Principais destaques
- OpenAI afirma a investidores que seus agentes de IA podem substituir plataformas como Salesforce, Adobe e Workday
- Mercado de software empresarial já perdeu mais de US$ 1 trilhão em valor desde o início do ano
- Atlassian é uma das mais impactadas, mas CEO diz que IA é oportunidade e não ameaça
A OpenAI elevou o tom em sua conversa com investidores e colocou em xeque o futuro das gigantes de software corporativo.
Segundo informações publicadas pelo The Information, executivos da empresa afirmaram que seus agentes de inteligência artificial estão prontos para assumir funções hoje desempenhadas por plataformas como Salesforce, Adobe, Workday, Slack e Atlassian.
A declaração acontece no momento em que a OpenAI negocia uma rodada de financiamento que pode ultrapassar US$ 100 bilhões e projeta receitas de US$ 30 bilhões já em 2026, com ambição de alcançar US$ 280 bilhões até 2030.
O impacto no mercado foi imediato e aprofundou uma crise que investidores passaram a chamar de SaaSpocalipse.
O avanço dos agentes corporativos
O estopim recente foi o lançamento da plataforma Frontier, da OpenAI, e do Claude Cowork, da rival Anthropic.
Ambas foram desenhadas para permitir que agentes de IA executem tarefas completas dentro de sistemas empresariais, como CRM, atendimento ao cliente e recursos humanos, de forma autônoma.
A proposta é simples e disruptiva: se um agente consegue realizar fluxos de trabalho sozinho, a necessidade de múltiplos usuários humanos acessando o sistema diminui.
Esse movimento ameaça diretamente o modelo tradicional de cobrança por licença individual, que sustentou o crescimento do software como serviço nas últimas duas décadas.
O receio de uma chamada compressão de assentos fez ações de empresas do setor despencarem. A Salesforce acumula queda próxima de 40% em relação às máximas de 2025, enquanto a Adobe recuou mais de 25% apenas neste ano.
Atlassian no centro da turbulência
Entre as empresas mais afetadas está a Atlassian, criadora do Jira e do Confluence. Em 2026, suas ações já caíram cerca de 39%, acumulando perda aproximada de 78% em 12 meses.
O valor de mercado encolheu drasticamente, saindo de quase US$ 81 bilhões em janeiro de 2025 para cerca de US$ 18 bilhões.
Mesmo após divulgar resultados sólidos, incluindo seu primeiro trimestre com US$ 1 bilhão em receita de nuvem e crescimento anual de 23%, o mercado manteve a pressão.
O CEO Mike Cannon-Brookes rebateu a narrativa pessimista e afirmou que a inteligência artificial representa uma das maiores oportunidades da história da companhia.
Segundo ele, a plataforma agêntica Rovo já soma cinco milhões de usuários, e as margens brutas seguem em expansão mesmo com o aumento dos investimentos em IA.
Uma aposta bilionária no futuro
Os números apresentados pela OpenAI reforçam a dimensão da aposta. A empresa declarou receita de US$ 13,1 bilhões em 2025, acima da meta inicial de US$ 10 bilhões. Até 2030, a expectativa é equilibrar receitas entre consumidores e empresas.
Ao mesmo tempo, a companhia revisou seus planos de investimento em infraestrutura computacional para cerca de US$ 600 bilhões até o fim da década, abaixo das estimativas anteriores que ultrapassavam US$ 1,4 trilhão.
A nova rodada pode avaliar a OpenAI em aproximadamente US$ 730 bilhões antes do aporte, com apoio de investidores estratégicos como SoftBank, Amazon e possivelmente Nvidia.
Ainda assim, executivos da própria OpenAI reconhecem que não pretendem substituir todo o ecossistema. A ideia é oferecer uma base para que outras empresas desenvolvam e implementem seus próprios agentes dentro da plataforma Frontier.
Enquanto parte do mercado aposta no declínio do software tradicional, líderes como Cannon-Brookes defendem que o setor está apenas atravessando uma fase de ruído intenso.
No centro dessa disputa está uma pergunta que vale centenas de bilhões de dólares: a IA será complemento ou substituta definitiva do software corporativo como conhecemos?
