Queda no Google pode derrubar sua visibilidade em IA, aponta novo estudo

Renê Fraga
5 min de leitura

Principais destaques:

  • Todos os 11 sites analisados perderam tráfego orgânico e também citações em buscas com IA
  • ChatGPT foi a plataforma mais impactada, com quedas médias maiores que as do próprio Google
  • Perplexity AI foi a exceção e manteve estabilidade ou crescimento em boa parte dos casos

Uma nova análise do mercado de SEO reforça algo que muitos profissionais já suspeitavam: quando um site perde posições no Google, a queda não fica restrita à busca tradicional. Ela também pode afetar diretamente sua presença nas respostas geradas por inteligência artificial.

O estudo examinou 11 subpastas de grandes sites que sofreram perdas significativas de visibilidade orgânica entre 20 de janeiro e 16 de fevereiro de 2026, após uma atualização de algoritmo não confirmada. A pergunta central era clara: quando o tráfego orgânico cai, as citações em mecanismos de busca com IA também diminuem?

A resposta, segundo os dados, é praticamente sim.

A relação direta com o ecossistema do Google

Produtos de IA do próprio Google, como o AI Mode e o Gemini, apresentaram quedas de citações muito próximas à média de perda orgânica, que foi de 26,7%.

A explicação parece lógica. Se essas ferramentas utilizam fortemente o índice do Google e seus resultados mais bem posicionados para compor respostas generativas, uma queda no ranking orgânico naturalmente reduz as chances de citação.

O levantamento mostrou que o AI Mode teve retração média de 23,8% nas citações, acompanhando de perto o desempenho negativo do tráfego tradicional.

O impacto surpreendente no ChatGPT

O dado mais intrigante envolve o ChatGPT. Mesmo não sendo um produto do Google, ele apresentou a queda média mais acentuada entre as plataformas analisadas, com retração de 27,8%.

Em alguns casos específicos, a perda de citações no ChatGPT chegou a ultrapassar 40%, superando inclusive a queda de tráfego orgânico. Esse comportamento fortalece a hipótese de que o chatbot pode depender, direta ou indiretamente, dos resultados do Google em seus processos de busca em tempo real.

Embora não haja confirmação oficial sobre o pipeline de recuperação de dados, o padrão observado sugere uma forte correlação entre ranking no Google e presença nas respostas do ChatGPT.

Perplexity segue caminho diferente

A grande exceção foi o Perplexity AI. Apenas quatro dos 11 sites analisados apresentaram queda nas citações nessa plataforma, e a variação média foi pequena, cerca de 2,9%.

Em sete casos, houve até crescimento nas citações, mesmo com perda de tráfego orgânico no Google. Isso reforça a percepção de que o Perplexity utiliza fontes de recuperação diferentes, possivelmente integrando a API do Brave Search e seu próprio crawler, o PerplexityBot.

Essa divergência sugere que o Perplexity não depende majoritariamente do índice do Google para gerar respostas, ao contrário do que os dados indicam para outras plataformas.

SEO continua sendo o alicerce da visibilidade em IA

O estudo também traz um alerta importante para empresas e profissionais de marketing digital. Estratégias voltadas exclusivamente para otimização em IA, como táticas questionáveis de manipulação de respostas generativas, podem comprometer o desempenho orgânico.

Os dados mostram que a média de queda nas citações de IA foi de 22,5% quando houve perda de visibilidade no Google. Em outras palavras, prejudicar o SEO tradicional pode gerar um efeito cascata negativo nas buscas com inteligência artificial.

Além disso, quando se considera a escala de uso, o impacto se torna ainda mais relevante. O ChatGPT registrou bilhões de visitas mensais em 2025, enquanto o Perplexity opera em escala muito menor. E, acima de tudo, o tráfego do Google ainda supera amplamente todas as plataformas de IA combinadas.

A conclusão é clara: SEO e visibilidade em IA estão profundamente conectados. Para quem deseja aparecer nas respostas de ferramentas generativas, fortalecer a base orgânica continua sendo o caminho mais seguro.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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