Ubuntu MATE 26.10 volta após uma pausa, mas ainda tem trabalho pela frente

Renê Fraga
11 min de leitura

Principais destaques

  • O projeto está de volta: após ficar de fora do ciclo 26.04, o Ubuntu MATE retorna com uma nova equipe de colaboradores e a missão de recuperar o ritmo de desenvolvimento.
  • Mudanças importantes nos bastidores: a distribuição adota o Dracut para gerar o initramfs e passa a depender integralmente do Netplan para a configuração de rede.
  • Uma versão para avaliar com cautela: o suporte termina em julho de 2027, e problemas conhecidos no instalador reforçam a necessidade de planejamento antes da atualização.

O Ubuntu MATE 26.10, de codinome Stonking Stingray, foi lançado em 14 de outubro de 2026. A novidade mais importante, porém, não está em uma interface redesenhada ou em uma coleção de recursos inéditos.

Está no fato de que a distribuição voltou.

Depois de não publicar uma edição própria no ciclo 26.04, em abril, o projeto reaparece com uma nova equipe de colaboradores e uma versão construída para restabelecer sua continuidade. O resultado combina uma base Ubuntu atualizada com mudanças técnicas relevantes, mas também deixa claro que a recuperação ainda não terminou.

🐧 O maior avanço é manter o projeto vivo

O Ubuntu MATE ocupa um espaço particular no ecossistema Linux. Seu objetivo é preservar uma experiência de desktop tradicional, com menus, painéis e ferramentas familiares para quem prefere uma interface convencional às mudanças de paradigma de outros ambientes.

A ausência de uma versão no ciclo anterior levantou uma questão importante: o projeto conseguiria retomar o desenvolvimento?

A publicação da versão 26.10 oferece uma resposta positiva, embora não definitiva. A entrada de novos colaboradores ajudou a viabilizar o lançamento, demonstrando como a continuidade de uma distribuição comunitária depende não apenas de código, mas também de pessoas disponíveis para manter pacotes, testar versões e resolver problemas.

🔎 O detalhe que importa: lançar uma nova versão é um marco, mas recuperar uma cadência sustentável de manutenção será o verdadeiro teste para o projeto.

🖥️ O desktop continua familiar, e isso é intencional

Quem espera uma grande transformação visual provavelmente não encontrará aqui o principal motivo para atualizar.

O MATE mantém sua proposta tradicional. As mudanças mais relevantes do Ubuntu MATE 26.10 estão na infraestrutura herdada do Ubuntu 26.10, e não em uma reformulação profunda do ambiente gráfico.

Isso não torna o lançamento irrelevante. Atualizações de bibliotecas, ferramentas de sistema, segurança e infraestrutura podem ter impacto maior na experiência cotidiana do que alterações cosméticas.

O problema é outro: a equipe reconhece que não conseguiu atualizar todos os componentes do MATE para suas versões mais recentes.

💡 O retorno veio antes da renovação completa. A versão 26.10 representa uma retomada do desenvolvimento, não a conclusão de uma modernização abrangente do desktop.

Para quem já utiliza o MATE e valoriza a estabilidade de uma interface conhecida, essa continuidade pode ser suficiente. Para quem procura novidades visíveis, o lançamento é menos empolgante.

⚙️ Dracut e Netplan mudam o trabalho dos usuários avançados

As alterações técnicas merecem atenção especial porque podem afetar procedimentos que funcionavam normalmente em instalações anteriores.

🛠️ A primeira mudança está na inicialização: o Ubuntu MATE 26.10 migra de initramfs-tools para dracut, ferramenta responsável pela geração do sistema de arquivos inicial carregado durante o processo de boot.

Essa mudança interessa sobretudo a administradores, desenvolvedores e usuários que mantêm scripts personalizados de inicialização, procedimentos de recuperação ou configurações avançadas de armazenamento.

A segunda alteração envolve a rede.

O sistema passa a utilizar o Netplan integralmente, abandonando o ifupdown. Configurações e automações construídas em torno das ferramentas antigas podem precisar de adaptação.

ComponenteMudançaQuem deve prestar atenção
Inicializaçãoinitramfs-tools → dracutUsuários com boot personalizado e procedimentos de recuperação
Redeifupdown → NetplanAdministradores e usuários com scripts de rede
Pacotes DEBGDebi removido da imagem ISOQuem instala pacotes gráficos manualmente

Na prática: essas mudanças não significam que todo computador terá problemas. O risco maior está em ambientes que dependem de configurações antigas ou de procedimentos automatizados específicos.

⚠️ O instalador ainda exige atenção

Um dos problemas conhecidos do Ubuntu MATE 26.10 afeta instalações com particionamento manual.

O instalador pode criar uma partição EFI automaticamente mesmo quando o usuário já preparou uma. Em computadores com inicialização múltipla, configurações personalizadas ou instalações que compartilham a infraestrutura de boot, isso merece cuidado.

Outro defeito conhecido está na tela de login: o ícone para revelar ou ocultar a senha apresenta problemas.

São questões diferentes em gravidade e alcance, mas ambas reforçam uma recomendação: quem depende da máquina para trabalhar deve evitar tratar o lançamento como uma atualização sem riscos.

Antes de instalar, faça backup dos dados importantes e confira cuidadosamente as opções de particionamento.

📦 Cadê o GDebi?

O Ubuntu MATE 26.10 também removeu o GDebi da imagem ISO porque a versão disponível apresentava falhas.

O GDebi é uma ferramenta gráfica tradicional para instalar pacotes no formato DEB. Sua ausência pode incomodar quem está acostumado a baixar arquivos de instalação e abri-los diretamente no desktop.

Isso não significa, entretanto, que o formato DEB deixou de ser suportado.

O APT continua sendo uma alternativa para gerenciar pacotes, inclusive em instalações que exigem dependências adicionais. A mudança representa a retirada de uma ferramenta específica da imagem de instalação, não o abandono do formato de pacotes do Debian.

Para usuários experientes, a adaptação tende a ser simples. Para iniciantes, a ausência de uma opção gráfica familiar pode tornar algumas tarefas menos intuitivas.

🔐 A base Ubuntu traz avanços que merecem atenção

Embora o Ubuntu MATE não tenha conseguido atualizar todos os componentes do desktop, ele se beneficia das mudanças incorporadas ao Ubuntu 26.10.

Entre os avanços destacados na base estão:

  • Ferramentas reescritas em Rust: a adoção dessa linguagem em componentes centrais busca contribuir para a segurança e a confiabilidade do software.
  • Sequoia PGP: modernização relacionada à verificação de assinaturas de pacotes.
  • Criptografia de disco com TPM: melhorias no suporte a mecanismos de desbloqueio associados ao Trusted Platform Module.

Essas iniciativas fazem parte de um movimento mais amplo de modernização da infraestrutura Linux. Ainda assim, é importante separar as melhorias da plataforma Ubuntu dos recursos implementados especificamente pela equipe do MATE.

O usuário recebe os benefícios da base atualizada, mas não deve interpretar cada avanço como uma novidade desenvolvida exclusivamente para essa distribuição.

📅 Nove meses de suporte mudam a decisão de atualizar

O Ubuntu MATE 26.10 não é uma versão LTS. Seu período de manutenção vai até julho de 2027, o que exige planejamento para quem pretende continuar recebendo atualizações de segurança.

CritérioUbuntu MATE 26.10
Lançamento14 de outubro de 2026
CodinomeStonking Stingray
Tipo de versãoIntermediária
Fim do suporteJulho de 2027
Situação do desktopAtualização incompleta de componentes
Perfil mais indicadoTestes, experimentação e usuários que acompanham versões recentes

O contexto também afeta quem utiliza a versão anterior. Como o ciclo 26.04 não teve uma edição própria do Ubuntu MATE, o caminho de atualização exige atenção adicional. A equipe recomenda uma instalação limpa.

Isso não significa que todo usuário precise reinstalar o sistema imediatamente. Significa que não é prudente presumir que o processo de atualização será idêntico ao de um ciclo convencional.

🤔 Afinal, vale a pena instalar?

A resposta depende do que você espera de uma distribuição Linux.

Vale experimentar se você:

  • prefere o desktop tradicional do MATE;
  • quer acompanhar a retomada do projeto;
  • utiliza uma máquina de testes ou uma instalação secundária;
  • está confortável em lidar com eventuais ajustes técnicos.

É melhor ter cautela se você:

  • depende do computador para atividades profissionais críticas;
  • utiliza particionamento personalizado ou inicialização múltipla;
  • mantém scripts de inicialização e rede baseados em ferramentas antigas;
  • precisa de um período de suporte prolongado e previsível.

Para quem prioriza manutenção de longo prazo, uma versão LTS mantida continua sendo a alternativa mais conservadora. Já o Ubuntu MATE 26.10 faz mais sentido para quem aceita acompanhar uma distribuição intermediária e planejar a próxima atualização.

O próximo desafio não é lançar, mas consolidar

O Ubuntu MATE 26.10 merece reconhecimento por recolocar o projeto em movimento. A nova equipe conseguiu publicar uma versão funcional sobre uma base Ubuntu recente, introduzindo mudanças internas importantes mesmo sem concluir a atualização de todo o ambiente gráfico.

Mas a retomada só estará consolidada quando vier acompanhada de manutenção contínua, correções para os problemas conhecidos e evolução dos componentes que ficaram para trás.

O MATE não precisa abandonar sua identidade tradicional para continuar relevante. Precisa demonstrar que consegue preservar essa experiência enquanto acompanha a evolução técnica do Linux.

A versão 26.10 é um primeiro passo nessa direção. O que determinará o futuro do projeto será a capacidade de transformar esse retorno em uma sequência sustentável de lançamentos.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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