Disney e Paramount partem para ofensiva contra IA chinesa por uso indevido de personagens

Renê Fraga
3 min de leitura

Principais destaques

  • Disney acusa a ByteDance de usar personagens famosos sem autorização na ferramenta de IA Seedance 2.0
  • Paramount e Motion Picture Association reforçam críticas e falam em violação em larga escala
  • Empresa chinesa diz que respeita direitos autorais e promete reforçar mecanismos de proteção

A disputa entre Hollywood e as plataformas de inteligência artificial ganhou um novo capítulo.

A The Walt Disney Company enviou uma notificação extrajudicial à ByteDance, alegando uso indevido de personagens protegidos por direitos autorais na ferramenta de geração de vídeos por IA Seedance 2.0.

A ação marca a postura mais dura de um grande estúdio contra a empresa chinesa desde o lançamento público da tecnologia.

Segundo a carta, a plataforma teria disponibilizado personagens icônicos como Homem-Aranha, Darth Vader, Grogu e Peter Griffin em vídeos criados por usuários, sem qualquer autorização formal.

A Disney classifica a prática como um uso deliberado e amplo de sua propriedade intelectual.

Hollywood reage em bloco

A ofensiva não ficou restrita à Disney. A Paramount também enviou sua própria notificação, acusando a Seedance de explorar personagens de franquias como Star Trek, South Park, Dora a Aventureira e O Poderoso Chefão.

A Motion Picture Association também se posicionou publicamente. O CEO Charles Rivkin afirmou que a ferramenta teria feito uso não autorizado de obras protegidas em escala massiva logo nos primeiros dias de operação.

A reação coordenada reforça a preocupação crescente da indústria com o avanço de ferramentas generativas que utilizam conteúdos protegidos.

ByteDance promete reforçar proteções

Em resposta, a ByteDance declarou que reconhece a importância dos direitos de propriedade intelectual e que está adotando medidas para impedir o uso indevido de imagens e personagens protegidos por usuários da plataforma.

A empresa não comentou diretamente as acusações específicas feitas pelos estúdios.

O caso reacende o debate sobre os limites da inteligência artificial generativa e o uso de obras protegidas no treinamento e na criação de conteúdo.

Estratégias diferentes no jogo da IA

Curiosamente, a postura firme da Disney diante da ByteDance contrasta com sua relação com a OpenAI.

Em dezembro, a empresa firmou um acordo de licenciamento de três anos e investiu US$ 1 bilhão para permitir que a ferramenta Sora utilizasse oficialmente mais de 200 personagens da Disney, Marvel, Pixar e Star Wars.

A companhia também já tomou medidas contra outras plataformas de IA, como a Character.AI, além de ter iniciado disputas envolvendo o Google e a Midjourney.

Especialistas avaliam que esse pode ser apenas o início de uma série de embates judiciais entre estúdios e empresas de tecnologia, em um cenário onde criatividade automatizada e direitos autorais colidem cada vez com mais frequência.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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