com três objetivos:

ObjetivoFinalidade
AlcanceAmpliar a exposição da marca
CliquesAtrair visitantes para uma página
ConversõesIncentivar ações desejadas pelo anunciante

O formato permite apresentar diferentes produtos, características ou aspectos de uma oferta dentro de uma mesma unidade publicitária.

Entretanto, há um detalhe importante: a documentação não esclarecia se os aprimoramentos automáticos de criativos também se aplicam aos anúncios com múltiplas imagens. Portanto, não é possível afirmar que todas as funcionalidades de automação estarão disponíveis nesse formato.

📊 Mais automação não significa resultados melhores

A proposta da OpenAI acompanha uma tendência da publicidade digital: transferir para sistemas automatizados parte das decisões sobre criação, distribuição e otimização de anúncios.

A vantagem potencial é adaptar as mensagens a diferentes contextos sem exigir que as equipes produzam manualmente dezenas de versões. O desafio é garantir que a personalização não prejudique a identidade da marca, a precisão das informações ou a mensuração das campanhas.

A própria documentação da OpenAI recomenda cautela na interpretação dos resultados. A empresa alerta que mudanças observadas ao longo do tempo, isoladamente, não demonstram o efeito dos aprimoramentos de criativos.

🔎 O que os anunciantes devem observar: desempenho por campanha, qualidade do tráfego, conversões, consistência das mensagens e preservação dos parâmetros de rastreamento. Sem dados mais detalhados sobre cada variação, separar o efeito da automação de outros fatores pode ser difícil.

A questão agora é até que ponto os anunciantes estarão dispostos a delegar à IA decisões que antes passavam por equipes de criação, mídia e aprovação. No ChatGPT Ads, a automação deixa de ser apenas uma possibilidade e passa a ser o ponto de partida para novas campanhas.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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