Linux 7.1 chega com novo driver NTFS, melhorias para Steam Deck OLED e grande limpeza no kernel

Renê Fraga
9 min de leitura
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Principais destaques

  • Linux 7.1 estreia um novo driver NTFS com suporte moderno para leitura e gravação de arquivos.
  • Atualização amplia o suporte a hardware recente, incluindo Apple Silicon, AMD Ryzen AI e Steam Deck OLED.
  • Mais de 140 mil linhas de código obsoleto foram removidas para tornar o kernel mais seguro e fácil de manter.

O Linux 7.1 foi oficialmente lançado e traz uma das atualizações mais interessantes dos últimos tempos para usuários da plataforma. A nova versão do kernel incorpora melhorias importantes em compatibilidade, desempenho, gerenciamento de energia, sistemas de arquivos e suporte a dispositivos modernos. Além disso, o projeto também realizou uma grande limpeza interna, removendo uma enorme quantidade de código legado que já não fazia sentido manter.

Como acontece em cada nova versão do kernel, muitas das mudanças não são visíveis imediatamente para o usuário comum. No entanto, elas ajudam a construir uma base mais sólida para distribuições futuras, melhorando estabilidade, segurança e suporte a equipamentos cada vez mais variados. Entre os destaques estão um novo driver NTFS, otimizações para processadores AMD e Intel, melhorias para computadores Apple Silicon e correções aguardadas há anos por usuários do Steam Deck OLED.

Novo driver NTFS pode mudar a forma como Linux acessa discos do Windows

O suporte ao sistema de arquivos NTFS sempre foi uma necessidade importante para quem utiliza Linux e Windows no mesmo computador. Embora o kernel já oferecesse diferentes alternativas ao longo dos anos, algumas delas apresentavam limitações de desempenho, manutenção ou compatibilidade.

No Linux 7.1 surge uma nova opção desenvolvida por Namjae Jeon, conhecido por seu trabalho com o driver exFAT. O novo driver NTFS foi reconstruído a partir da implementação clássica do kernel e recebeu suporte para gravação de dados, operações modernas baseadas em iomap e ferramentas que auxiliam na recuperação de unidades corrompidas.

Atualmente o driver NTFS3 continua sendo o padrão da plataforma, mas especialistas acreditam que a nova solução pode se tornar a principal opção no futuro caso sua evolução continue no ritmo esperado. Para usuários que utilizam dual boot ou trabalham frequentemente com HDs e SSDs formatados em NTFS, a novidade representa um avanço importante em compatibilidade e confiabilidade.

Além do NTFS, outros sistemas de arquivos também receberam atenção. O exFAT ganhou mecanismos para reduzir fragmentação em dispositivos de armazenamento, enquanto o EXT4 recebeu diversas melhorias internas que preparam o terreno para futuras otimizações de desempenho. Já o Btrfs continua amadurecendo e recebeu novos aprimoramentos relacionados à estabilidade de suas operações.

AMD, Intel e Apple Silicon recebem melhorias importantes

Uma das áreas mais beneficiadas pelo Linux 7.1 é o suporte ao hardware moderno. Usuários de processadores AMD ganham um novo recurso de gerenciamento energético chamado Dynamic EPP. Na prática, ele permite que o sistema altere automaticamente o perfil de desempenho dependendo de o equipamento estar conectado à tomada ou funcionando apenas na bateria.

Isso significa que notebooks poderão entregar mais potência quando conectados à energia elétrica e reduzir o consumo quando estiverem operando de forma portátil, tudo de maneira automática. A novidade busca melhorar a autonomia sem sacrificar a experiência de uso.

A atualização também amplia os recursos para os processadores Ryzen AI. O driver AMDXDNA passa a fornecer informações mais detalhadas sobre o consumo energético e utilização da memória das NPUs, os aceleradores dedicados a tarefas de inteligência artificial presentes nos chips mais recentes da empresa.

No lado da Intel, o Linux 7.1 ativa por padrão a tecnologia FRED, sigla para Flexible Return and Event Delivery. Embora pouco conhecida pelos usuários, essa tecnologia melhora a forma como o sistema operacional interage com eventos internos do processador, reduzindo parte da sobrecarga existente em determinadas operações.

Os ganhos podem parecer modestos no uso cotidiano, mas em aplicações mais exigentes, como produção de áudio profissional, os testes apontam melhorias de desempenho que podem chegar a vários pontos percentuais.

Outra evolução importante acontece no suporte aos Macs equipados com processadores Apple Silicon. O kernel agora inclui recursos para monitoramento detalhado da bateria, exibindo informações como temperatura, corrente elétrica, estado de carregamento e saúde da bateria. Essas informações são fundamentais para melhorar a experiência de uso do Linux em computadores da Apple e aproximam ainda mais o projeto da utilização diária em máquinas da empresa.

Steam Deck OLED, placas gráficas e dispositivos ganham mais suporte

Os jogadores também têm motivos para comemorar. Uma das correções mais aguardadas finalmente chegou ao kernel principal: o problema de áudio presente no Steam Deck OLED foi solucionado. A mudança beneficia principalmente quem utiliza distribuições Linux alternativas em vez da versão personalizada utilizada pela Valve.

O suporte a dispositivos também foi ampliado em diversas áreas. Novos drivers foram adicionados para notebooks Lenovo Yoga, Legion, Flex e IdeaPad, permitindo melhor controle de ventoinhas e monitoramento de hardware. Os controles dos consoles portáteis Legion Go e Legion Go S também passam a contar com recursos avançados como vibração, iluminação e configurações adicionais.

Na área gráfica, placas AMD mais antigas continuam recebendo atenção especial. Alguns processadores da linha A-Series e E-Series lançados há mais de uma década agora podem aproveitar melhor os recursos do driver moderno amdgpu, incluindo compatibilidade mais ampla com tecnologias atuais. Isso demonstra como o ecossistema Linux continua estendendo a vida útil de equipamentos considerados ultrapassados por muitos fabricantes.

As GPUs Intel também receberam melhorias importantes. O driver Xe ganha mecanismos para gerenciamento mais eficiente da memória de vídeo, reduzindo a possibilidade de travamentos ou falhas em cenários de alta utilização gráfica.

Além disso, diversos dispositivos de áudio, teclados retroiluminados, controladores de jogos, sensores de placas-mãe e acessórios especializados receberam novos drivers ou correções de compatibilidade nesta versão do kernel.

Mais segurança e menos código antigo

Um dos números que mais chamam atenção no Linux 7.1 é a remoção de mais de 140 mil linhas de código. A decisão faz parte de um esforço contínuo para eliminar componentes antigos que já não possuem usuários ativos ou manutenção adequada.

Entre os recursos removidos estão tecnologias de rede extremamente antigas, protocolos pouco utilizados e drivers para hardware praticamente inexistente nos computadores modernos. Segundo os desenvolvedores, manter esse código gerava trabalho desnecessário e aumentava a superfície de ataque do sistema.

A medida também ajuda a reduzir o volume de relatórios de vulnerabilidades produzidos por ferramentas automatizadas de inteligência artificial. Muitos desses relatórios apontavam possíveis falhas em componentes abandonados, obrigando mantenedores a gastar tempo analisando problemas em tecnologias que quase ninguém utilizava.

Outro passo importante é o início da aposentadoria do suporte aos antigos processadores Intel 486. Embora o suporte ainda exista parcialmente, algumas opções de configuração já foram removidas, indicando que o encerramento definitivo está cada vez mais próximo.

Na área de segurança, o Linux 7.1 endurece o acesso à memória de processos em execução. Antes, aplicações com privilégios suficientes podiam visualizar ou modificar a memória de outros programas de maneira relativamente simples. Agora, será necessário existir uma relação ativa de depuração entre os processos, reduzindo potenciais riscos de abuso.

Com essa combinação de novos recursos, suporte ampliado a hardware moderno, melhorias de desempenho e uma grande limpeza estrutural, o Linux 7.1 representa mais um passo importante na evolução do sistema operacional mais utilizado em servidores, supercomputadores e dispositivos embarcados em todo o mundo. A atualização também servirá como base para futuras distribuições Linux que chegarão ao mercado nos próximos meses.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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