OpenAI lança GPT-5.4, seu primeiro modelo com capacidades nativas de uso de computador

Renê Fraga
5 min de leitura

Principais destaques

  • Novo modelo GPT-5.4 traz capacidade nativa de usar computador e trabalhar entre múltiplos aplicativos
  • OpenAI anuncia três versões do modelo e destaca ganhos em produtividade profissional
  • Empresa ultrapassa US$ 25 bilhões em receita anualizada em meio à disputa com a Anthropic

A OpenAI apresentou o GPT-5.4, um novo modelo de inteligência artificial que marca um passo importante na estratégia da empresa para o mercado corporativo. Segundo a companhia, trata-se do seu modelo de fronteira mais avançado e eficiente voltado para tarefas profissionais.

O lançamento chega em três versões diferentes. A edição padrão atende a aplicações gerais. O GPT-5.4 Thinking foi projetado para tarefas que exigem raciocínio mais profundo. Já o GPT-5.4 Pro foca em desempenho elevado para fluxos de trabalho mais exigentes.

A novidade mais relevante é a capacidade nativa de uso de computador, algo que permite ao modelo operar entre diferentes aplicativos e executar tarefas complexas em sequência.

IA cada vez mais integrada ao trabalho

O GPT-5.4 foi desenvolvido com foco claro em produtividade corporativa. De acordo com a OpenAI, o modelo é capaz de criar apresentações com visual mais elaborado, além de utilizar ferramentas de geração de imagens com maior eficiência.

A empresa afirma que o modelo alcançou 83% no teste GDPval, uma avaliação interna voltada para tarefas de conhecimento profissional. Também registrou resultados recordes em benchmarks como OSWorld Verified e WebArena Verified, que medem habilidades de uso de computador.

Outro destaque veio no benchmark APEX-Agents, utilizado para avaliar competências profissionais em áreas como direito e finanças. Segundo especialistas do setor, o modelo se mostra especialmente forte na criação de entregas complexas como apresentações estratégicas, análises jurídicas e modelos financeiros.

Contexto maior e menos erros nas respostas

Outra evolução importante está na infraestrutura técnica. A nova versão da API suporta janelas de contexto de até um milhão de tokens, a maior já oferecida pela OpenAI.

Isso permite que o modelo processe volumes muito maiores de informação em uma única interação. Na prática, a IA consegue analisar documentos extensos, bases de dados e projetos inteiros com mais consistência.

A OpenAI também introduziu um sistema chamado busca de ferramentas. Em vez de carregar todas as ferramentas no prompt, o modelo pode buscá-las sob demanda, o que reduz custos para desenvolvedores que trabalham com ambientes complexos.

Em termos de precisão, a empresa afirma que o GPT-5.4 apresenta 33% menos erros em afirmações individuais e reduz em 18% a chance de gerar respostas com qualquer tipo de erro quando comparado ao GPT-5.2.

Crescimento acelerado e disputa com a Anthropic

O lançamento acontece em um momento de forte expansão financeira da OpenAI. A empresa ultrapassou US$ 25 bilhões em receita anualizada no início de 2026, crescimento significativo em relação aos cerca de US$ 21 bilhões registrados no final de 2025.

As projeções internas indicam que a companhia pode superar US$ 280 bilhões em receita até 2030. Esse crescimento alimenta rumores de uma possível abertura de capital que poderia avaliar a empresa em até US$ 1 trilhão.

Ao mesmo tempo, a competição no setor de inteligência artificial está cada vez mais intensa. A Anthropic vem disputando diretamente o mercado corporativo, lançando modelos avançados e ampliando parcerias estratégicas.

No ano passado, por exemplo, a Microsoft incorporou modelos da Anthropic ao Copilot 365 após testes indicarem desempenho superior em tarefas como criação de planilhas e apresentações. O GPT-5.4 surge justamente para reforçar a posição da OpenAI nesse tipo de aplicação.

O desafio de transformar IA em vendas

Apesar dos avanços tecnológicos, a OpenAI ainda enfrenta desafios em transformar o uso de IA em receita no comércio eletrônico.

Pesquisadores da Universidade de Hamburgo e da Frankfurt School of Finance and Management descobriram que o tráfego gerado pelo ChatGPT converte menos em compras quando comparado a canais tradicionais. Links de afiliados, por exemplo, têm 86% mais probabilidade de resultar em uma venda.

Dados internos da própria OpenAI mostram que apenas 2,1% das conversas no ChatGPT envolvem produtos que podem ser comprados.

Mesmo com recursos recentes de finalização instantânea de compra em parceria com plataformas de comércio eletrônico, pesquisadores afirmam que a confiança do usuário ainda é um obstáculo importante.

Em geral, as pessoas usam o ChatGPT para pesquisar e comparar informações, mas recorrem a outras fontes antes de concluir a compra.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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