Principais destaques
- A Meta afirma que grandes modelos de linguagem estão mudando completamente a forma como novos aplicativos são criados.
- A empresa já lançou diversos apps independentes e pretende acelerar ainda mais esse ritmo nos próximos meses.
- Além de impulsionar recomendações de conteúdo, a IA também passou a participar do desenvolvimento de software dentro da companhia.
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta para melhorar produtos existentes e passou a ocupar um papel estratégico na criação de novos aplicativos dentro da Meta.
Durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre de 2026, o CEO Mark Zuckerberg afirmou que os grandes modelos de linguagem (LLMs) estão permitindo que a empresa transforme ideias em produtos de maneira muito mais rápida do que seria possível poucos anos atrás.
Segundo o executivo, essa nova capacidade está mudando a forma como a Meta enxerga o desenvolvimento de software para consumidores. Em vez de apostar em poucos projetos de grande porte, a companhia pretende experimentar um número muito maior de aplicativos, identificar rapidamente quais despertam interesse do público e utilizar seus algoritmos de recomendação para acelerar o crescimento daqueles que apresentarem maior potencial.
Nos últimos meses, a estratégia já começou a ganhar forma. A empresa colocou no mercado aplicativos independentes como o Instagram Instants, o Forum, voltado para comunidades e grupos, e o Seller, direcionado ao Marketplace. Para Zuckerberg, esse movimento representa apenas o começo de uma nova fase.
“Acredito que ficará muito mais fácil lançar novos apps. Por isso, estamos planejando desenvolver mais ideias e usar nossos sistemas de recomendação para escalá-las”, disse Zuckerberg durante a chamada com investidores.
Embora o CEO não tenha revelado quais serão os próximos aplicativos nem apresentado um cronograma oficial, ele indicou que novos produtos voltados ao consumidor já estão em desenvolvimento e deverão ser lançados em breve.
IA muda completamente a estratégia de desenvolvimento da Meta
A declaração de Zuckerberg representa uma mudança significativa na filosofia de criação de produtos da empresa. Durante muitos anos, a Meta tentou expandir seu ecossistema por meio de aplicativos independentes, mas acumulou uma série de projetos que nunca conseguiram conquistar uma base sólida de usuários.
Entre 2014 e 2015, a incubadora Creative Labs lançou diversas iniciativas experimentais. Aplicativos como Slingshot buscavam competir diretamente com concorrentes populares, enquanto outros projetos exploravam diferentes formatos de comunicação e compartilhamento de conteúdo. Apesar das expectativas, praticamente todos acabaram sendo encerrados após poucos meses.
Mais tarde, a companhia criou a divisão NPE (New Product Experimentation), dedicada justamente a testar novas ideias. Novamente surgiram diversos aplicativos, incluindo o Hotline e outras experiências sociais, mas a maior parte deles também foi descontinuada antes de alcançar adoção significativa.
Agora, segundo Zuckerberg, o cenário mudou porque a inteligência artificial reduziu drasticamente o custo e a complexidade envolvidos na criação, nos testes e na evolução de novos produtos. Em vez de depender exclusivamente de grandes equipes trabalhando durante meses, a Meta pode desenvolver protótipos com muito mais rapidez, testar funcionalidades e realizar melhorias em ciclos muito menores.
Essa velocidade pode representar uma vantagem importante em um mercado cada vez mais competitivo, onde novas tendências surgem rapidamente e o tempo de resposta pode definir o sucesso ou o fracasso de um aplicativo.
Grandes modelos de linguagem já fazem parte de toda a operação
A inteligência artificial, no entanto, não está presente apenas no desenvolvimento de novos aplicativos. Durante a apresentação aos investidores, a diretora financeira Susan Li explicou que os grandes modelos de linguagem passaram a integrar praticamente todas as áreas da empresa.
Segundo ela, cada Reel publicado e cada conteúdo exibido no Feed do Instagram são analisados automaticamente por modelos de IA capazes de compreender não apenas palavras-chave, mas também contexto, assunto, intenção e tom das publicações.
Essas informações ajudam os algoritmos a entender melhor o conteúdo disponível e, consequentemente, entregar recomendações mais relevantes para cada usuário.
“Primeiro, eles tornam nossos sistemas existentes mais inteligentes ao entender sobre o que o conteúdo realmente se trata e ao gerar dados de treinamento melhores. Segundo, agentes com LLMs também estão auxiliando no desenvolvimento de engenharia”, disse Susan Li aos investidores.
Além da personalização do conteúdo exibido nas plataformas da Meta, esses modelos passaram a desempenhar funções importantes dentro da própria empresa.
Segundo Li, agentes baseados em LLMs auxiliam equipes de engenharia em tarefas que antes consumiam muito tempo, como avaliar a qualidade do conteúdo, identificar tendências emergentes, validar mudanças nos algoritmos de classificação e até gerar conjuntos de dados mais precisos para o treinamento de sistemas de inteligência artificial.
Na prática, isso significa que a IA deixou de ser apenas um recurso presente nos produtos da Meta e passou a atuar também como uma ferramenta para construir esses próprios produtos.
Threads se torna o principal exemplo da nova estratégia
Para demonstrar que essa abordagem já apresenta resultados concretos, a Meta utilizou o Threads como principal exemplo durante a apresentação dos resultados financeiros.
O aplicativo alcançou recentemente a marca de 500 milhões de usuários ativos mensais e, segundo a companhia, parte desse crescimento está diretamente ligada aos sistemas de recomendação alimentados por inteligência artificial.
Ao compreender melhor os interesses individuais de cada usuário, os algoritmos conseguem apresentar conteúdos mais relevantes logo nas primeiras interações, aumentando o engajamento e incentivando o retorno frequente à plataforma.
A experiência adquirida com o Threads servirá agora como base para uma nova geração de aplicativos desenvolvidos pela empresa.
Segundo Zuckerberg, a Meta está construindo sistemas de recomendação nativos baseados em grandes modelos de linguagem, que poderão ser incorporados desde o lançamento de novos aplicativos. O objetivo é reduzir o tempo necessário para formar comunidades, aumentar o engajamento inicial e acelerar o crescimento de cada produto.
Essa estratégia também reforça uma mudança importante na visão da empresa sobre inteligência artificial. Em vez de enxergar os LLMs apenas como assistentes conversacionais, a Meta está utilizando esses modelos como infraestrutura para praticamente todas as etapas do desenvolvimento de software, desde a criação do código até a distribuição de conteúdo para milhões de usuários.
Embora ainda existam poucas informações sobre os próximos aplicativos da companhia, as declarações de Zuckerberg deixam claro que a Meta pretende transformar a IA em seu principal motor de inovação. Se a estratégia funcionar como a empresa espera, os próximos anos poderão marcar uma nova fase na forma como aplicativos são criados, testados e escalados dentro de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo.
