Principais destaques
- Modelos de IA alcançaram nível de concordância próximo ao de especialistas ao analisar comunicação empática Desempenho das IAs foi muito superior ao de pessoas sem treinamento
- Pesquisa abre caminho para uso da IA no treinamento de profissionais que lidam com pessoas
Um novo estudo da Northwestern University, publicado na revista Nature Machine Intelligence, revelou que grandes modelos de linguagem conseguem avaliar a empatia em conversas escritas com um grau de confiabilidade próximo ao de especialistas humanos treinados.
O resultado surpreende e aponta para um uso promissor da inteligência artificial no desenvolvimento de habilidades de comunicação.
A pesquisa foi liderada por Matthew Groh, professor assistente da Kellogg School of Management, e comparou o desempenho de três modelos de ponta com especialistas e pessoas comuns.
Modelos de IA quase no mesmo nível dos especialistas
O estudo colocou à prova três sistemas amplamente conhecidos: Gemini 2.5 Pro, ChatGPT 4o e Claude 3.7 Sonnet. Eles foram avaliados ao lado de especialistas treinados e centenas de participantes sem formação específica.
Os pesquisadores analisaram 200 conversas por texto nas quais uma pessoa relatava um problema pessoal e outra oferecia apoio. No total, foram coletadas mais de 9 mil avaliações, considerando critérios como incentivar a pessoa a falar mais e demonstrar compreensão genuína.
O resultado mostrou que a concordância entre os modelos de IA e os especialistas atingiu um índice kappa ponderado mediano de 0,60, um patamar considerado de confiabilidade substancial. Em termos simples, isso significa que as IAs chegaram a conclusões muito semelhantes às dos profissionais treinados, superando com folga o desempenho das pessoas sem formação na área.
Empatia pode ser treinada e a IA pode ajudar
Para os autores, o achado reforça a ideia de que empatia não é apenas um traço natural, mas também uma habilidade que pode ser aprendida e aperfeiçoada.
Segundo Groh, os modelos de linguagem se destacam porque foram treinados com enormes volumes de dados humanos, incluindo inúmeras tentativas de comunicação empática. Isso permite que reconheçam padrões, expressões e estruturas linguísticas associadas à validação emocional.
Na prática, os pesquisadores acreditam que ferramentas baseadas em IA podem auxiliar na formação de psicólogos, professores, médicos e profissionais de atendimento ao cliente. Ao atuar como avaliadores de interações, esses sistemas poderiam oferecer feedback estruturado e consistente, ajudando a aprimorar a comunicação interpessoal.
O alerta sobre o uso como companheiros emocionais
Apesar do potencial positivo, o estudo também faz um alerta importante. Muitos produtos de IA vêm sendo posicionados como companheiros emocionais, o que pode estimular respostas excessivamente agradáveis ou validações superficiais, apenas para aumentar o engajamento.
Os pesquisadores defendem que o uso mais responsável desses sistemas seria como avaliadores, e não substitutos de relações humanas. Nesse papel, a IA poderia contribuir com transparência e responsabilidade, sem invadir a privacidade do conteúdo das conversas.
A conclusão do estudo traz uma reflexão provocativa: talvez possamos aprender com a inteligência artificial a nos comunicarmos de forma mais humana. Afinal, esses sistemas foram treinados com base em dados produzidos por pessoas. Se bem utilizados, podem ajudar a criar interações em que mais indivíduos se sintam ouvidos, compreendidos e valorizados.
