JPMorgan vê o Muse, da Meta, como possível rival do ChatGPT

Renê Fraga
9 min de leitura

Principais destaques

  • Meta ganhou novo preço-alvo: JPMorgan elevou a projeção para as ações da empresa de US$ 820 para US$ 920, mantendo recomendação de overweight.
  • Muse está acelerando: o agente de IA já se conectou a mais de 2.000 aplicativos e fechou parcerias com Walmart, Best Buy, Sephora e Wayfair.
  • Um novo modelo de negócio: JPMorgan avalia que a Meta poderá monetizar interações realizadas pelo Muse por meio de comissões, além da publicidade tradicional.

A aposta da Meta deixou de ser apenas uma demonstração

A Meta Platforms saiu do palco do Connect com algo que vai além de uma nova demonstração de inteligência artificial: uma aposta crescente de Wall Street em seu agente de IA, o Muse.

O JPMorgan elevou o preço-alvo das ações da Meta de US$ 820 para US$ 920, segundo informações citadas pela CNBC. O banco manteve sua classificação de overweight para os papéis.

A mudança veio logo depois da apresentação do Muse durante o Meta Connect 2026.

📈 E o mercado já vinha acelerando: as ações da Meta acumulavam alta de aproximadamente 30% no mês até então e quase 13% no ano.

No pré-mercado de quinta-feira, porém, os papéis eram negociados a US$ 729,59, queda de cerca de 2%.

JPMorgan enxergou algo maior no Muse 👀

Para o analista Doug Anmuth, da JPMorgan, o desenvolvimento do Muse merece atenção porque o agente pode se transformar em uma ferramenta de uso cotidiano para uma escala gigantesca.

Segundo Anmuth, a Meta está avançando em direção à chamada superinteligência e o Muse estaria começando sua trajetória com evolução rápida, expansão de recursos e integração com diferentes serviços.

A comparação mais importante veio justamente daí.

“O Muse tem potencial para se tornar o aplicativo de IA para consumidores mais utilizado desde o ChatGPT”, avaliou o analista.

É uma afirmação sobre potencial, não sobre algo que já aconteceu. O produto foi lançado apenas no início deste mês.

O que o Muse já conseguiu fazer

Mesmo em estágio inicial, a Meta começou a construir uma espécie de ecossistema ao redor do agente.

Nas primeiras duas semanas, o Muse teria se conectado a mais de 2.000 aplicativos.

E algumas das integrações envolvem grandes empresas de varejo:

• Walmart
• Best Buy
• Sephora
• Wayfair

A lógica é importante. Em vez de funcionar apenas como um chatbot que responde perguntas, o Muse começa a ganhar acesso a serviços que permitem transformar uma conversa em uma ação.

🔌 Os conectores são a peça central: o JPMorgan considera que as conexões com aplicativos e as APIs abertas podem ser apenas o primeiro passo para trazer empresas para dentro do ecossistema do Muse.

Isso aproxima o produto de uma ideia que está ganhando força no setor de IA: o agente que não apenas informa, mas executa tarefas em nome do usuário.

E aí aparece a oportunidade de ganhar dinheiro 💰

Para a Meta, essa mudança pode abrir uma nova fonte de receita.

A publicidade continua sendo o coração do modelo de negócios da empresa. Mas um agente capaz de interagir com lojas, serviços e aplicativos cria outra possibilidade.

Imagine uma pessoa pedindo ao Muse para encontrar determinado produto, comparar opções e realizar uma compra. Se o agente estiver conectado ao varejista, a Meta poderia participar economicamente dessa transação.

Anmuth mencionou justamente essa possibilidade ao falar em uma monetização baseada em take rate ou comissão, semelhante a outros modelos utilizados por plataformas digitais.

Isso mudaria a natureza econômica do produto.

Em vez de apenas vender anúncios ao redor da atenção do usuário, a Meta poderia eventualmente ganhar dinheiro com ações realizadas pelo próprio agente.

O detalhe que pode ser mais importante que o chatbot

Esse movimento coloca o Muse em uma disputa diferente daquela travada apenas entre modelos de linguagem.

ChatGPT, Gemini, Claude e outros sistemas competem pela qualidade das respostas. Agentes acrescentam outra dimensão: quem consegue fazer mais coisas pelo usuário?

É aí que conectores, APIs e integrações passam a importar tanto quanto o modelo de IA.

O Muse Spark, modelo multimodal que alimenta o agente, é apenas uma parte dessa equação. A outra é a infraestrutura que permite ao sistema interagir com o mundo digital.

🧩 A estratégia parece ser de ecossistema: quanto mais aplicativos estiverem conectados ao Muse, mais situações poderão ser resolvidas sem que o usuário precise abandonar o agente.

A Meta tem uma vantagem óbvia: escala

Há outro elemento por trás do entusiasmo do JPMorgan.

A Meta controla algumas das maiores plataformas digitais do planeta, incluindo Instagram, Facebook e WhatsApp. Isso significa que um agente bem integrado poderia, em tese, encontrar uma audiência gigantesca.

Foi justamente essa possibilidade de distribuição que ajudou a alimentar a avaliação de Anmuth.

O analista descreveu o objetivo como colocar um agente pessoal extremamente capaz nas mãos de bilhões de usuários.

Mas existe uma diferença importante entre ter bilhões de usuários potenciais e fazer com que essas pessoas adotem um novo agente como ferramenta principal.

Wall Street já está olhando para a Meta de perto 📊

A visão positiva do JPMorgan não está isolada.

Segundo dados da LSEG citados pela CNBC, 57 dos 63 analistas que acompanham a Meta mantêm classificações de compra ou compra forte.

O desempenho recente das ações também chama atenção:

IndicadorMeta
Alta no ano~13%
Alta em setembro~30%
Preço-alvo JPMorganUS$ 920
Preço-alvo anteriorUS$ 820

O salto de setembro colocaria a ação no caminho de seu maior avanço mensal desde julho de 2013, quando subiu 48%.

Isso ajuda a explicar por que o Muse passou rapidamente de novidade de produto para tema de análise financeira.

Mas ainda existe uma enorme incógnita

O entusiasmo acontece justamente quando o produto ainda está nos primeiros dias.

O Muse precisa provar que consegue transformar demonstrações impressionantes em uso recorrente.

Também será necessário entender como os usuários reagirão à ideia de entregar ao agente acesso a diferentes aplicativos e serviços, especialmente quando dinheiro, compras e dados pessoais estiverem envolvidos.

E existe uma pergunta ainda maior: quantas pessoas realmente vão querer um agente fazendo tarefas por elas em vez de simplesmente conversar com um chatbot?

🤖 O próximo estágio da disputa de IA pode não ser responder melhor. Pode ser agir melhor.

Se o Muse conseguir transformar a enorme distribuição da Meta em uso cotidiano, a empresa terá encontrado uma maneira de levar a IA para muito além de uma janela de conversa.

Por enquanto, porém, o produto ainda está no começo da corrida. O que o JPMorgan está precificando é justamente a possibilidade de que esse começo se transforme em uma plataforma de escala global.

A aposta agora é descobrir se o Muse será apenas mais um agente de IA ou se conseguirá ocupar um espaço que, até aqui, o ChatGPT ajudou a definir.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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