ChatGPT concentra mais de 92% do tráfego gerado por inteligência artificial e redefine as estratégias de SEO, revela estudo

Renê Fraga
13 min de leitura

Principais destaques

  • Um levantamento com 6,77 milhões de sessões mostra que o ChatGPT é responsável por 92,4% do tráfego de referência enviado por plataformas de inteligência artificial.
  • Claude ultrapassou o Perplexity pela primeira vez e se consolida como o concorrente que mais cresce no mercado corporativo.
  • O estudo aponta que páginas de produtos, sistemas de busca interna e informações estruturadas passam a ser fatores decisivos para conquistar visibilidade na nova era da pesquisa por IA.

Durante boa parte de 2025, a disputa entre os principais modelos de inteligência artificial parecia bastante equilibrada.

O Perplexity era frequentemente apontado como a plataforma mais preparada para desafiar os mecanismos de busca tradicionais, enquanto o Copilot surgia como a grande aposta para dominar o ambiente corporativo graças à integração com os serviços da Microsoft. Ao mesmo tempo, Gemini buscava aproveitar o enorme alcance do ecossistema Google, e Claude ainda era visto como uma solução voltada principalmente para usuários mais técnicos.

No entanto, um novo levantamento mostra que o cenário evoluiu de forma muito diferente do que o mercado imaginava. Em vez de uma divisão equilibrada entre diversas plataformas, a indústria caminha para uma concentração sem precedentes em torno do ChatGPT.

O terceiro AI Traffic Study, desenvolvido pela Previsible, analisou o comportamento de 6,77 milhões de sessões provenientes de grandes modelos de linguagem entre novembro de 2024 e maio de 2026. Os dados revelam que o volume de acessos enviados por essas plataformas cresceu quase dez vezes em apenas 19 meses, alcançando 644.478 sessões mensais no período mais recente analisado.

O número mais impressionante do relatório, porém, é outro: 92,4% de todo esse tráfego teve origem no ChatGPT. Isso significa que, quando um usuário recebe uma recomendação de um chatbot e visita um site, a probabilidade de essa indicação ter vindo da plataforma da OpenAI é extremamente alta.

Segundo os autores do estudo, isso muda completamente a forma como empresas, profissionais de marketing e especialistas em SEO devem pensar suas estratégias de visibilidade para inteligência artificial.

O crescimento acelerado passou por uma queda inesperada, mas voltou ainda mais forte

Os dados também ajudam a explicar um fenômeno que chamou atenção da indústria durante o segundo semestre de 2025.

Na época, muitos especialistas acreditavam que o crescimento do tráfego vindo de plataformas de IA havia chegado ao limite. Depois de meses consecutivos de expansão, diversos sites registraram uma queda brusca nas visitas originadas por chatbots, levantando dúvidas sobre o futuro desse novo canal de descoberta.

Entretanto, a pesquisa mostra que aquela redução foi apenas temporária.

As sessões cresceram de 65.249 em novembro de 2024 para 396.278 em agosto de 2025. Em seguida, houve uma forte retração durante novembro daquele ano, quando o volume caiu praticamente pela metade. Poucas semanas depois, entretanto, os números voltaram a subir rapidamente, alcançando 428.203 sessões em fevereiro de 2026 e chegando ao recorde de 644.478 em maio.

O estudo aponta que essa queda não foi resultado de uma redução no interesse dos usuários pela inteligência artificial. A principal explicação está nas mudanças realizadas pelo próprio ChatGPT.

Naquele período, atualizações internas alteraram a forma como o modelo escolhia suas fontes de informação e distribuía links externos. Em alguns momentos, o sistema passou a priorizar conteúdos da Wikipédia e do Reddit, reduzindo significativamente as recomendações para diversos sites independentes.

Esse comportamento evidencia uma característica importante do novo ecossistema digital. Diferentemente do SEO tradicional, em que mudanças costumam ocorrer de forma gradual, pequenas alterações feitas por uma única plataforma de IA podem reduzir ou aumentar drasticamente o tráfego de milhares de empresas praticamente da noite para o dia.

Para organizações que começam a depender desse canal de aquisição de visitantes, acompanhar essas mudanças passa a ser uma necessidade estratégica.

O mercado deixou de ser uma disputa equilibrada

Quando a edição anterior do estudo foi publicada, em dezembro de 2025, o cenário parecia muito mais competitivo.

Naquele momento, o ChatGPT concentrava cerca de 84% do tráfego analisado. O restante era dividido entre Perplexity, Gemini, Copilot e Claude.

Apenas seis meses depois, essa distribuição mudou de forma significativa.

O ChatGPT ampliou ainda mais sua liderança e passou a responder por 92,4% das visitas identificadas no levantamento. Em outras palavras, praticamente todo o tráfego relevante enviado por plataformas independentes de inteligência artificial está concentrado em um único produto.

Segundo os pesquisadores, isso significa que falar apenas em “otimização para IA” pode ser um conceito amplo demais. Na prática, empresas que desejam aumentar sua presença nesse novo ambiente precisam, antes de qualquer coisa, entender como o ChatGPT encontra, interpreta e recomenda conteúdos.

Os autores também fazem uma ressalva importante. O levantamento considera apenas plataformas independentes de IA. Recursos como o AI Overviews do Google provavelmente geram um volume ainda maior de descobertas, mas funcionam de maneira diferente e, por isso, não foram incluídos na análise.

Claude surpreende enquanto antigos favoritos perdem força

Se o topo do mercado permaneceu praticamente inalterado, a disputa entre os concorrentes apresentou mudanças importantes.

O principal destaque foi o Claude.

A plataforma cresceu impressionantes 64 vezes durante o período analisado. Em novembro de 2024 eram registradas apenas 133 sessões mensais. Em maio de 2026 esse número já ultrapassava 8.500.

Mais importante do que o crescimento absoluto foi a mudança de posição no mercado. Em março de 2026, Claude ultrapassou o Perplexity pela primeira vez e manteve essa vantagem nos meses seguintes.

Segundo o relatório, a evolução está diretamente relacionada ao lançamento de ferramentas voltadas para agentes inteligentes, automações e integrações corporativas, tornando o modelo cada vez mais presente em ambientes empresariais.

Para empresas que atuam com tecnologia, software, serviços profissionais e desenvolvimento, essa mudança representa uma oportunidade interessante de posicionamento enquanto a concorrência ainda é relativamente pequena.

Gemini cresce de forma silenciosa e consistente

Outro caso que chama atenção é o Gemini.

Embora apareça atrás do ChatGPT em volume de tráfego, seu crescimento ocorreu de maneira bastante estável, praticamente sem oscilações relevantes ao longo do período analisado.

Os pesquisadores acreditam que o impacto real do Gemini pode ser ainda maior do que os números sugerem. Isso acontece porque muitas das interações acontecem diretamente dentro do Android, do Google Workspace e de outros serviços da empresa, ambientes onde o usuário frequentemente obtém respostas sem necessariamente visitar sites externos.

Na prática, isso significa que parte da influência do Gemini permanece invisível nas ferramentas tradicionais de análise de tráfego.

Perplexity e Copilot perderam protagonismo

Enquanto Claude ganhou espaço, duas plataformas seguiram o caminho oposto.

O Perplexity, que chegou a ser considerado um dos maiores candidatos a transformar a pesquisa na internet, registrou queda de aproximadamente 61% desde seu pico de utilização em março de 2025.

Já o Copilot apresentou um desempenho ainda mais preocupante. Depois de atingir mais de 8.600 sessões mensais em agosto de 2025, caiu para apenas algumas centenas de visitas no período mais recente analisado, uma retração próxima de 96%.

Segundo os autores, isso não significa necessariamente que essas plataformas perderam usuários. A explicação mais provável é que ambas passaram a manter as pessoas dentro de seus próprios ambientes, oferecendo respostas completas sem necessidade de direcionar o usuário para sites externos.

Essa mudança reduz significativamente o potencial dessas plataformas como fontes de aquisição de tráfego.

A maior descoberta está nas páginas que recebem os visitantes

Talvez a conclusão mais interessante do estudo esteja relacionada ao comportamento dos usuários depois que eles clicam em uma recomendação feita por inteligência artificial.

Quase 29% do tráfego enviado pelo ChatGPT chega primeiro às páginas de busca interna dos próprios sites.

Isso sugere que o modelo consegue identificar qual domínio possui autoridade sobre determinado assunto, mas ainda encontra dificuldades para escolher exatamente qual página oferece a melhor resposta para cada pergunta.

Em vez de selecionar um artigo específico, o sistema envia o usuário para a busca interna do site, permitindo que ele refine sua pesquisa.

Esse comportamento foi observado em diversos setores diferentes, indicando que se trata de uma característica estrutural da forma como os modelos atuais recuperam informações.

Na prática, isso transforma uma ferramenta tradicionalmente vista apenas como navegação em um importante canal de aquisição de novos visitantes.

Empresas que investirem em mecanismos de busca internos rápidos, precisos e capazes de compreender linguagem natural poderão converter melhor esse público altamente qualificado.

Cada segmento apresenta um comportamento diferente

O relatório também identificou padrões específicos para diferentes setores da economia.

No comércio eletrônico, aproximadamente 43% das visitas geradas por IA chegam diretamente às páginas de produtos, indicando que muitos usuários já iniciam a navegação com forte intenção de compra.

No setor de educação, mais da metade dos acessos vai diretamente para páginas de cursos, reduzindo a importância de conteúdos introdutórios durante a jornada de descoberta.

Na área da saúde, o comportamento é diferente. Cerca de 42% das visitas são direcionadas para páginas institucionais, sugerindo que os usuários procuram primeiro avaliar a credibilidade da organização antes de consumir informações médicas.

Já veículos de imprensa continuam sendo amplamente utilizados como fonte pelos modelos de IA, mas recebem apenas uma pequena parcela do tráfego gerado a partir dessas citações, um desafio que ainda preocupa todo o setor editorial.

Como as empresas devem se preparar para essa nova realidade

Os autores encerram o estudo com uma série de recomendações práticas para empresas que desejam aumentar sua presença nas plataformas de inteligência artificial.

A prioridade deve ser otimizar conteúdos pensando inicialmente no ChatGPT, responsável por praticamente todo o tráfego relevante observado atualmente.

Também é recomendável acompanhar a evolução do Claude, que apresenta forte crescimento entre usuários corporativos e pode ganhar ainda mais importância nos próximos meses.

Outra orientação importante é estruturar corretamente páginas de produtos, disponibilizar informações claras sobre preços e características e facilitar a leitura desses dados pelos modelos de IA.

Por fim, o estudo destaca que sistemas de busca interna deixaram de ser apenas recursos de navegação e passaram a desempenhar um papel estratégico na conversão de visitantes enviados por inteligência artificial.

À medida que os modelos generativos assumem uma posição cada vez mais central na descoberta de informações na internet, empresas que compreenderem essas mudanças desde agora terão uma vantagem importante na disputa pela atenção dos usuários.

Apoie o Eurisko
Este conteúdo é independente, sem anúncios e feito por pessoas.
A inteligência artificial e as mudanças recentes do Google reduziram significativamente o alcance dos sites independentes. Se este conteúdo foi útil para você, considere apoiar o Eurisko e todo o ecossistema de projetos com qualquer valor.
Quero apoiar
Seguir
Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
Nenhum comentário