Principais destaques
- Correção sob questionamento: Meta afirma ter adotado medidas para impedir a geração de propaganda eleitoral por sua inteligência artificial.
- Resultados diferentes: Mesmo após o anúncio, a Meta AI voltou a produzir imagens com “Vote Flávio” e “Flávio 22”, enquanto continuou recusando pedidos semelhantes envolvendo Lula.
- Caso chegou ao TSE: A campanha do presidente apresentou uma petição acusando a empresa de interferir na disputa eleitoral.
A Meta afirma ter tomado medidas para impedir que sua inteligência artificial gere imagens de propaganda eleitoral, mas os testes realizados após o posicionamento da empresa indicam que o problema continua.
A ferramenta disponível no WhatsApp ainda consegue produzir material associado ao senador Flávio Bolsonaro (PL), enquanto rejeita solicitações semelhantes relacionadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O ponto central agora não é apenas a diferença de comportamento entre os candidatos. É a distância entre o que a Meta diz ter corrigido e o que a própria ferramenta continua fazendo.
🗣 A resposta oficial não encerrou o problema
Em nota enviada às 12h18 desta quarta-feira (14), após ser questionada sobre o tratamento desigual dado aos candidatos, a Meta afirmou que havia adotado medidas para cumprir as regras eleitorais brasileiras.
“Em cumprimento com as regras eleitorais do Brasil, nós proibimos temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles”, declarou a empresa.
A companhia também afirmou ter implementado restrições adicionais para impedir que comandos com apenas o primeiro nome dos candidatos e seus respectivos números de urna resultassem em imagens.
A declaração, porém, foi seguida por novos testes da reportagem da Folha de S.Paulo.
🔎 A ferramenta voltou a produzir as imagens
Inicialmente, a Meta AI recusou o pedido para criar uma imagem com a expressão “Flávio 22”. Ao ser questionada sobre o motivo da recusa, porém, a própria ferramenta sugeriu alternativas.
O chatbot perguntou se deveria tentar novamente com um texto diferente, como “Flávio” ou “Vote Flávio”.
Após a autorização da reportagem, a inteligência artificial produziu a imagem com a expressão “Vote Flávio”. Em seguida, também acrescentou o número 22 quando recebeu essa solicitação.
O detalhe que chama a atenção: a ferramenta não apenas voltou a gerar o material, como sugeriu uma maneira de contornar a recusa inicial.
💡 A Meta anunciou medidas adicionais para bloquear esse tipo de conteúdo, mas a ferramenta continuou encontrando caminhos para produzir imagens associadas a Flávio Bolsonaro.
⚖️ Com Lula, a resposta continua diferente
Nos testes envolvendo o presidente, o resultado foi outro. A Meta AI continuou impedindo a criação de imagens com expressões como “Lula 13”, “Vote Lula” e “Vote Luiz Inácio”.
A diferença é relevante porque os pedidos apresentados à ferramenta tinham a mesma finalidade: gerar imagens com mensagens eleitorais relacionadas aos candidatos.
A empresa foi novamente procurada pela reportagem depois dos novos testes. Às 13h33, reiterou o posicionamento anterior, sem esclarecer por que a ferramenta continuava apresentando resultados distintos.
Isso não permite concluir, por si só, que houve uma decisão deliberada de favorecer um candidato. Mas demonstra que a explicação oficial ainda não resolveu a inconsistência observada.
📌 Da falha técnica à disputa eleitoral
O episódio ganhou uma dimensão política maior depois que a campanha de Lula apresentou uma petição ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quarta-feira (14).
A iniciativa acusa a Meta de interferir na disputa eleitoral ao permitir a produção de propaganda associada a Flávio Bolsonaro enquanto restringe conteúdos semelhantes relacionados ao atual presidente.
O caso coloca em discussão a responsabilidade das plataformas digitais na aplicação de regras eleitorais, especialmente quando sistemas automatizados participam da produção de material político.
Também levanta uma questão prática: se uma empresa anuncia restrições para todos os candidatos, como verificar se essas medidas funcionam de maneira consistente?
🔍 O que falta a Meta esclarecer
A repetição dos testes após o comunicado transforma a resposta da empresa em parte central da notícia. Não se trata mais somente de identificar uma diferença no comportamento da inteligência artificial, mas de entender por que as medidas anunciadas não impediram que ela voltasse a produzir o conteúdo.
A Meta ainda precisa esclarecer a origem dessa diferença e explicar como pretende garantir que as restrições sejam aplicadas de forma equivalente aos candidatos.
Com o caso agora no TSE, a questão deixa de ser apenas uma curiosidade sobre o funcionamento de um chatbot. Passa a envolver transparência, moderação automatizada e confiança nas regras aplicadas pelas plataformas durante uma eleição.
A resposta oficial prometeu restrições. Os testes, por enquanto, mostram que a história ainda está longe de terminar.
