OpenAI confirma família de dispositivos com IA e revela visão para substituir computadores tradicionais

Renê Fraga
9 min de leitura

Principais destaques

  • A OpenAI confirmou que está desenvolvendo uma família de dispositivos criados especificamente para a era da inteligência artificial.
  • Greg Brockman acredita que voz, agentes inteligentes e interfaces invisíveis substituirão boa parte da interação atual com computadores.
  • A empresa também comentou o processo envolvendo a Apple, os planos para chips próprios e as mudanças que transformarão o ChatGPT em uma plataforma unificada.

A OpenAI deu um dos sinais mais claros até agora de que pretende disputar espaço não apenas no mercado de inteligência artificial, mas também no de hardware.

Em entrevista publicada no canal da jornalista Joanna Stern, o presidente da empresa, Greg Brockman, confirmou que a companhia trabalha em uma família de dispositivos desenvolvidos para interagir de forma natural com seus modelos de IA.

Embora tenha evitado revelar quais serão esses produtos, Brockman afirmou que eles chegarão “em breve” e representarão uma nova forma de utilizar inteligência artificial no cotidiano.

A declaração reforça meses de rumores sobre a entrada da OpenAI no segmento de dispositivos físicos, um movimento que pode colocar a empresa em competição direta com gigantes como Apple, Google, Amazon e Meta.

A estratégia faz sentido diante da evolução dos modelos de IA. Nos últimos anos, a OpenAI transformou o ChatGPT em muito mais do que um chatbot. Hoje a plataforma reúne pesquisa na web, geração de imagens, análise de arquivos, programação, agentes capazes de executar tarefas e recursos multimodais.

Para a empresa, o próximo passo parece ser criar um hardware pensado desde o início para explorar todo esse potencial, sem depender das limitações impostas por smartphones e computadores atuais.

Uma nova geração de dispositivos para a inteligência artificial

Apesar da confirmação, Brockman não respondeu diretamente aos rumores de que um dos primeiros produtos será um alto-falante inteligente previsto para chegar ao mercado em 2027.

As especulações ganharam força depois que a OpenAI anunciou a aquisição da startup de hardware criada por Jony Ive, lendário designer responsável pelo visual de produtos icônicos da Apple, como iPhone, iMac e iPod. Desde então, diversas publicações internacionais apontam que as empresas trabalham em um dispositivo totalmente novo, criado especificamente para a inteligência artificial.

Entre os rumores mais recorrentes estão um pequeno equipamento doméstico sem tela, um dispositivo portátil que pode ser carregado junto ao corpo e até acessórios de áudio capazes de oferecer assistência contextual durante todo o dia. Nenhuma dessas informações foi confirmada oficialmente pela OpenAI.

O executivo apenas reforçou que a companhia está desenvolvendo produtos pensados para “a era da IA” e que eles serão capazes de oferecer valor continuamente por meio da evolução dos modelos de inteligência artificial.

Outro ponto importante citado por Brockman é que a OpenAI também está investindo no desenvolvimento de chips próprios. Essa estratégia segue o caminho adotado por empresas como Google, Apple, Amazon e Microsoft, que passaram a criar processadores especializados para reduzir custos, aumentar desempenho e diminuir a dependência de fornecedores externos.

A OpenAI já revelou anteriormente que utiliza seus próprios modelos para otimizar projetos de chips, encontrando melhorias que levariam semanas para serem identificadas por engenheiros humanos.

A visão da OpenAI para o futuro da computação

Durante a entrevista, Brockman fez uma experiência curiosa. Ele perguntou ao próprio ChatGPT como imaginava o primeiro dispositivo criado pela OpenAI.

A resposta descreveu um equipamento praticamente invisível para o usuário, funcionando de maneira ambiente, sem exigir atenção constante e priorizando interações por voz, embora sem depender exclusivamente delas. O sistema também destacou que um dos pilares desse produto deveria ser a privacidade.

A resposta chamou atenção porque resume justamente aquilo que a OpenAI parece perseguir: fazer com que a inteligência artificial deixe de ser um aplicativo e passe a funcionar como uma presença constante, capaz de entender contexto, antecipar necessidades e agir quando necessário.

Segundo Brockman, a interação por voz deverá substituir grande parte da digitação utilizada atualmente.

Na visão do executivo, conversar com computadores será muito mais natural do que abrir aplicativos, navegar por menus e preencher formulários. Ele chegou a afirmar que, no futuro, a maior parte das atividades realizadas em dispositivos digitais acontecerá por meio da fala.

Essa mudança também exigirá soluções para ambientes compartilhados. Brockman mencionou até mesmo máscaras acústicas capazes de impedir que outras pessoas escutem conversas com assistentes de IA, mostrando que a OpenAI já considera desafios práticos para esse novo modelo de interação.

Além disso, o executivo afirmou que a empresa trabalha em mecanismos que permitam oferecer garantias verificáveis de privacidade aos usuários, especialmente em recursos como conversas temporárias do ChatGPT.

Processo da Apple e o futuro do ChatGPT

Outro tema abordado foi o processo movido pela Apple contra a OpenAI. A ação acusa a empresa de utilizar informações confidenciais obtidas durante entrevistas de emprego realizadas com profissionais da fabricante do iPhone.

Brockman negou qualquer interesse em segredos comerciais de concorrentes e afirmou que a OpenAI desenvolve seus produtos com base em sua própria capacidade de inovação.

Como o caso ainda tramita na Justiça, o executivo preferiu não comentar detalhes sobre a disputa.

Ele também respondeu às críticas envolvendo a recente integração entre o ChatGPT e o Codex no aplicativo para desktop.

A mudança desagradou parte dos usuários, que passaram a relatar dificuldades para encontrar funções tradicionais, como o histórico de conversas e ferramentas já conhecidas da plataforma.

Brockman reconheceu que a interface atual “está meio bagunçada”, mas explicou que isso representa apenas uma fase de transição. Segundo ele, a OpenAI está promovendo uma das maiores mudanças da história do ChatGPT ao transformar um simples assistente conversacional em uma plataforma completa de agentes inteligentes.

A expectativa é eliminar gradualmente divisões como a aba Work, incorporando todos os recursos diretamente ao fluxo principal do ChatGPT. A ideia é que o usuário não precise mais decidir qual ferramenta utilizar. Em vez disso, a inteligência artificial identificará automaticamente a melhor forma de executar cada tarefa, tornando a experiência muito mais simples e intuitiva.

Mesmo com as críticas ao redesign, Brockman afirmou que a integração acelerou significativamente a adoção do Codex. Segundo ele, a base de usuários dobrou em poucos dias, passando de aproximadamente 5 milhões para cerca de 10 milhões de pessoas.

Embora tenha admitido que esse crescimento foi impulsionado pela incorporação do serviço ao ChatGPT, o executivo afirmou que esse sempre foi o objetivo da OpenAI: levar agentes inteligentes para centenas de milhões de usuários, transformando o ChatGPT em uma plataforma capaz de executar tarefas complexas de forma natural.

As declarações reforçam uma mudança importante na estratégia da empresa. Depois de liderar a corrida pelos modelos de linguagem, a OpenAI agora pretende controlar também a forma como as pessoas acessam essa tecnologia.

Se os planos se concretizarem, a próxima grande disputa da indústria pode deixar de ser apenas entre modelos de IA e passar a envolver uma nova geração de dispositivos criados especificamente para convivermos com assistentes inteligentes durante todo o dia.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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