Servidores de IA da Apple operam ociosos com apenas 10% da capacidade, aponta relatório

Renê Fraga
5 min de leitura
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Principais destaques

  • Infraestrutura de IA em nuvem da Apple estaria usando apenas cerca de 10% da capacidade disponível.
  • Parte dos servidores fabricados permanece armazenada sem uso enquanto a demanda por Apple Intelligence cresce menos que o esperado.
  • A empresa negocia usar data centers do Google para rodar a próxima geração da Siri.

A Apple investiu pesado para criar uma infraestrutura própria de computação em nuvem voltada para inteligência artificial, mas um novo relatório indica que grande parte desse sistema está longe de atingir seu potencial.

Segundo informações divulgadas pelo site The Information, os servidores desenvolvidos para suportar o Apple Intelligence operam atualmente com apenas uma pequena fração de sua capacidade total.

Essa estrutura faz parte do Private Cloud Compute, uma arquitetura pensada para processar tarefas de IA mais complexas que não podem ser executadas diretamente em iPhones, iPads ou Macs.

Apesar da ambição do projeto, o uso real da infraestrutura estaria em torno de 10% da capacidade média, deixando equipamentos parados em depósitos e levantando questionamentos internos sobre o retorno do investimento.

Infraestrutura fragmentada gera ineficiências

O relatório aponta que o problema não se resume apenas à baixa demanda. A própria organização interna da infraestrutura também contribui para a subutilização.

Diferentes equipes da empresa operam suas tecnologias de forma relativamente isolada, em vez de compartilhar um sistema centralizado de nuvem. Na prática, isso significa que algumas áreas podem enfrentar falta de recursos enquanto outras mantêm servidores praticamente sem uso.

Esse cenário teria causado frustração dentro da área financeira da empresa, especialmente devido aos custos elevados para manter estruturas duplicadas.

Ao longo da última década, diversas tentativas de unificar os sistemas de nuvem da companhia teriam sido iniciadas, mas nenhuma delas conseguiu avançar de forma definitiva.

Hardware ainda limitado para modelos de IA avançados

Outro fator citado no relatório envolve a capacidade técnica da infraestrutura atual.

Os servidores do Private Cloud Compute seriam baseados em versões modificadas do chip M2 Ultra, processadores poderosos para tarefas tradicionais, mas ainda limitados para executar modelos de linguagem de última geração.

Modelos modernos de IA generativa, como os utilizados em chatbots avançados, exigem arquiteturas altamente otimizadas para inferência em larga escala.

Nesse contexto, o hardware atual da Apple pode não oferecer o desempenho necessário para competir diretamente com plataformas já consolidadas.

Além disso, as atualizações de software da infraestrutura são descritas como lentas e complexas, o que dificulta a adaptação rápida às mudanças no cenário de inteligência artificial.

Google surge como solução para a nova Siri

Diante dessas limitações, a Apple estaria considerando uma mudança importante em sua estratégia. Segundo o relatório, a empresa negocia utilizar a infraestrutura de nuvem do Google para hospedar a próxima geração da Siri.

A assistente virtual passaria por uma transformação profunda, evoluindo para um chatbot completo integrado aos sistemas do iPhone, iPad e Mac. Esse projeto interno teria o codinome Campos.

A expectativa é que essa nova versão da Siri seja lançada junto ao iOS 27, acompanhada de um novo framework para desenvolvedores chamado Core AI. A ferramenta substituiria o atual Core ML e permitiria integrar recursos de inteligência artificial mais avançados aos aplicativos.

Mesmo assim, a Apple não abandonou completamente seus planos de infraestrutura própria. A empresa já estaria testando servidores baseados no chip M5 e planeja lançar processadores dedicados para servidores de IA a partir do segundo semestre de 2026.

Data centers específicos para esse tipo de tecnologia podem começar a operar em 2027.

Por enquanto, porém, o cenário revela um contraste claro entre a ambição da Apple no campo da inteligência artificial e a realidade de sua infraestrutura atual.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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