Ferramenta gratuita remove o Apple Intelligence do macOS 27 e recupera espaço no SSD

Renê Fraga
9 min de leitura

Principais destaques

  • Apple Intelligence fora do Mac: o RemoveMacAI desativa os recursos de IA e remove os modelos baixados pelo macOS.
  • Até 12 GB de volta: a ferramenta pode liberar uma quantidade significativa de armazenamento, especialmente em Macs com SSD de 256 GB.
  • Há um porém: o método depende de chaves de restrição da Apple que podem deixar de funcionar em futuras atualizações do sistema.

Se você tem um Mac com pouco espaço livre, o Apple Intelligence pode estar ocupando uma fatia considerável do SSD mesmo depois de você desligar seus recursos.

É justamente essa sobra que o RemoveMacAI tenta eliminar. A ferramenta gratuita, de código aberto e executada pela linha de comando desativa o Apple Intelligence no macOS 27 e também remove os modelos de IA armazenados localmente.

A promessa do desenvolvedor, Om Lahore, é simples: desligar a IA e recuperar o espaço que continua ocupado por ela.

O botão sumiu. O espaço ficou 💾

A situação começou a ficar mais complicada no macOS 26.

A Apple retirou o antigo botão único que permitia desligar o Apple Intelligence. No macOS 27, o usuário consegue desativar recursos individualmente, mas isso não necessariamente remove os modelos de IA que já foram baixados para o computador.

Na prática, é como desligar vários aparelhos de uma casa e descobrir que eles continuam ocupando espaço na garagem.

📦 O problema é o armazenamento: a Apple afirma que os recursos mais recentes podem exigir até 14 GB em Macs com chip M3 ou posterior e pelo menos 12 GB de memória.

E há casos em que o número é ainda maior.

O MacRumors já registrou Macs que mostravam mais de 30 GB reservados para o Apple Intelligence. Em outro teste, o AppleInsider conseguiu reduzir em 24,5 GB o indicador relacionado à IA, embora o espaço livre efetivamente recuperado tenha sido de aproximadamente 14 GB.

Isso acontece porque o macOS pode levar algum tempo para atualizar os números exibidos no painel de armazenamento.

É aí que entra o RemoveMacAI 🧹

O projeto, lançado na semana passada, rapidamente chamou atenção no GitHub e já acumulou centenas de estrelas.

A proposta não é simplesmente apagar uma pasta escondida do sistema. A ferramenta utiliza mecanismos de gerenciamento oferecidos pelo próprio macOS.

Para começar, o usuário pode instalar o RemoveMacAI usando um comando curl ou pelo Homebrew.

Depois, o programa identifica os recursos de Apple Intelligence disponíveis e solicita confirmação antes de continuar.

E o macOS ainda precisa dar o último ok 🔐

Em determinado momento, a ferramenta abre os Ajustes do Sistema para que o usuário aprove pessoalmente um perfil de configuração.

Isso é importante porque o macOS exige que essa autorização seja feita pelo próprio usuário.

O perfil utiliza chaves de restrição da própria Apple relacionadas ao Apple Intelligence. Depois disso, a ferramenta consegue atuar sobre os componentes de IA sem simplesmente modificar arquivos protegidos do sistema.

💡 A ideia central é interessante: remover a IA sem precisar desligar as proteções de segurança do macOS.

Nada de mexer diretamente no /System

Segundo o desenvolvedor, o RemoveMacAI remove os modelos utilizando o serviço de ativos da Apple.

Com isso, a Proteção de Integridade do Sistema (SIP) permanece ativada e a ferramenta não precisa modificar diretamente o diretório /System.

Há ainda outro detalhe importante.

Para evitar que o macOS baixe novamente os modelos, o perfil direciona esses downloads para uma porta local fechada. Segundo Lahore, essa configuração também sobrevive às atualizações do sistema.

O projeto ainda oferece recursos para quem prefere controlar melhor o processo:

• modo dry-run, que permite visualizar as mudanças antes de aplicá-las;

• possibilidade de manter determinados recursos do Apple Intelligence ativados;

• comando de reversão, capaz de restaurar as configurações anteriores.

Mas o preço de remover a IA é alto 🤖

O RemoveMacAI não faz uma limpeza seletiva dos modelos mantendo todas as funções.

Ao remover os componentes necessários para o Apple Intelligence, diversos recursos deixam de funcionar.

Entre eles estão:

• Siri com Apple Intelligence;

• Ferramentas de Escrita;

• Genmoji;

• Image Playground;

• integração do ChatGPT;

• resumos;

• respostas inteligentes do Mail;

• previsões em linha;

• Limpeza do Fotos;

• Fotos Espaciais;

• preenchimento de código do Xcode.

A Inteligência Visual também deixa de funcionar, assim como aplicativos que utilizam o framework Foundation Models da Apple.

O ditado, por outro lado, continua funcionando.

Para quem alguns gigabytes valem ouro 💽

A ferramenta faz mais sentido para um perfil bastante específico.

Imagine um Mac com SSD de 256 GB, muitos aplicativos, fotos, documentos e arquivos de trabalho. Recuperar 10 GB ou mais pode fazer uma diferença real no dia a dia.

Em máquinas com armazenamento maior, o ganho talvez seja menos relevante.

Já para quem comprou um Mac com armazenamento limitado e não pode fazer upgrade depois, aqueles gigabytes deixam de ser um detalhe técnico e viram espaço para instalar aplicativos, guardar arquivos ou simplesmente evitar os constantes avisos de disco cheio.

📊 E os números não são tão simples: o tamanho exibido pelo macOS nem sempre corresponde exatamente ao espaço que será recuperado imediatamente.

O próprio desenvolvedor alerta que o sistema pode demorar para apagar os arquivos e atualizar os indicadores de armazenamento.

Só que existe uma pegadinha importante ⚠️

O RemoveMacAI depende de mecanismos de restrição da Apple.

E eles não são necessariamente permanentes.

O desenvolvedor afirma que a Apple descontinuou algumas das chaves utilizadas pela ferramenta no macOS 26.4. Elas continuam funcionando no macOS 27.0.1, mas isso pode mudar em uma atualização futura.

Ou seja, a ferramenta pode funcionar perfeitamente hoje e deixar de funcionar amanhã se a Apple modificar novamente a forma como o sistema controla o Apple Intelligence.

O MacRumors, por isso, não recomenda especificamente o uso da ferramenta e ressalta que quem decidir utilizá-la o faz por sua própria conta e risco.

Código aberto, sem telemetria segundo o criador 🔎

Outro ponto destacado pelo desenvolvedor é a privacidade.

Segundo Lahore, o RemoveMacAI não realiza requisições de rede nem coleta dados. O código é distribuído sob a licença MIT, permitindo que outras pessoas inspecionem e reutilizem o projeto dentro dos termos da licença.

Isso não elimina o risco de utilizar uma ferramenta que altera configurações do sistema, mas torna o projeto mais auditável do que uma solução fechada cuja operação interna o usuário simplesmente precisa aceitar.

E há uma questão maior por trás de tudo isso.

Afinal, quem decide quanto espaço a IA pode ocupar?

A Apple está colocando cada vez mais recursos de inteligência artificial diretamente no dispositivo. Isso traz vantagens de privacidade, desempenho e disponibilidade, mas também cria uma nova categoria de consumo de armazenamento.

Antes, o usuário se preocupava com fotos, vídeos, aplicativos e atualizações.

Agora precisa considerar também modelos de IA residentes no computador.

💡 O curioso é que o usuário pode querer desligar uma função, mas ainda assim precisar de uma ferramenta externa para recuperar completamente o espaço ocupado por ela.

Por enquanto, o RemoveMacAI funciona como uma espécie de botão que a Apple decidiu não oferecer diretamente no macOS 27.

Mas seu futuro depende justamente da empresa que criou o mecanismo que ele utiliza. Se uma próxima atualização fechar essa porta, o pequeno utilitário de código aberto poderá precisar encontrar outra.

E aí a disputa pelo espaço no SSD ganha um novo personagem: a própria Apple.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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