Anthropic afirma que mais de 90% do código do Claude já é escrito por inteligência artificial

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • A Anthropic afirma que mais de 90% do código dos modelos Claude hoje é gerado por IA.
  • O CEO Dario Amodei diz que engenheiros continuam essenciais, mas com foco em supervisão e decisões críticas.
  • O avanço reforça a ideia de um ciclo autorreforçado, em que a IA passa a construir suas próprias evoluções.

A previsão que parecia ousada demais para muitos agora virou realidade dentro da Anthropic.

Segundo Dario Amodei, a grande maioria do código que sustenta os modelos mais recentes do Claude já é escrita pela própria inteligência artificial. Estimativas internas indicam que esse número ultrapassa 90%, um marco que muda profundamente a forma como software de ponta é desenvolvido.

A declaração confirma uma expectativa apresentada publicamente meses atrás e mostra que, ao menos dentro da empresa, sistemas de IA já assumiram um papel central na criação de código em escala de produção.

Da previsão controversa ao uso cotidiano

Em março de 2025, Amodei afirmou que a IA estaria escrevendo cerca de 90% do código em um prazo de poucos meses. Na época, a fala gerou dúvidas, especialmente sobre a capacidade desses sistemas lidarem com arquiteturas complexas e requisitos de segurança.

Meses depois, em conversas públicas com executivos do setor, incluindo o CEO da Salesforce, o executivo reforçou que o cenário já era realidade dentro da Anthropic e em empresas parceiras. Segundo ele, isso não reduziu a necessidade de engenheiros, mas redefiniu seu papel.

Em vez de escrever cada linha, eles passam a revisar, orientar e assumir as partes mais delicadas do desenvolvimento.

Claude escrevendo o próprio Claude

O aspecto mais simbólico desse avanço está no caráter recursivo do processo. Ferramentas internas, como o Claude Code, já têm a maior parte de sua base escrita por modelos de IA.

Em determinados períodos, desenvolvedores relataram que praticamente todo o código submetido veio diretamente do Claude.

Esse modelo de desenvolvimento acelerou projetos internos e permitiu que novos recursos fossem criados em questão de dias.

Analistas apontam que esse tipo de ciclo autorreforçado tende a acelerar ainda mais a evolução dos sistemas, já que melhorias passam a gerar novas melhorias de forma quase contínua.

O que muda para a engenharia de software

Apesar do entusiasmo, o cenário também levanta alertas. Especialistas em segurança destacam que código gerado automaticamente pode escalar problemas e vulnerabilidades se não houver supervisão rigorosa.

Ao mesmo tempo, cresce o debate sobre como formar profissionais capazes de trabalhar lado a lado com sistemas que escrevem quase todo o código.

Para a Anthropic, no entanto, a direção é clara. Amodei já sugeriu que, em um futuro próximo, a IA pode escrever praticamente todo o software necessário, enquanto humanos assumem papéis estratégicos, criativos e de controle.

Se esse ritmo continuar, a programação como conhecemos pode estar entrando em uma nova era.

Apoie o Eurisko
Este conteúdo é independente, sem anúncios e feito por pessoas.
A inteligência artificial e as mudanças recentes do Google reduziram significativamente o alcance dos sites independentes. Se este conteúdo foi útil para você, considere apoiar o Eurisko e todo o ecossistema de projetos com qualquer valor.
Quero apoiar
Seguir
Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
Nenhum comentário