Principais destaques:
- Executivos de mídia esperam que o tráfego vindo de mecanismos de busca caia quase pela metade nos próximos três anos.
- A transformação dos buscadores em motores de resposta baseados em IA já reduz cliques e muda o papel do SEO tradicional.
- AEO e GEO surgem como estratégias centrais em um cenário onde visibilidade importa mais do que visitas diretas.
Um novo relatório do Reuters Institute aponta um cenário preocupante para o jornalismo digital.
De acordo com executivos de notícias ouvidos pelo estudo, o tráfego proveniente de mecanismos de busca deve cair, em média, 43% até 2029.
O principal motivo é a rápida evolução dos buscadores em plataformas orientadas por inteligência artificial, que entregam respostas prontas ao usuário sem a necessidade de clique.
Essa mudança estrutural afeta diretamente modelos de negócio baseados em audiência, publicidade e atribuição de valor. A lógica clássica do SEO, centrada em rankings e visitas, começa a perder eficácia em um ambiente dominado por respostas geradas por IA.
Buscadores deixam de ser portas de entrada
Os dados citados no relatório mostram que a queda já está em curso.
Informações da Chartbeat indicam que o tráfego orgânico global vindo da Google recuou 33% entre novembro de 2024 e novembro de 2025, chegando a 38% nos Estados Unidos.
Um dos fatores centrais são os AI Overviews, que aparecem no topo de cerca de 10% das buscas no país e aumentam significativamente o comportamento de zero clique.
Conteúdos utilitários, como previsão do tempo, guias de TV e horóscopos, estão entre os mais impactados, já que são facilmente resumidos por sistemas de IA. Em contrapartida, buscas por notícias duras ainda mostram alguma resiliência, ao menos por enquanto.
Do SEO clássico para AEO e GEO
Diante desse cenário, publishers e agências começam a reposicionar suas estratégias.
O relatório destaca o crescimento acelerado do Answer Engine Optimization e do Generative Engine Optimization, conhecidos como AEO e GEO. Na prática, isso significa adaptar conteúdos para serem compreendidos, citados e reutilizados por interfaces de IA, e não apenas ranqueados em links azuis.
Muitas empresas já sinalizam redução de investimentos em SEO tradicional e maior foco em distribuição dentro de plataformas de IA, como ChatGPT, Gemini e Perplexity. O desafio é que essas plataformas ainda geram pouco tráfego direto, o que exige novas métricas de valor.
Métricas, atribuição e novos modelos de receita
O relatório deixa claro que a discussão vai além de rankings.
Quando agentes de IA resumem conteúdos, executam tarefas e respondem perguntas completas, torna-se mais difícil definir o que é uma visita, como medir engajamento e como monetizar. Por isso, cresce o interesse por acordos de licenciamento, revenue share e negociações de destaque ou citação dentro dessas interfaces.
Ao mesmo tempo, surge uma nova pilha de KPIs. Indicadores como participação nas respostas, visibilidade de citações e lembrança de marca passam a ter peso semelhante ou até maior do que o número bruto de cliques.
No fundo, a mensagem é direta: o tráfego de busca não vai desaparecer, mas o clique deixa de ser o centro da estratégia. Em um mundo onde a IA se torna a interface principal, AEO, GEO e novas formas de atribuição deixam de ser opcionais e passam a ser parte essencial da estratégia moderna de visibilidade.







