Altman, da OpenAI, prevê superinteligência até 2028

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • Sam Altman afirma que até 2028 a capacidade intelectual em data centers pode superar a humana
  • CEO da OpenAI defende órgão internacional para regular a inteligência artificial
  • Índia se consolida como segundo maior mercado do ChatGPT, com mais de 100 milhões de usuários semanais

O debate sobre o futuro da inteligência artificial ganhou um novo capítulo impactante.

Durante o India AI Impact Summit 2026, em Nova Délhi, o CEO da OpenAI, Sam Altman, fez uma previsão ousada: até o fim de 2028, pode haver mais capacidade intelectual concentrada em data centers do que em cérebros humanos espalhados pelo planeta.

A declaração, considerada extraordinária até mesmo por ele, acendeu alertas e reforçou a urgência de uma governança global para a IA. Para Altman, estamos possivelmente a poucos anos do surgimento das primeiras formas de superinteligência.

O avanço acelerado rumo à superinteligência

Segundo Altman, o ritmo de evolução dos modelos de IA sugere que sistemas com capacidades muito superiores às humanas podem emergir antes do que muitos especialistas imaginavam.

Ele reconheceu que a previsão pode estar errada, mas enfatizou que o cenário precisa ser levado a sério.

A ideia central é que a soma da capacidade computacional instalada em grandes data centers poderá ultrapassar a capacidade intelectual coletiva da humanidade. Isso representaria uma mudança estrutural na forma como conhecimento, decisões e inovação são produzidos.

Para quem acompanha o setor de perto, a fala reforça a percepção de que a corrida tecnológica não está desacelerando, mas acelerando.

O risco da centralização e o chamado por regulação global

Altman foi enfático ao defender que a inteligência artificial não pode ficar concentrada nas mãos de uma única empresa ou país. Para ele, a centralização excessiva pode gerar desequilíbrios perigosos e até cenários autoritários.

O executivo sugeriu a criação de um organismo internacional inspirado na Agência Internacional de Energia Atômica, com capacidade de coordenar esforços entre nações e responder rapidamente a riscos emergentes.

Ele alertou ainda para a tentação de aceitar modelos autoritários em troca de avanços tecnológicos, como curas médicas ou soluções científicas. Na visão do CEO, abrir mão de valores democráticos em nome do progresso não é uma troca aceitável.

Índia no centro da estratégia global da OpenAI

Durante o evento, Altman revelou números impressionantes sobre o uso do ChatGPT na Índia. Mais de 100 milhões de pessoas utilizam a ferramenta semanalmente no país, sendo que mais de um terço são estudantes. A Índia já representa a segunda maior base de usuários da OpenAI no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

A visita também marcou o anúncio de uma parceria com a Tata Consultancy Services para construir infraestrutura de data centers voltada à IA em território indiano. O projeto começa com 100 megawatts de capacidade, com possibilidade de expansão para até 1 gigawatt, integrando a iniciativa global Stargate da empresa.

Além das questões geopolíticas, Altman abordou o impacto da IA no mercado de trabalho. Ele reconheceu que haverá substituição significativa de empregos, inclusive em posições altamente qualificadas. Segundo ele, sistemas superinteligentes poderão desempenhar melhor o papel de CEOs e cientistas do que muitos profissionais atuais.

Ainda assim, demonstrou confiança na capacidade humana de adaptação. Para Altman, a história mostra que a tecnologia sempre elimina funções, mas também cria novas oportunidades. A grande questão, segundo ele, é uma escolha coletiva: usar a IA para empoderar pessoas ou concentrar ainda mais poder.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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