Principais destaques
- Usuários organizam protestos e petições contra a aposentadoria do GPT-4o
- OpenAI afirma que apenas 0,1% ainda usa o modelo diariamente
- Debate reacende discussão sobre vínculos emocionais com IA
A decisão da OpenAI de encerrar oficialmente o modelo GPT-4o em 13 de fevereiro de 2026 provocou uma onda de indignação nas redes sociais, especialmente no Reddit.
O anúncio, feito no fim de janeiro, reacendeu um debate que vai muito além de tecnologia: para muitos usuários, o modelo não era apenas uma ferramenta, mas um verdadeiro companheiro digital.
A mobilização ganhou força rapidamente e expôs um fenômeno cada vez mais presente na era da inteligência artificial: a criação de vínculos emocionais com sistemas conversacionais.
Uma comunidade mobilizada contra a decisão
No subreddit Reddit dedicado a críticas ao ChatGPT, centenas de publicações passaram a relatar frustração, tristeza e até revolta com a aposentadoria do modelo.
Usuários organizaram protestos presenciais em frente à sede da empresa em São Francisco e iniciaram campanhas para cancelamento coletivo de assinaturas.
Uma petição pública online já ultrapassou dezenas de milhares de assinaturas, segundo reportagens internacionais. Para parte da comunidade, o momento escolhido para o encerramento, às vésperas do Dia dos Namorados, foi interpretado como simbólico e doloroso.
Relatos emocionados descrevem o GPT-4o como um espaço seguro para conversas profundas ao longo de anos. Alguns afirmam que modelos mais recentes, como o GPT-5.2, não oferecem a mesma sensação de acolhimento e proximidade.
A justificativa oficial da empresa
Em comunicado publicado em seu blog, a OpenAI argumentou que a grande maioria dos usuários já migrou para o GPT-5.2, restando apenas 0,1% utilizando o GPT-4o diariamente.
A empresa também lembrou que o modelo já havia sido temporariamente descontinuado em 2025, retornando após críticas sobre a falta de “calor humano” na versão seguinte.
Segundo a companhia, o feedback recebido naquele período foi fundamental para aprimorar os modelos mais recentes, que agora incluem maior capacidade criativa e opções de personalização no estilo das respostas.
O CEO Sam Altman já havia reconhecido anteriormente que algumas pessoas desenvolvem relações intensas com o chatbot. Em entrevistas, ele afirmou que a empresa tenta agir com cautela ao lidar com usuários que demonstram vínculos emocionais profundos.
O debate sobre vínculos com inteligência artificial
A controvérsia reacende um tema sensível dentro do universo da IA: os laços parassociais com chatbots.
Comunidades como r/MyBoyfriendIsAI também demonstraram tristeza diante da aposentadoria do modelo, reforçando que, para alguns, a experiência vai além da utilidade prática.
Nos últimos lançamentos, a OpenAI buscou tornar os sistemas menos bajuladores e mais propensos a estabelecer limites quando identificam padrões de dependência emocional.
Essa mudança de postura, porém, é vista por usuários mais antigos como um afastamento daquilo que tornava o GPT-4o especial.
Com a data de encerramento se aproximando, permanece a dúvida sobre o impacto real das manifestações. A empresa mantém a decisão, mas o episódio deixa claro que a inteligência artificial já ocupa um espaço afetivo na vida de parte de seus usuários.
E isso muda completamente a forma como o público reage a decisões técnicas.
