Principais destaques
- Rastreamento restaurado: a OpenAI confirmou que uma falha provocava a perda de identificadores nos links, segundo um executivo da Adobe.
- Tráfego voltou a aparecer: em 15 de outubro, os cliques identificados do ChatGPT já estavam entre 95% e 100% do nível registrado uma semana antes, segundo Cedric Huesler.
- Impacto no Google Analytics: parte das visitas foi contabilizada como tráfego direto, dificultando a medição da audiência gerada pela inteligência artificial.
Quem acompanha o tráfego de um site sabe como é frustrante ver uma fonte de audiência desaparecer de um dia para o outro. Mas, neste caso, os visitantes não necessariamente foram embora. O que sumiu foi a identificação de sua origem.
Uma falha no ChatGPT deixou de incluir parâmetros de rastreamento em links, fazendo com que ferramentas de análise confundissem parte das visitas encaminhadas pela plataforma com acessos diretos. O problema começou a ser corrigido em 15 de outubro, segundo Cedric Huesler, diretor sênior de gerenciamento de produto da Adobe.
🔎 O tráfego não desapareceu. A identificação, sim.
Huesler afirmou que a OpenAI confirmou a existência do bug em 14 de outubro. Na manhã seguinte, a correção começou a ser distribuída.
O executivo acompanhou milhares de domínios e relatou que, às 9h no horário do Pacífico de 15 de outubro, os cliques identificados vindos do ChatGPT já haviam retornado a aproximadamente 95% a 100% do patamar observado uma semana antes.
O detalhe importante está na palavra identificados. A recuperação dos parâmetros de rastreamento não significa necessariamente que o volume total de visitas tenha aumentado na mesma proporção. Parte delas já poderia estar chegando aos sites, mas aparecendo na categoria errada dos relatórios.
💡 O efeito prático: um site podia continuar recebendo visitantes do ChatGPT enquanto seus relatórios indicavam uma queda expressiva nessa fonte de tráfego.
⚙️ O que deu errado nos links do ChatGPT?
O problema apareceu após o lançamento do GPT-6, que chegou aos planos pagos em 7 de outubro e aos usuários dos planos Free e Go em 8 de outubro.
Segundo Huesler, os links eram abertos com a configuração de navegador noopener,noreferrer, sem preservar adequadamente as informações necessárias para identificar a origem das visitas. O parâmetro utm_source=chatgpt.com também deixava de aparecer em determinados links.
Na prática, isso prejudicava duas formas comuns de atribuição:
- Parâmetros UTM: identificam a origem de uma visita, permitindo que ferramentas analíticas reconheçam o ChatGPT como fonte.
- Referenciador HTTP: informa ao site de destino a página de origem da navegação, quando essa informação é transmitida pelo navegador.
Sem esses sinais, o Google Analytics 4 pode classificar a sessão como tráfego direto, categoria que também pode incluir acessos digitados manualmente, favoritos e outras visitas cuja origem não foi identificada.
A consequência é um relatório que não representa fielmente o caminho percorrido pelo visitante.
📉 Os números revelam o tamanho da distorção
Os dados levantados por Huesler ajudam a dimensionar o problema. Em uma análise de aproximadamente 500 páginas nas quais o ChatGPT respondia por pelo menos 5% das visitas, o período de 9 a 13 de outubro foi comparado com a semana anterior.
| Indicador observado | Variação aproximada |
|---|---|
| Visitas atribuídas ao ChatGPT | 31 mil a menos por dia |
| Visitas classificadas como diretas | 26 mil a mais por dia |
| Participação de links com UTM nas respostas com citações, segundo a Profound | De 98% em 8/10 para 66% em 14/10 |
Os números não significam que cada visita perdida na categoria ChatGPT tenha sido transferida diretamente para o tráfego direto. São indicadores agregados, obtidos em análises diferentes, mas que apontam para a mesma hipótese: parte da queda era um problema de atribuição, não necessariamente de audiência.
📊 Outro sinal de alerta: Ethan Smith, CEO da Graphite, informou que as sessões atribuídas ao ChatGPT caíram entre 22% e 57% nos sites monitorados pela empresa.
Smith também relatou que 95% das visitas de dispositivos móveis provenientes do ChatGPT eram identificadas apenas pelo parâmetro de rastreamento. Isso ajuda a explicar por que a ausência da UTM poderia produzir uma distorção tão significativa nos relatórios.
🧩 A nova interface do ChatGPT também entrou na discussão
A empresa de análise Profound associou a redução dos parâmetros de rastreamento à Intelligent UI, o novo formato de respostas do ChatGPT.
Entre as respostas com citações coletadas pela empresa, a proporção que continha pelo menos um link identificado por UTM caiu de aproximadamente 98% em 8 de outubro para 66% em 14 de outubro.
Essa observação é relevante porque mostra que a falha não era necessariamente percebida apenas ao analisar o tráfego recebido. Ela também podia ser detectada examinando os próprios links apresentados nas respostas da inteligência artificial.
Ainda assim, os dados disponíveis não demonstram que a Intelligent UI tenha sido a causa técnica definitiva do bug. A associação feita pela Profound é uma pista sobre o contexto em que a mudança ocorreu, não uma confirmação independente da origem do problema.
🚨 A correção não recupera o histórico perdido
Mesmo com a restauração do rastreamento, existe um problema para quem precisa fechar relatórios de outubro.
As visitas que já foram registradas como tráfego direto não são automaticamente reclassificadas como provenientes do ChatGPT. A correção ajuda a identificar os acessos futuros, mas não reescreve retroativamente os dados armazenados pelas ferramentas de análise.
Para equipes de SEO, conteúdo e marketing digital, a recomendação é tratar o período afetado com cautela.
1️⃣ Marque o intervalo: sinalize de 8 a 15 de outubro nos relatórios para evitar comparações sem contexto.
2️⃣ Compare os canais: examine a queda do tráfego atribuído ao ChatGPT em conjunto com o aumento do tráfego direto.
3️⃣ Verifique a recuperação: acompanhe se os links voltaram a incluir utm_source=chatgpt.com e se a tendência se mantém nos dias seguintes.
4️⃣ Separe os indicadores: diferencie o volume total de sessões da parcela cuja origem foi identificada com segurança.
Essa distinção será cada vez mais importante à medida que mecanismos de busca e assistentes de IA se tornam fontes relevantes de descoberta de conteúdo.
🤔 Ainda faltam respostas oficiais
Apesar da confirmação relatada por Huesler, a OpenAI não havia publicado um comunicado específico sobre o problema no período descrito. As notas de versão do ChatGPT entre 1º e 15 de outubro também não mencionavam a falha de rastreamento.
A Profound afirmou não ter encontrado um anúncio oficial sobre a correção, enquanto o consultor de SEO Glenn Gabe relatou que ainda não observava a mudança em algumas contas gratuitas e pagas.
Esses relatos indicam que a recuperação poderia não estar uniforme em todos os ambientes ou que os efeitos da correção ainda precisavam ser verificados de maneira independente.
🔍 O que observar agora: a tendência dos próximos dias deve ajudar a separar três fenômenos diferentes: a recuperação do rastreamento, as oscilações reais de audiência e eventuais mudanças na forma como o ChatGPT apresenta ou abre links.
Para quem administra sites, a lição é simples: uma queda brusca em uma fonte de tráfego não significa necessariamente que o público desapareceu. Às vezes, os visitantes continuam chegando, mas os dados deixam de contar a história certa.
