Veriff lança tecnologia para detectar deepfakes e identificar usuários sob coação

Renê Fraga
8 min de leitura

Principais destaques

  • Mais de 98% de precisão: a Veriff afirma que sua tecnologia consegue identificar situações de coação durante sessões de verificação.
  • Análise de áudio e vídeo: o sistema utiliza mais de 1.000 sinais de risco para detectar deepfakes, ataques de injeção e influência de terceiros.
  • Conversão acima de 90%: a empresa afirma que consegue manter uma elevada taxa de conclusão das verificações, sem comprometer significativamente a experiência dos usuários.

A Veriff anunciou uma nova ferramenta de verificação de identidade capaz de identificar deepfakes, bots e pessoas que estão sendo orientadas ou coagidas por terceiros durante uma autenticação digital.

Batizado de Presence Verification, o recurso vai além dos tradicionais testes de prova de vida e tenta responder a uma questão cada vez mais importante na segurança digital: quem realmente está controlando a pessoa diante da câmera?

A prova de vida já não é suficiente 🔍

Os sistemas tradicionais de verificação de identidade utilizam tecnologias chamadas liveness detection para confirmar que existe uma pessoa real diante da câmera.

Na prática, esses mecanismos procuram identificar se o rosto apresentado pertence a alguém vivo, em vez de uma fotografia, máscara ou gravação reproduzida na tela.

Mas existe um problema: uma pessoa real também pode estar sendo manipulada durante a verificação.

Um fraudador pode orientar a vítima por telefone, aplicativos de mensagens ou chamadas de vídeo, instruindo-a sobre o que fazer durante o processo de autenticação. Nesse cenário, a verificação tradicional pode aprovar uma pessoa legítima que, na verdade, está sendo conduzida por criminosos.

É justamente essa vulnerabilidade que a Veriff pretende combater.

💡 A diferença é importante: não basta confirmar que existe uma pessoa real diante da câmera. Também é preciso descobrir se ela está agindo livremente.

Como funciona o Presence Verification? 🛡️

A nova tecnologia combina diferentes camadas de segurança para analisar o ambiente em que a autenticação acontece.

Segundo a documentação da Veriff, o sistema reúne mais de 1.000 sinais de risco em uma decisão automatizada.

Entre os mecanismos utilizados estão:

  • Verificação do dispositivo: identifica emuladores, dispositivos com root e possíveis ambientes comprometidos.
  • Análise de rede: procura sinais de utilização de VPNs e proxies.
  • Selfie passiva: permite verificar a identidade sem exigir uma sequência complexa de movimentos.
  • Análise de vídeo: examina um fluxo com mais de 100 quadros para identificar ataques de injeção e manipulações.
  • Detecção de coerção: analisa áudio e vídeo para identificar possíveis sinais de orientação por terceiros.

🎙️ O áudio também entra na investigação: a tecnologia procura identificar uma segunda voz que esteja conduzindo a pessoa durante a autenticação.

De acordo com informações divulgadas pela empresa, o sistema oferece suporte à análise de coerção em 98 idiomas.

Isso amplia o potencial de utilização em plataformas internacionais, especialmente em serviços financeiros e marketplaces que precisam verificar usuários de diferentes países.

Uma camada adicional contra golpes de engenharia social

O recurso de detecção de coerção é especialmente interessante porque enfrenta um problema que não depende necessariamente de invasões técnicas.

Nos golpes de engenharia social, criminosos convencem as próprias vítimas a realizar ações que facilitam fraudes, como abrir contas, autorizar transações ou modificar informações pessoais.

A vítima pode acreditar que está seguindo instruções de um funcionário de banco, representante de uma empresa ou até mesmo de uma autoridade.

O diferencial está em procurar sinais de que alguém está influenciando a sessão.

A Veriff também permite que empresas desativem opcionalmente a análise de coerção, atendendo a organizações com exigências específicas de privacidade.

Há, entretanto, requisitos técnicos importantes: a funcionalidade de coerção precisa de acesso ao microfone e, conforme a documentação para desenvolvedores, é restrita a usuários com 18 anos ou mais.

Sessões nas quais o sistema identifica orientação de terceiros podem ser recusadas.

Os primeiros resultados chamam a atenção 📊

A Veriff afirma que os primeiros testes e implantações demonstraram avanços relevantes na identificação de fraudes.

Segundo Geo Jolly, Group Product Manager da empresa, a tecnologia melhorou em 84% a detecção de sessões associadas a fraudes por engenharia social, em comparação com verificações tradicionais de prova de vida.

Os primeiros resultados foram observados em implantações com marketplaces da chamada gig economy, que conectam trabalhadores independentes a serviços e oportunidades de trabalho.

É importante observar que os números divulgados são fornecidos pela própria Veriff e ainda não representam uma validação independente de desempenho.

IndicadorResultado divulgado
Precisão na detecção de coerçãoMais de 98%
Melhoria na detecção de fraude por engenharia social84%
Conversão do processo de verificaçãoAcima de 90%
Sinais de risco analisadosMais de 1.000
Idiomas para análise de coerção98

Onde a tecnologia pode fazer diferença? 💳

A Veriff recomenda que empresas utilizem o Presence Verification não apenas durante o cadastro, mas também em operações consideradas mais sensíveis.

Entre os exemplos estão:

  • Abertura de contas em fintechs e instituições financeiras.
  • Autorização de pagamentos e transferências.
  • Alterações de dados bancários e informações de pagamento.
  • Recuperação de contas.
  • Verificação de identidade em marketplaces.

A proposta é adicionar uma camada de proteção justamente nos momentos em que uma fraude pode causar prejuízos financeiros ou permitir que criminosos assumam o controle de uma conta.

O próximo desafio da identidade digital

O lançamento faz parte das atualizações de produtos da Veriff para o outono de 2026.

Rob Brazier, Chief Product Officer da empresa, resume a mudança de cenário: a prova de vida continua necessária, mas deixou de ser suficiente diante da evolução das ferramentas de inteligência artificial e das técnicas de fraude.

O avanço dos deepfakes está mudando a maneira como empresas precisam pensar sobre autenticação. Não se trata mais apenas de verificar se um rosto corresponde a um documento, mas também de avaliar o contexto em que aquela identidade está sendo utilizada.

E existe uma questão ainda maior nessa transformação: conforme as fraudes passam a combinar inteligência artificial, manipulação humana e engenharia social, será que os sistemas de segurança conseguirão distinguir uma autenticação legítima de uma pessoa que simplesmente está seguindo as instruções de um criminoso?

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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