OpenAI negocia trazer o Sora de volta para Hollywood

Renê Fraga
8 min de leitura

Principais destaques

  • Uma nova chance para o Sora: a OpenAI negocia com uma startup para desenvolver ferramentas de vídeo com IA voltadas a cineastas.
  • Fim da versão para consumidores: o aplicativo e a versão web foram encerrados em abril de 2026, enquanto a API tinha descontinuação prevista para setembro.
  • Direitos autorais continuam no centro da disputa: uma possível retomada profissional não elimina as preocupações de Hollywood sobre o treinamento dos modelos e o uso de obras protegidas.

A OpenAI pode estar preparando um novo capítulo para o Sora, seu modelo de geração de vídeos por inteligência artificial. Meses depois de encerrar a experiência voltada ao consumidor, a empresa negocia um acordo que permitiria a uma startup acessar profundamente a tecnologia para desenvolver ferramentas destinadas a cineastas.

A informação foi publicada pelo The Information na segunda-feira, 12 de outubro de 2026. A reportagem destacou a iniciativa como um plano para ressuscitar o Sora, embora ainda não existam detalhes públicos suficientes para determinar como essa nova estratégia funcionaria.

🔎 O que se sabe até agora: a identidade da startup, os termos comerciais e o cronograma do possível acordo não foram divulgados. A OpenAI também não anunciou oficialmente a parceria.

🎬 Do aplicativo social aos estúdios de cinema

O movimento representaria uma mudança importante de estratégia. Em vez de priorizar uma plataforma aberta ao público para criar e compartilhar vídeos curtos, a OpenAI poderia concentrar parte de seus esforços em ferramentas especializadas para profissionais da indústria audiovisual.

O Sora 2 chegou no fim de setembro de 2025 acompanhado de um aplicativo social para iOS. A proposta permitia criar e remixar vídeos, além de inserir a própria imagem nas cenas por meio de um recurso chamado personagens.

A experiência, porém, teve vida curta.

Segundo a central de ajuda da OpenAI, as versões web e móvel do Sora foram descontinuadas em 26 de abril de 2026. A API tinha encerramento previsto para 24 de setembro do mesmo ano, e a empresa também comunicou procedimentos relacionados à exportação e à exclusão dos dados dos usuários.

📉 O problema não era apenas tecnológico: o encerramento ocorreu após uma trajetória comercial que, segundo informações publicadas pelo Tech Journal, incluiu uma queda expressiva nos downloads.

O número teria passado de mais de 3,3 milhões em novembro de 2025 para aproximadamente 1,1 milhão em fevereiro de 2026.

A diferença ajuda a explicar por que uma nova estratégia, direcionada a um público profissional, poderia ser mais atraente. Cineastas e produtoras têm necessidades específicas, projetos com orçamentos definidos e possíveis condições para contratar ferramentas especializadas.

💡 Hollywood pode ser o novo caminho

A OpenAI já havia demonstrado interesse em aproximar sua tecnologia da indústria cinematográfica.

Em 2025, a empresa exibiu curtas-metragens produzidos com o Sora em um cinema de Los Angeles, segundo o Los Angeles Times. Alguns cineastas independentes viram na tecnologia uma maneira de experimentar ideias visuais sem precisar mobilizar grandes orçamentos.

Outros profissionais, entretanto, demonstraram preocupação com o impacto sobre empregos, atores e equipes de efeitos visuais.

💡 O desafio da OpenAI é transformar uma ferramenta capaz de produzir imagens impressionantes em uma tecnologia que os estúdios possam utilizar com segurança jurídica e controle sobre o processo criativo.

A empresa também trabalhou com a Tribeca Studios em um programa de um ano que financiava cineastas para produzir curtas-metragens em live-action com suas ferramentas. A estreia dos filmes estava prevista para o Festival de Tribeca de 2026.

Uma parceria com uma startup especializada poderia aprofundar essa aproximação, criando soluções mais adequadas ao fluxo de trabalho de profissionais do cinema.

Isso poderia envolver ferramentas integradas aos processos de produção, embora os recursos específicos da negociação ainda não sejam conhecidos.

⚖️ O problema que a IA ainda não resolveu

O maior obstáculo continua sendo o direito autoral.

Quando o Sora 2 foi lançado, houve críticas à abordagem que permitia, por padrão, a utilização de material protegido, a menos que os titulares solicitassem sua exclusão. A Motion Picture Association contestou essa política.

Para os estúdios, a discussão vai além da possibilidade de gerar um vídeo com personagens conhecidos. Também envolve a origem dos dados usados no treinamento dos modelos, as autorizações concedidas e a remuneração de quem detém os direitos sobre as obras.

🧩 Uma mudança de público não resolve essa questão: mesmo que o Sora passe a ser oferecido principalmente a profissionais, será necessário esclarecer quais conteúdos podem ser utilizados, sob quais condições e com quais garantias.

Um modelo destinado à produção cinematográfica poderia aproximar a tecnologia de contratos de licenciamento e fluxos de trabalho controlados. Mas essa é uma possibilidade estratégica, não um resultado confirmado das negociações.

💰 E o acordo com a Disney?

O histórico do Sora também inclui uma negociação que chamou a atenção do setor de entretenimento.

Segundo o Tech Journal, um acordo de licenciamento de US$ 1 bilhão com a Disney, que envolveria mais de 200 personagens, acabou não se concretizando.

O episódio ilustra a dificuldade de conciliar o potencial comercial da geração de vídeos com as exigências das grandes empresas de entretenimento. Elas podem ter interesse em novas formas de produção e distribuição, mas também precisam proteger seus catálogos, suas marcas e seus modelos de negócio.

Uma eventual parceria com uma startup poderia oferecer à OpenAI outra maneira de explorar o Sora. Ainda assim, não há confirmação de que o novo acordo envolva a Disney ou qualquer outro grande estúdio.

🚀 O Sora acabou ou está mudando de endereço?

A possível negociação sugere que o encerramento do aplicativo não precisa significar o abandono definitivo da tecnologia. A OpenAI pode estar avaliando uma abordagem mais especializada, na qual o valor do Sora estaria menos na quantidade de vídeos compartilhados e mais na sua utilidade para a produção profissional.

Por enquanto, porém, é importante separar a possibilidade do fato confirmado: as negociações foram relatadas pelo The Information, mas a OpenAI não anunciou um acordo nem revelou os planos concretos para o futuro do modelo.

Se essa estratégia avançar, a próxima etapa será entender como a empresa pretende atender às exigências de Hollywood sem repetir os conflitos que acompanharam o lançamento do Sora 2. Afinal, no cinema, criar uma cena convincente é apenas parte do trabalho. Também é preciso saber se todos os envolvidos têm o direito de colocá-la na tela.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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