ChatGPT pode ter anúncios, mas promete reinventar o conceito

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • Sam Altman confirmou que o ChatGPT pode testar anúncios no futuro, mas não será nada parecido com o modelo do Google.
  • A OpenAI quer criar uma experiência comercial mais ética, onde a confiança do usuário é o valor central.
  • A ideia: publicidade integrada de forma inteligente e honesta, sem “pagar para aparecer”.

Um novo olhar sobre a publicidade digital

Em uma conversa recente no podcast Conversations with Tyler, Sam Altman, CEO da OpenAI, compartilhou uma visão que promete mudar a forma como entendemos os anúncios online.

Diferente do modelo usado por empresas como o Google, que lucra quando seus resultados de busca não são suficientemente bons, Altman argumenta que o sucesso do ChatGPT deve vir justamente do oposto: da confiança que conquista dos usuários.

Ele enfatizou: “Se o ChatGPT recebesse pagamento para recomendar um hotel pior do que outro melhor, isso seria catastrófico para a relação de confiança com o usuário.”

Ou seja, o modelo atual de publicidade, baseado em disputas de destaque e pagamentos para aparecer, está em descompasso com uma IA que busca ser útil, imparcial e precisa.


Como poderia funcionar a publicidade dentro do ChatGPT

Altman sugeriu um cenário diferente: imagine pedir ao ChatGPT o melhor hotel em Lisboa.

A IA analisaria dados, avaliações e preferências, e mostraria sua melhor recomendação, sem interferência paga. Se o usuário decidisse reservar com um clique, a OpenAI poderia cobrar uma comissão simbólica, sem afetar a imparcialidade da resposta.

“Mostrar o melhor resultado, permitir a compra imediata e receber uma pequena taxa, desde que isso não distorça o resultado, parece um caminho ético”, explicou Altman. Ele citou o setor de turismo como um exemplo inicial ideal para testar esse modelo.

Nesse formato, o anúncio deixa de ser uma interrupção e passa a ser um serviço contextual — algo que soma à experiência e respeita a inteligência do usuário.


O desafio de equilibrar lucro e confiança

Altman deixou claro que publicidade não será a principal fonte de receita da OpenAI. Há um cuidado explícito em evitar o colapso de confiança que ocorre quando o dinheiro começa a determinar o que o usuário vê.

Ele reconhece que ainda não há um formato definido, nem sabe exatamente quando ou como isso será implementado.

“Temos pessoas brilhantes pensando na nossa estratégia de produto. Sei o que não quero fazer e isso já é um bom começo”, comentou, com humor.

Para o público e as marcas, essa nova lógica traz desafios e oportunidades. Em vez de investir apenas em anúncios, as empresas precisarão se preocupar muito mais com serem realmente a melhor resposta, algo que, para Altman, será o motor da próxima revolução na publicidade orientada por IA.


💡 O projeto de publicidade do ChatGPT ainda é uma incógnita, mas a ideia é clara: transformar anúncios em experiências de confiança e utilidade, e não em distrações.

Se der certo, a OpenAI pode redefinir não apenas a forma como a IA se comunica com as pessoas, mas também como o próprio comércio digital funciona dentro dessas conversas inteligentes.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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