Principais destaques
- Chatbot Grok, da xAI, indicou 28 de fevereiro como possível data de ataque três dias antes do ocorrido
- Teste comparou quatro sistemas de inteligência artificial respondendo à mesma pergunta
- Especialistas apontam que a previsão pode ter sido resultado de análise de sinais públicos e não de “previsão do futuro”
Experimento com quatro IAs levantou a mesma pergunta
Um teste realizado pelo jornal Jerusalem Post colocou quatro sistemas de inteligência artificial diante de uma pergunta delicada: quando os Estados Unidos atacariam o Irã. A experiência foi publicada em 25 de fevereiro e reuniu os modelos Grok, da xAI, Claude, da Anthropic, Gemini, do Google, e ChatGPT, da OpenAI.
Entre todos, apenas o Grok apontou uma data que coincidiria com o que aconteceria dias depois. A resposta indicava “um ataque limitado dos Estados Unidos em 28 de fevereiro de 2026”, relacionando a ação ao resultado das negociações diplomáticas que estavam ocorrendo em Genebra.
Quando os pesquisadores repetiram a pergunta utilizando um modo beta mais recente do Grok, o sistema reconheceu que havia incertezas. Mesmo assim, manteve exatamente a mesma data mencionada anteriormente.
Outros modelos sugeriram janelas diferentes
Os demais sistemas apresentaram respostas mais cautelosas ou datas distintas.
O Claude, da Anthropic, inicialmente evitou indicar um dia específico. Após nova tentativa, sugeriu que um possível ataque poderia acontecer entre 7 e 8 de março.
O Gemini, do Google, indicou um período provável entre a noite de 4 de março e 6 de março. Já o ChatGPT respondeu primeiro que a ação poderia ocorrer em 1º de março, mas depois revisou a estimativa para 3 de março ao fazer uma análise mais aprofundada do cenário.
Quando os ataques começaram, o empresário Elon Musk, fundador da xAI, comentou o episódio na rede social X afirmando que “prever o futuro é a melhor medida de inteligência”, comentário que rapidamente viralizou junto com capturas de tela da resposta do Grok.
Ataques ocorreram em 28 de fevereiro e provocaram escalada
Os bombardeios começaram por volta das 9h45 no horário local do Irã, no sábado, 28 de fevereiro. Israel iniciou a ofensiva com uma operação militar chamada Leão Rugidor, seguida pelos Estados Unidos na chamada Operação Fúria Épica.
O presidente Donald Trump anunciou em vídeo que o país havia iniciado “grandes operações de combate” com o objetivo de destruir sistemas de mísseis iranianos. Explosões foram registradas em diversas cidades, incluindo Teerã, Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah.
Relatos de agências internacionais indicaram que o líder supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, teria sido morto durante os ataques. Em resposta, o Irã lançou ações de retaliação contra Israel e contra instalações militares americanas no Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Catar.
Especialistas dizem que não foi “previsão do futuro”
O próprio Jerusalem Post destacou que o experimento não pretendia transformar a inteligência artificial em um oráculo geopolítico. A ideia era observar como os modelos reagiriam quando pressionados a dar respostas mais específicas.
Segundo a análise do jornal, o Grok provavelmente se baseou em sinais já disponíveis publicamente. Entre eles estavam as negociações diplomáticas em Genebra, declarações de Donald Trump estabelecendo um prazo de 10 a 15 dias a partir de 19 de fevereiro e o aumento da presença militar na região.
Quanto mais os sistemas eram incentivados a responder de forma direta, mais precisas ficavam as estimativas, mesmo sem novas informações concretas surgirem no cenário internacional.
Por isso, especialistas afirmam que o acerto pode ter sido resultado de uma boa leitura de contexto ou simplesmente coincidência estatística.
