✨ Principais destaques:
- Cortes em massa: Centenas de moderadores de conteúdo no Reino Unido serão demitidos.
- Mudança estratégica: A empresa vai concentrar operações em outros escritórios na Europa e reforçar o uso de inteligência artificial.
- Debate em aberto: Sindicatos e especialistas alertam para os riscos de substituir humanos por IA na moderação de conteúdos sensíveis.
O que está acontecendo com o TikTok?
O TikTok confirmou que vai demitir centenas de funcionários no Reino Unido que atuam na moderação de conteúdo.
Esses profissionais fazem parte da equipe de Trust and Safety, responsável por garantir que vídeos nocivos ou inadequados não cheguem ao público.
Segundo a empresa, a decisão faz parte de uma reorganização global iniciada no ano passado, com o objetivo de centralizar operações em menos locais e, ao mesmo tempo, ampliar o uso de inteligência artificial para acelerar e escalar o processo de moderação.
Um porta-voz do TikTok afirmou que a mudança busca “maximizar a eficácia e a velocidade” da moderação, aproveitando os avanços tecnológicos.
A polêmica: IA substituindo pessoas
Apesar da justificativa oficial, a decisão gerou forte reação.
O sindicato Communication Workers Union (CWU) criticou a medida, acusando a empresa de priorizar “ganância corporativa em detrimento da segurança dos trabalhadores e do público”.
John Chadfield, representante nacional do sindicato, destacou que os funcionários já vinham alertando sobre os riscos de reduzir equipes humanas em favor de sistemas de IA ainda “imaturos e apressadamente desenvolvidos”.
A polêmica ganha ainda mais peso porque o anúncio dos cortes acontece justamente no momento em que os trabalhadores do TikTok no Reino Unido se preparam para votar sobre o reconhecimento oficial de seu sindicato.
O contexto regulatório e os próximos passos
Esse movimento do TikTok ocorre em um cenário de maior pressão regulatória no Reino Unido.
Desde julho, está em vigor o Online Safety Act, que exige das plataformas digitais um controle mais rigoroso sobre o conteúdo publicado e sobre a idade dos usuários.
O não cumprimento pode gerar multas de até 10% do faturamento global da empresa.
Em resposta, o TikTok lançou novos controles parentais, permitindo que responsáveis bloqueiem interações indesejadas e acompanhem melhor as configurações de privacidade dos adolescentes.
Ainda assim, a empresa segue sob investigação do órgão regulador de dados britânico, que questiona se as medidas são suficientes para proteger jovens usuários.
Atualmente, o TikTok afirma que 85% das publicações que violam suas regras já são removidas automaticamente por sistemas de IA, o que, segundo a empresa, reduz a exposição de moderadores humanos a conteúdos perturbadores.
Os funcionários afetados poderão se candidatar a outras vagas internas, com prioridade no processo seletivo.
A decisão do TikTok mostra como a inteligência artificial está remodelando o trabalho humano em áreas sensíveis, como a moderação de conteúdo.
Enquanto a empresa aposta na tecnologia para ganhar escala e eficiência, sindicatos e especialistas alertam para os riscos de confiar demais em sistemas automatizados que ainda não conseguem lidar com todas as nuances do comportamento humano online.
O caso abre um debate urgente: até que ponto a IA pode substituir o olhar humano quando o assunto é segurança digital?
