Radares com Inteligência Artificial começam a multar em São Paulo e já identificaram milhares de infrações

Renê Fraga
5 min de leitura

Principais destaques

  • Radares equipados com Inteligência Artificial passaram a emitir multas nas rodovias administradas pela SPMar desde 1º de julho.
  • Durante os testes, um único equipamento registrou mais de 7 mil infrações em apenas 49 dias.
  • A expectativa é ampliar a rede para 82 radares até o fim do ano e chegar a 120 equipamentos até 2027.

A Inteligência Artificial está assumindo um papel cada vez mais importante na fiscalização das rodovias brasileiras.

Em São Paulo, os radares inteligentes instalados nos trechos Sul e Leste do Rodoanel Mario Covas deixaram a fase de testes e passaram a gerar autuações oficialmente desde o dia 1º de julho.

A tecnologia promete tornar a fiscalização mais eficiente, identificando comportamentos de risco e ajudando a reduzir acidentes.

Durante o período de testes, entre 12 de maio e 29 de junho, apenas um radar equipado com IA detectou 7.297 infrações. Considerando um fluxo médio diário de aproximadamente 165 mil veículos, o equipamento registrou cerca de 149 ocorrências por dia.

Entre as irregularidades mais frequentes estavam motoristas sem cinto de segurança, passageiros sem o equipamento obrigatório e condutores utilizando o celular enquanto dirigiam.

Inteligência Artificial identifica infrações em tempo real

Os novos radares utilizam algoritmos treinados para reconhecer diferentes situações que representam infrações de trânsito. Atualmente, os equipamentos conseguem identificar a ausência do cinto de segurança tanto do motorista quanto dos passageiros, além do uso do celular durante a condução do veículo.

A tecnologia, porém, vai além dessas funções. Segundo a concessionária responsável, os sistemas podem receber novos treinamentos para reconhecer outras situações, como pessoas com partes do corpo para fora do veículo ou o transporte inadequado de crianças.

Essa capacidade de atualização permite que os radares evoluam conforme novas necessidades de fiscalização surgem.

Outro diferencial está no hardware utilizado. As câmeras possuem alta resolução e sensores infravermelhos, permitindo capturar imagens com maior nitidez em diferentes condições de iluminação, fator essencial para que a análise das infrações seja confiável.

A IA não aplica multas sozinha

Apesar da tecnologia realizar a identificação inicial das possíveis infrações, a decisão final continua sendo humana. Todas as imagens registradas pelos radares são encaminhadas para agentes responsáveis pela fiscalização, que verificam se existem provas suficientes para confirmar a infração.

Esse processo reduz significativamente o risco de autuações incorretas. Em situações em que a imagem não oferece clareza suficiente, como quando a roupa do motorista dificulta visualizar corretamente o cinto de segurança, o registro é descartado e nenhuma multa é emitida.

Segundo a SPMar, os índices de erro do sistema são baixos, resultado do treinamento da Inteligência Artificial aliado à validação realizada pelos agentes antes da emissão das notificações.

Expansão da tecnologia já acontece em várias rodovias brasileiras

Os resultados obtidos durante os testes aceleraram os planos de expansão da tecnologia. A SPMar pretende instalar 82 radares inteligentes até o final deste ano e ampliar esse número para 120 equipamentos até o fim de 2027.

O avanço, porém, não está restrito ao Rodoanel. Outras concessionárias paulistas já utilizam sistemas semelhantes em rodovias como Anhanguera, Raposo Tavares, Castelo Branco e no Sistema Anchieta-Imigrantes. Em Minas Gerais, diversos trechos também passaram a contar com radares equipados com Inteligência Artificial para reforçar a fiscalização.

Especialistas apontam que a distração ao volante continua sendo uma das principais causas de acidentes, especialmente pelo uso do celular durante a condução.

Nesse cenário, a IA surge como uma ferramenta capaz de identificar rapidamente comportamentos perigosos, aumentando a eficiência da fiscalização e contribuindo para tornar as rodovias mais seguras.

A tendência é que essa tecnologia continue evoluindo nos próximos anos, incorporando novos recursos e ampliando sua presença tanto nas estradas quanto nos centros urbanos.

Além de identificar excesso de velocidade, os radares inteligentes caminham para desempenhar um papel cada vez mais amplo na prevenção de acidentes e na mudança do comportamento dos motoristas.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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