xAI de Elon Musk demite 500 funcionários e aposta em tutores de IA especialistas para treinar o Grok

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • Cerca de 500 funcionários da área de anotação de dados foram desligados da xAI, reduzindo em um terço a equipe.
  • A empresa mudou o foco estratégico: generalistas estão sendo substituídos por tutores de IA com conhecimento especializado em diferentes domínios.
  • Testes internos foram usados para reorganizar a equipe e descobrir novas funções para alguns colaboradores.

A última sexta-feira à noite foi marcada por forte agitação no universo da inteligência artificial.

A xAI, empresa de Elon Musk responsável pelo desenvolvimento do chatbot Grok, comunicou a demissão de aproximadamente 500 pessoas, todas ligadas à área de anotação de dados, que até então era a maior equipe da companhia.

A decisão, enviada por e-mail aos afetados, reflete uma mudança drástica de rota: a empresa agora deseja priorizar profissionais considerados tutores de IA especialistas, substituindo assim o perfil mais amplo dos chamados generalistas.

Segundo a comunicação interna, essa reformulação pretende acelerar a evolução do Grok e aumentar sua capacidade de interpretar o mundo com maior profundidade técnica.


Por que os anotadores de dados eram tão importantes?

Esses profissionais tinham a missão de ensinar a IA a compreender informações do mundo real, categorizando e contextualizando dados brutos, desde textos e imagens até sons e vídeos.

Na prática, eles foram responsáveis por moldar como o Grok interage e responde aos usuários.

Com mais de 1.500 pessoas no time até a semana passada, este era o maior grupo em operação dentro da xAI.

Após os cortes, esse número despencou para pouco mais de 1.000, segundo registros internos obtidos pela imprensa.


A reestruturação dentro da xAI

Antes mesmo das demissões em massa, sinais de mudanças já circulavam nos bastidores: líderes tiveram suas contas no Slack desativadas e, pouco depois, funcionários foram convocados para conversas individuais, revisando responsabilidades e conquistas.

Em seguida, veio um pedido inusitado: todos deveriam realizar testes rápidos em áreas diversas de programação e finanças a ciências, medicina e até comportamentos mais peculiares, como a personalidade do Grok ou interações de usuários mais caóticas (como shitposters e doomscrollers).

Os testes, aplicados em plataformas como CodeSignal e Google Forms, serviriam para avaliar pontos fortes e redirecionar profissionais para novas funções dentro da reconfiguração do time.

Ainda assim, o prazo curto e a pressão do processo deixaram muitos trabalhadores frustrados.


O que vem pela frente para o Grok?

A xAI declarou que pretende ampliar em dez vezes sua equipe de tutores especialistas, abrindo vagas em áreas críticas como ciência, saúde, finanças, direito e segurança.

Musk e sua equipe acreditam que esse foco permitirá um salto de qualidade no Grok, preparando-o para se tornar um sistema de inteligência artificial cada vez mais próximo do conceito de AGI (Inteligência Artificial Geral).

Esse movimento reflete uma tendência maior no setor: empresas de IA estão percebendo que a qualidade da especialização humana por trás dos dados é tão importante quanto o volume de informação fornecida.

Para a xAI, o futuro do Grok depende justamente desse equilíbrio.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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