Meta e Apple se unem para rodar IA aberta no Mac Studio, mas há um detalhe: o custo

Renê Fraga
9 min de leitura
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Principais destaques

  • IA no próprio computador: o Muse Spark Open, da Meta, poderá rodar localmente nos computadores Mac Studio, sem depender de servidores remotos para executar o modelo.
  • Hardware de alto desempenho: a execução exige bastante memória e pode envolver vários Macs conectados, com configurações que ultrapassam US$ 40 mil.
  • Uma parceria inesperada: Meta e Apple unem forças em um projeto de IA aberta, apesar de anos de atritos envolvendo privacidade e publicidade digital.

A Meta e a Apple estão colaborando para levar modelos de inteligência artificial com pesos abertos aos computadores Mac Studio. A iniciativa permite que desenvolvedores executem o Muse Spark Open diretamente em seu próprio hardware, abrindo espaço para aplicações de programação e agentes de IA sem depender continuamente de infraestrutura remota.

A parceria chama atenção por dois motivos. O primeiro é técnico: executar modelos avançados localmente exige muita memória e capacidade de processamento. O segundo é estratégico: Meta e Apple, empresas que passaram anos em lados opostos de disputas sobre privacidade e publicidade, agora trabalham juntas em um projeto de inteligência artificial.

🤝 O que cada empresa está colocando na mesa?

A Meta disponibiliza os pesos do Muse Spark Open, os parâmetros que permitem executar, adaptar e personalizar o modelo. Os arquivos estão disponíveis no Hugging Face, no Amazon SageMaker AI e no Google Cloud Model Garden, segundo as informações divulgadas pela Bloomberg.

O modelo foi desenvolvido para tarefas de programação e sistemas de agentes de IA. Ele, porém, não representa o nível mais avançado da tecnologia da Meta.

A empresa mantém o Muse Wonder, apresentado no início da mesma semana, como um modelo fechado mais avançado.

🍎 A contribuição da Apple: a fabricante adaptou seu conjunto de ferramentas de software MLX para melhorar a execução do modelo nos Macs. O framework permite combinar vários computadores Apple para trabalhar em uma única tarefa de IA.

Isso significa que o projeto não se limita a instalar um aplicativo em um Mac. A proposta envolve aproveitar a memória e o processamento de máquinas de alto desempenho para executar modelos que seriam grandes demais para muitos computadores pessoais.

💸 O preço da IA local é alto

Executar inteligência artificial sem depender de servidores remotos tem vantagens potenciais, mas existe uma barreira importante: o custo do equipamento.

As configurações necessárias variam conforme a fonte consultada.

Configuração mencionadaRequisito ou custo
Mac Studio com M5 Ultra e 256 GB de memóriaA partir de US$ 10.799
Configuração com vários Mac StudioA CNBC menciona a combinação de dois a quatro computadores
Configuração citada pelo The Wall Street JournalPelo menos 1 TB de memória combinada, com custo superior a US$ 40 mil

A Bloomberg também informou que a Meta trabalhou com a Apple para permitir a execução do modelo em dois Mac Studio com M5 Ultra. As diferenças entre os relatos indicam que os requisitos dependem da configuração considerada.

💡 A IA pode ser aberta, mas não necessariamente acessível. Ter acesso aos pesos de um modelo não significa conseguir executá-lo com eficiência em um computador doméstico.

Para desenvolvedores, laboratórios e empresas que precisam experimentar modelos localmente, o investimento pode fazer sentido. Para o usuário comum, o custo do hardware continua sendo um obstáculo considerável.

🔐 Por que executar a IA localmente importa?

Quando um modelo roda no próprio computador, parte do processamento pode acontecer sem enviar os dados da tarefa a um serviço remoto de IA.

Isso pode ser relevante para quem trabalha com código proprietário, documentos internos e outros materiais sensíveis. Também oferece mais controle sobre o ambiente de execução.

Mas há uma ressalva: rodar um modelo localmente não garante privacidade ou segurança por si só. O resultado depende do software utilizado, das conexões externas, das permissões concedidas e de como os dados são armazenados.

No caso do Muse Spark Open, a proposta combina a disponibilidade dos pesos com a capacidade de processamento dos Macs. É uma alternativa ao modelo tradicional de acessar a IA exclusivamente por meio de serviços hospedados na nuvem.

🧠 “A maior parte da IA do mundo rodará em modelos abertos”

Alexandr Wang, diretor de inteligência artificial da Meta, destacou a importância estratégica dessa abordagem em entrevista à Bloomberg.

“A maior parte da IA do mundo rodará em modelos abertos. Eles devem ser americanos.”

A declaração reforça a visão da Meta de ampliar a presença de modelos cujos pesos podem ser acessados por desenvolvedores. Isso não significa, contudo, que todos os modelos da empresa serão abertos: o Muse Wonder, por exemplo, continua sendo uma alternativa fechada e mais avançada, segundo o relato.

A distinção importa. Disponibilizar pesos permite maior controle sobre a execução e a personalização, mas não equivale necessariamente a liberar todo o código, os dados de treinamento e os processos usados para construir um modelo.

🤔 Uma aproximação depois de anos de atritos

A parceria também tem uma dimensão empresarial.

As mudanças de privacidade introduzidas pela Apple em 2021 limitaram recursos de rastreamento utilizados na publicidade digital. A Meta estimou que o impacto dessas mudanças representaria uma perda de receita de US$ 10 bilhões em 2022.

Desde então, as duas empresas mantiveram interesses frequentemente conflitantes em áreas como privacidade, publicidade e controle das plataformas.

Agora, a colaboração em IA mostra que concorrentes podem encontrar pontos de convergência quando existe uma oportunidade tecnológica relevante.

📈 O momento também chama atenção: a notícia surge na mesma semana em que as ações da Apple fecharam acima de US$ 5 trilhões em valor de mercado pela primeira vez, na quarta-feira, enquanto as ações da Meta recuaram 3,27%, segundo o texto da Quartz.

John Ternus assumiu o cargo de CEO da Apple em 1º de setembro, sucedendo Tim Cook. Ainda não está claro se a colaboração com a Meta representa o início de uma relação mais profunda entre as companhias. Representantes das duas empresas não quiseram comentar essa possibilidade à CNBC.

O próximo passo pode ir além do Mac Studio

A iniciativa coloca em evidência uma disputa importante no setor: quem controla a infraestrutura em que a inteligência artificial é executada?

Modelos abertos e execução local podem ampliar as opções de desenvolvedores que desejam reduzir a dependência de serviços em nuvem. Ao mesmo tempo, os requisitos de memória e o preço dos equipamentos mostram que essa liberdade ainda tem um custo elevado.

Se a parceria evoluir, a questão será descobrir se a combinação entre modelos abertos e hardware especializado continuará restrita a máquinas caras ou se, com o tempo, chegará a computadores mais acessíveis.

Por enquanto, Meta e Apple estão testando uma possibilidade interessante: levar parte do poder da IA para mais perto de quem a utiliza, mesmo que essa proximidade ainda custe dezenas de milhares de dólares.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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