Ferramentas de IA pirateadas podem inaugurar a era dos ataques-relâmpago

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • Versões crackeadas de ferramentas de IA voltadas à segurança podem impulsionar ataques cibernéticos em 2026.
  • Estudos mostram que cerca de 45% do código gerado por IA contém falhas de segurança.
  • O histórico do Cobalt Strike acende o alerta para o futuro das ferramentas de IA nas mãos erradas.

Pesquisadores de segurança cibernética lançaram um alerta que ecoou forte nesta semana: ferramentas de hacking baseadas em inteligência artificial, versões quebradas de softwares legítimos, estão prestes a se espalhar pela deep web em 2026.

O que antes era privilégio de red teams e especialistas em pentest pode, em breve, cair nas mãos de grupos criminosos.

A ameaça é clara: se as versões pirateadas dessas ferramentas seguirem o mesmo caminho do famoso Cobalt Strike, uma ferramenta legítima que se tornou sinônimo de abuso por cibercriminosos, o mundo digital pode estar prestes a enfrentar ataques com uma velocidade e precisão inéditas.

Esses instrumentos de IA são projetados para testar defesas, descobrir brechas e sugerir formas de correção. Mas, nas mãos erradas, esse poder muda de propósito, da defesa para o ataque.

Pesquisadores alertam que o tempo médio para invasores encontrarem e explorarem vulnerabilidades já caiu de 48 minutos em 2024 para apenas 18 minutos em 2025, graças à incorporação de tecnologias de IA em operações de ransomware-as-a-service.


Quando a IA supera os próprios hackers humanos

As plataformas de pentest impulsionadas por inteligência artificial estão se tornando mais eficientes do que especialistas humanos.

Ferramentas como Xbow, já líderes em competições de bug bounty, provaram ser capazes de identificar vulnerabilidades complexas, desde falhas de execução remota de código até brechas de injeção SQL, com uma taxa de sucesso impressionante.

Em fóruns clandestinos, desenvolvedores estão sendo recrutados para criar versões ilegais dessas IAs, expandindo o alcance da cibercriminalidade automatizada.

O cenário é preocupante: o ciclo que começa com uma tecnologia de segurança inovadora e termina em abuso criminoso parece se repetir, como um eco sombrio da história do Cobalt Strike.

Pesquisadores da ReliaQuest afirmam que o próximo ano pode marcar um ponto de inflexão, com ataques sendo executados na escala e velocidade de máquinas, não mais de humanos.


Falhas no DNA do código gerado por IA

O desafio não se limita apenas ao uso indevido de ferramentas de segurança.

Uma pesquisa recente da Veracode, que examinou mais de 100 modelos de linguagem em 80 tarefas de programação, revelou que 45% do código produzido por IA contém vulnerabilidades de segurança.

Linguagens como Java apresentaram os piores resultados, com 72% de código inseguro, seguidas por Python, C# e JavaScript, com taxas entre 38% e 45%.

O que expõe um risco crítico: a própria IA que promete proteger sistemas pode estar gerando o próximo vetor de ataque.

A situação é ainda mais delicada no ecossistema de código aberto, onde mais da metade dos 12 milhões de projetos é mantida por voluntários.

Em 2025, houve casos de desenvolvedores que, vítimas de phishing, acabaram permitindo o upload de código malicioso em bibliotecas amplamente utilizadas, impactando centenas de aplicativos e milhões de usuários.

Enquanto isso, grupos de ransomware como Qilin, Akira e DragonForce continuam a evoluir — alguns operando de forma aberta e agressiva, outros preferindo o silêncio estratégico para escapar da vigilância das autoridades.

É um lembrete de que a extensa inteligência das máquinas pode ser uma benção ou uma ameaça, dependendo de quem segura o volante.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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