Principais destaques
- OpenAI trabalha em um novo modelo chamado Garlic, pensado para superar o Gemini 3 do Google em tarefas de programação e raciocínio.
- Sam Altman declarou internamente um “código vermelho”, pedindo foco total em melhorias no ChatGPT e adiando outros planos da empresa.
- A disputa com Google e Anthropic acelera a corrida da IA e pode mudar a forma como usamos busca, assistentes virtuais e ferramentas de produtividade.
Por trás das manchetes sobre inteligência artificial, existe uma disputa intensa entre grandes empresas de tecnologia. De um lado, o Google, com o novo modelo Gemini 3 integrado à Busca.
Do outro, a OpenAI, criadora do ChatGPT, tentando não perder terreno. Agora, surgem dois movimentos importantes: um “código vermelho” declarado por Sam Altman dentro da OpenAI e o desenvolvimento de um novo modelo de IA, com codinome Garlic, pensado justamente para responder ao avanço do Google.
Para quem acompanha o Google e a evolução da Busca há duas décadas, essa é praticamente uma inversão de papéis. Em 2022, foi o Google que apertou o botão de alerta por causa do ChatGPT. Agora é a vez da OpenAI reagir ao avanço do Gemini.
O que é o Garlic e por que ele importa
Segundo reportagem do The Information, o Garlic é um novo grande modelo de linguagem que a OpenAI está treinando para ser muito forte em duas áreas específicas: programação de código e raciocínio lógico, aquelas tarefas mais “cabeludas” de entender contexto, seguir etapas e resolver problemas complexos.
Em testes internos, o Garlic estaria superando não só o Gemini 3 do Google como também o Claude Opus 4.5 da Anthropic, outra concorrente importante nesse mercado. A comparação é feita em benchmarks, que são baterias de provas padronizadas usadas para medir o desempenho dos modelos em diferentes tipos de tarefa, da escrita de textos à solução de problemas matemáticos.
A OpenAI ainda não anunciou o Garlic oficialmente nem confirmou se ele vai aparecer com o nome GPT-5.2, GPT-5.5 ou outro rótulo comercial. Mas a ideia é lançá-lo o quanto antes, justamente para responder ao avanço de Gemini 3 e reforçar a posição da empresa em áreas onde o Google tem mostrado força, como agentes inteligentes e integração com produtos do dia a dia.
O avanço do Gemini 3 e a reação da OpenAI
O pano de fundo dessa história é o lançamento do Gemini 3, apresentado pelo Google como seu modelo de IA “mais inteligente até agora”. Diferente de versões anteriores, ele já nasceu integrado à Busca e a outros serviços da empresa, como Gemini app, ferramentas para desenvolvedores e soluções corporativas.
Na prática, isso significa que, cada vez mais, respostas que antes vinham de sites e blogs podem ser geradas diretamente pelo modelo do Google, o que afeta tanto a experiência dos usuários quanto o tráfego para publishers como o seu blog favorito sobre tecnologia.
Relatos recentes indicam que o app do Gemini já teria ultrapassado a marca de 650 milhões de usuários ativos mensais, aproximando-se da base do ChatGPT, que gira em torno de 800 milhões de usuários semanais.
Diante disso, Sam Altman enviou um memorando interno declarando “código vermelho” dentro da OpenAI. A ordem é clara: concentrar recursos na melhoria do ChatGPT em pontos como velocidade de resposta, confiabilidade, personalização e qualidade de imagens geradas. Projetos como publicidade, alguns tipos de agentes de IA e até um assistente pessoal mais avançado foram colocados em segundo plano.
No mesmo memorando, Altman fala em lançar já na próxima semana um novo modelo de raciocínio que, segundo a empresa, estaria à frente do Gemini 3 em avaliações internas.
Onde o Google entra nessa disputa
Para quem acompanha o Google há anos, é impossível ignorar a ironia histórica. Em 2022, quando o ChatGPT explodiu, o Google chegou a declarar internamente seu próprio “código vermelho”, com Sundar Pichai alertando que o chatbot poderia ameaçar o modelo de negócios da Busca.
Três anos depois, o cenário se inverte. Agora é o Gemini 3 que aparece em rankings de benchmarks à frente de modelos da OpenAI em texto, imagem e raciocínio multimodal. O Google aproveita sua infraestrutura gigantesca, chips próprios e integração com produtos como Gmail, Docs e o próprio buscador para acelerar essa vantagem.
Para o usuário comum, isso se traduz em uma mudança concreta:
- respostas mais ricas diretamente na Busca,
- assistentes que conseguem executar tarefas inteiras (como organizar e responder e-mails)
- e ferramentas de código que automatizam partes do trabalho de desenvolvedores.
Do lado da OpenAI, o Garlic e os novos modelos de raciocínio são uma tentativa de mostrar que a empresa continua líder em capacidade bruta de modelo, mesmo sem ter um ecossistema tão amplo quanto o do Google.
Quem está por trás do Garlic
O projeto Garlic é liderado por Mark Chen, hoje Chief Research Officer (Diretor de Pesquisa) da OpenAI. Ele já esteve à frente de iniciativas importantes, como o DALL-E (geração de imagens), o Codex (modelo focado em código) e os modelos de raciocínio da família o1.
A mensagem interna em que Chen apresenta o Garlic teria destacado que o novo modelo consegue “encaixar” o conhecimento de modelos maiores em arquiteturas menores, com ganhos de eficiência. Isso é crucial porque treinar e rodar esses sistemas consome uma quantidade gigantesca de energia, chips e dinheiro.
Ao mesmo tempo, a OpenAI precisa lidar com a saída de vários pesquisadores importantes para empresas como Meta e novas startups de IA, o que aumenta a pressão para mostrar resultados concretos e manter talentos.
O que isso significa para quem usa Google, ChatGPT e outros serviços
Para quem é usuário da Busca do Google, do Gemini, do ChatGPT ou de outros assistentes, a mensagem é simples: a corrida está acelerando. Cada passo de Google, OpenAI ou Anthropic tende a puxar o nível de qualidade para cima, com:
- respostas mais úteis direto na Busca e nos apps
- ferramentas mais poderosas para estudar, programar ou trabalhar
- e personalização cada vez maior, seja no Google, seja no ChatGPT.
Mas há também efeitos colaterais: mudanças no tráfego para sites, dúvidas sobre transparência de fontes, preocupação com viés dos modelos e impactos em empregos ligados a criação de conteúdo e programação.
Do ponto de vista de quem acompanha o Google há 20 anos, o momento é histórico. Depois de ser chacoalhado pelo ChatGPT, o Google devolve a pressão com o Gemini 3. A resposta da OpenAI vem na forma de um “código vermelho” e de um modelo que leva nome de tempero, mas tem ambição de prato principal na mesa da IA.
