Samsung planeja fábricas autônomas movidas por IA até 2030

Renê Fraga
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Principais destaques

  • Samsung pretende automatizar toda sua rede global de fábricas com inteligência artificial até 2030
  • Projeto inclui gêmeos digitais, robôs humanoides e agentes de IA que tomam decisões em tempo real
  • Parceria com a Nvidia fornecerá infraestrutura com mais de 50 mil GPUs para sustentar a nova geração de manufatura

A Samsung Electronics revelou um plano ambicioso que pode redefinir o futuro da indústria tecnológica.

A empresa pretende converter todas as suas fábricas globais em ambientes autônomos impulsionados por inteligência artificial até 2030.

A estratégia foi divulgada poucos dias antes do Mobile World Congress 2026, em Barcelona, e amplia o uso de IA que já aparece em produtos de consumo, como smartphones, para o coração das operações industriais da companhia.

A proposta combina agentes de IA capazes de tomar decisões, simulações virtuais detalhadas e robôs especializados trabalhando diretamente no chão de fábrica.

A ideia é criar ambientes produtivos capazes de analisar dados em tempo real e ajustar processos automaticamente para melhorar eficiência, segurança e qualidade.

IA que toma decisões dentro da fábrica

O núcleo da estratégia é o uso da chamada IA agêntica, uma tecnologia capaz de analisar situações e agir de forma autônoma. Esse tipo de sistema, que também apareceu nos novos smartphones Galaxy S26, agora será aplicado à cadeia de produção da empresa.

Dentro das fábricas, agentes de IA terão funções específicas. Alguns serão responsáveis por monitorar a qualidade dos produtos, outros vão otimizar a produção e haverá sistemas voltados para a logística interna.

Todos esses agentes trabalharão de forma integrada para identificar gargalos, corrigir problemas e melhorar o fluxo de produção sem intervenção humana constante.

Segundo YoungSoo Lee, vice-presidente executivo e chefe de pesquisa tecnológica global da Samsung Electronics, o objetivo é criar ambientes industriais que compreendam o contexto operacional em tempo real e executem automaticamente as melhores decisões para cada situação.

Gêmeos digitais para simular fábricas inteiras

Outro pilar importante do projeto são os chamados gêmeos digitais. Trata-se de modelos virtuais que replicam com precisão o funcionamento de uma fábrica real.

Essas simulações permitem testar mudanças na produção antes que elas sejam implementadas fisicamente. Com isso, a empresa pode prever falhas, ajustar fluxos de trabalho e otimizar processos sem interromper a operação real.

Na prática, os engenheiros poderão simular diferentes cenários, avaliar impactos e aplicar as melhores soluções diretamente nas linhas de produção. Isso reduz custos, aumenta eficiência e acelera a inovação industrial.

Robôs inteligentes e parceria com a Nvidia

A Samsung também planeja introduzir uma nova geração de robôs em suas instalações. Entre eles estarão robôs humanoides, máquinas de montagem de alta precisão e robôs logísticos responsáveis por transportar materiais dentro das fábricas.

Em áreas perigosas ou de difícil acesso, robôs especializados em segurança ambiental irão monitorar condições do ambiente e detectar riscos, trabalhando em conjunto com os sistemas de gêmeos digitais.

Essa transformação tecnológica será sustentada por uma parceria estratégica com a Nvidia. O acordo envolve a utilização de mais de 50 mil GPUs para processamento de IA e o uso da plataforma Nvidia Omniverse para criar as simulações industriais em grande escala. A empresa também utilizará a plataforma Jetson Thor para permitir raciocínio de IA em tempo real nos robôs.

A Samsung deve apresentar demonstrações dessas tecnologias durante o Mobile World Congress 2026 e também discutir sua nova estrutura de governança para o uso responsável da inteligência artificial. A proposta inclui mecanismos de segurança incorporados desde o desenvolvimento das soluções, garantindo que a expansão da IA ocorra de forma controlada e confiável.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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