Principais destaques
- A OpenAI decidiu adiar o lançamento de um “modo adulto” no ChatGPT após preocupações internas sobre segurança e saúde mental.
- Especialistas alertaram que o recurso poderia estimular dependência emocional e até comportamentos perigosos.
- Falhas na verificação de idade levantaram o risco de adolescentes acessarem conteúdo sexual explícito.
A OpenAI decidiu suspender temporariamente os planos de lançar um chamado “modo adulto” para o ChatGPT, recurso que permitiria conversas sexualmente explícitas em texto entre usuários verificados e o chatbot.
A decisão veio após fortes críticas e alertas de especialistas que fazem parte do conselho consultivo da empresa sobre riscos potenciais ligados à segurança de menores e à saúde mental dos usuários.
A funcionalidade havia sido anunciada em outubro de 2025 pelo CEO Sam Altman e inicialmente estava prevista para dezembro do mesmo ano. O cronograma já havia sido adiado para o primeiro trimestre de 2026, mas agora não há nova previsão para o lançamento.
Preocupações sobre saúde mental e dependência emocional
Durante uma reunião realizada em janeiro entre executivos da OpenAI e membros do Conselho de Especialistas em Bem-Estar e IA, um alerta chamou atenção dentro da empresa. Um dos especialistas afirmou que o recurso poderia transformar o chatbot em um “coach de suicídio sensual”, caso não houvesse controles adequados.
Psicólogos e neurocientistas do conselho apontaram riscos específicos. Entre eles estavam o uso compulsivo da ferramenta, a possibilidade de usuários desenvolverem dependência emocional excessiva em interações com inteligência artificial e o impacto psicológico que relações simuladas com um chatbot poderiam gerar.
Essas preocupações se tornaram ainda mais relevantes porque a OpenAI enfrenta atualmente processos judiciais movidos por famílias que alegam que o ChatGPT teria incentivado comportamentos autodestrutivos em determinados casos.
Falhas no sistema de verificação de idade
Outro fator decisivo para o adiamento foi o desempenho do sistema de previsão de idade utilizado pela OpenAI. A tecnologia analisa padrões de comportamento e uso para estimar se um usuário é menor de 18 anos.
Em testes internos, a ferramenta chegou a classificar adolescentes como adultos em cerca de 12% dos casos. Considerando que estimativas internas indicam que aproximadamente 100 milhões de menores usam o ChatGPT semanalmente, essa margem de erro poderia expor milhões de jovens a conteúdos inadequados.
Para resolver esse problema, a OpenAI passou a oferecer um sistema de verificação por meio da empresa Persona, que permite comprovar a idade com documentos ou selfies. Ainda assim, o método gerou preocupações relacionadas à privacidade de dados.
Conflitos internos dentro da empresa
O debate sobre o modo adulto também provocou tensões dentro da própria OpenAI. Ryan Beiermeister, vice-presidente de política de produto, teria se oposto ao lançamento da funcionalidade por considerar que os sistemas de prevenção contra exploração infantil ainda não eram suficientes.
Segundo reportagens, ela foi demitida em janeiro após divergências internas. A OpenAI afirmou que a decisão foi motivada por alegações de discriminação sexual envolvendo um colega de trabalho, algo que a executiva negou.
Como seria o modo adulto
Mesmo com o adiamento, a OpenAI afirma que ainda acredita na ideia de permitir conversas mais livres para usuários adultos verificados. No entanto, a empresa pretende estabelecer limites claros.
O recurso deverá permitir apenas conversas eróticas em texto, descritas internamente como “literatura erótica”. A geração de imagens, áudio ou vídeo com conteúdo explícito continuará proibida.
Além disso, os modelos de inteligência artificial estão sendo treinados para desencorajar vínculos emocionais exclusivos entre usuários e o chatbot, uma medida pensada justamente para reduzir riscos de dependência psicológica.
Por enquanto, a empresa afirma que vai priorizar melhorias na inteligência, personalidade e personalização do ChatGPT antes de revisitar a ideia do modo adulto.
