Sam Altman prevê que uma IA poderá liderar a OpenAI em poucos anos

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • Sam Altman prevê que a OpenAI poderá ter um CEO de inteligência artificial em menos de 10 anos.
  • O executivo acredita que IAs poderão administrar divisões inteiras de empresas, com até 85% das decisões automatizadas.
  • Altman enxerga um futuro em que companhias bilionárias serão administradas por pouquíssimas pessoas com o apoio de IAs altamente autônomas.

O CEO da OpenAI, Sam Altman, fez uma das declarações mais provocativas do ano ao afirmar que ficaria envergonhado se sua empresa não fosse a primeira grande corporação liderada por uma inteligência artificial.

Durante o podcast Conversations with Tyler, ele revelou que imagina um futuro em que a própria OpenAI seja dirigida por um sistema de IA, capaz de tomar decisões executivas com eficiência superior à humana.

Essa visão não é apenas teórica. Altman tem pensado ativamente em como preparar a estrutura interna da OpenAI para que algoritmos avancem progressivamente até a liderança.

“Vejo essa transição como inevitável”, afirmou o executivo, que aos 39 anos comanda uma das startups de IA mais valiosas do mundo.


Rumo a CEOs digitais: quando a IA assume o comando

Altman traçou um cronograma ousado: acredita que em “alguns poucos anos de um único dígito”, ou seja, antes de 2033, uma divisão da OpenAI poderá ser 85% gerida por inteligência artificial.

No entanto, ele reconhece que ser um CEO não se resume a tomar decisões estratégicas. Há uma dimensão humana, relações públicas, confiança, empatia, que a IA ainda não domina completamente. “O papel público do CEO é cada vez mais importante”, observou.

Mesmo assim, o executivo prevê uma revolução no modo como as empresas funcionarão. Ele imagina organizações bilionárias geridas por apenas duas ou três pessoas, assistidas por complexos sistemas de IA treinados para otimizar tudo,de operações a inovação.

Em suas próprias palavras, Altman admitiu ter ajustado seu otimismo sobre o prazo: “Antes eu achava que isso poderia acontecer em um ano. Agora, talvez demore um pouco mais. Não estou menos otimista sobre a IA, talvez eu esteja mais pessimista sobre os humanos”.


A vida depois da OpenAI: o plano pessoal de Altman

Enquanto sonha com o futuro corporativo dominado por inteligências artificiais, Sam Altman também planeja sua vida após a revolução que ajudou a iniciar.

O empreendedor revelou que deseja dedicar mais tempo à sua fazenda, localizada entre suas propriedades na Califórnia e no Havaí, uma das quais avaliada em US$ 43 milhões.

“Tenho uma fazenda onde moro parte do tempo e realmente amo isso”, contou em uma conversa recente com Mathias Döpfner, CEO do grupo Axel Springer.

Antes do sucesso estrondoso do ChatGPT, ele costumava passar horas dirigindo tratores e colhendo frutos, longe do frenesi do Vale do Silício.

Ainda assim, Altman mantém os pés no chão e os olhos no futuro. Ele já incorpora a mentalidade de automação inteligente nas práticas de contratação da OpenAI. “Gente que pensa seriamente em como será o trabalho daqui a três anos, esse é um sinal positivo”, comentou.

Com receita anual estimada em mais de US$ 13 bilhões, a OpenAI segue crescendo rapidamente. Mesmo sob críticas sobre seus altos custos de infraestrutura, Altman demonstra confiança.

Para ele, a empresa já caminha para um modelo em que humanos e máquinas dividem o comando e, em breve, essa divisão pode deixar de ser simbólica.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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