ChatGPT ficou mais “raso”? A configuração que pode mudar a qualidade das respostas

Renê Fraga
10 min de leitura

Principais destaques

  • Pensamento automático acabou: desde setembro, usuários Plus e Pro precisam escolher manualmente quando querem respostas com mais raciocínio.
  • O nível faz diferença: Instant é voltado para tarefas rápidas, enquanto Medium e High ampliam o esforço dedicado a problemas mais complexos.
  • Prompt continua importante: aumentar o nível de raciocínio não corrige uma pergunta vaga, mas pode fazer diferença quando existem números, restrições e decisões envolvidas.

Você também teve essa impressão? 🤔

Você faz uma pergunta complicada ao ChatGPT, espera uma resposta elaborada e recebe algo que parece correto, mas superficial.

Uma cláusula contratual é analisada sem muita profundidade. Uma conta de orçamento passa rápido demais pelos números. Um planejamento cheio de dependências vira uma lista genérica de tarefas.

E aquela sensação de que o ChatGPT costumava “parar para pensar” antes de responder fica ainda mais evidente.

Segundo o texto-base, isso não seria apenas impressão do usuário.

Em 14 de setembro de 2026, a OpenAI teria encerrado a alternância automática entre Instant e Thinking para usuários Plus e Pro. Na prática, o ChatGPT deixou de decidir sozinho quando uma pergunta merecia mais esforço de raciocínio.

Se o modelo estiver configurado em Instant, a resposta continuará sendo produzida nesse modo, mesmo quando a pergunta for consideravelmente mais complexa.

🔎 O detalhe que passa despercebido: pedir na própria mensagem para o ChatGPT “pensar mais” não substitui a configuração.

A orientação atribuída à OpenAI é justamente essa: frases como “think harder” ou “think deeply” não mudam automaticamente o nível de raciocínio.

💡 O ponto central mudou: não basta fazer uma pergunta difícil. É preciso escolher o nível adequado de raciocínio antes de fazê-la.

Instant, Medium ou High? A escolha agora importa ⚙️

O texto descreve duas formas principais de funcionamento do mesmo modelo.

O Instant prioriza velocidade e é mais adequado para perguntas simples, reformulações, resumos e tarefas em que um eventual erro seja fácil de perceber ou corrigir.

Já o Thinking dedica mais processamento ao problema antes de formular a resposta. A ideia é trabalhar melhor com situações que envolvem múltiplas etapas, comparação de alternativas, cálculos ou dependências.

No seletor de modelo, os níveis aparecem do mais rápido ao mais aprofundado:

NívelMelhor uso
InstantPerguntas rápidas, reescritas e tarefas simples
MediumTrabalho cotidiano com algumas restrições
HighCálculos, decisões e problemas com várias etapas
Extra HighProblemas ainda mais complexos, em planos compatíveis
ProTrabalhos longos e especialmente difíceis, em planos compatíveis

Para quem utiliza o ChatGPT Plus, o texto aponta uma escolha prática entre Instant, Medium e High.

Isso também significa que não necessariamente vale a pena deixar tudo no nível máximo.

High não transforma uma pergunta ruim em uma boa pergunta

Existe uma armadilha nessa história.

Imagine alguém escrevendo:

“Devo aumentar meus preços?”

Mesmo colocando a pergunta no nível High, faltam informações essenciais para uma análise realmente útil.

Quantos clientes existem? Quanto cada um paga? Qual é o custo? Há capacidade para atender novos clientes? Quantos clientes poderiam abandonar o serviço depois de um reajuste?

Sem esses dados, o modelo terá de preencher as lacunas.

🧮 O ganho aparece quando existe algo concreto para raciocinar: números, cenários, restrições e consequências possíveis.

Um exemplo citado no material envolve um profissional autônomo com 22 clientes pagando US$ 300 mensais, custos de US$ 1.500 e intenção de elevar os preços.

Nesse cenário, a pergunta deixa de ser abstrata.

É possível calcular a receita atual, projetar diferentes níveis de perda de clientes, descobrir o ponto de equilíbrio e só então discutir se o reajuste parece razoável.

É justamente aí que um nível de raciocínio mais elevado pode fazer diferença.

E quando o problema está em um contrato? 📄

O mesmo princípio vale para documentos.

Perguntar simplesmente “este contrato está bom?” abre espaço para uma análise ampla demais.

Uma abordagem mais eficiente seria delimitar exatamente os riscos que interessam.

Por exemplo:

• Quem fica com os direitos sobre o trabalho se o cliente não pagar?

• Como e quando ocorre o pagamento?

• O profissional pode utilizar o trabalho em seu portfólio?

A solicitação também pode exigir que cada resposta seja acompanhada pela cláusula correspondente.

Isso reduz a necessidade de confiar cegamente na interpretação do modelo.

Você consegue voltar ao documento e verificar rapidamente se a análise realmente corresponde ao texto.

⚠️ E existe uma diferença importante: quanto maior o impacto da decisão, menos sentido faz tratar a resposta do ChatGPT como autoridade final.

No caso de contratos relevantes, por exemplo, uma análise automatizada pode ajudar a encontrar pontos de atenção, mas não substitui uma avaliação jurídica adequada.

Planejamento também é um bom teste 🚀

Há outro tipo de tarefa em que Thinking tende a ser especialmente útil: planejamento com dependências.

“Crie um plano de lançamento para meu curso” é uma solicitação relativamente aberta.

Mas o cenário muda quando você informa uma data de lançamento, tamanho da audiência, seguidores nas redes sociais, tempo disponível por semana e ausência de orçamento para anúncios.

A partir daí, o modelo precisa resolver um problema de capacidade.

Não basta listar tarefas.

É necessário descobrir o que precisa acontecer primeiro, quanto tempo cada atividade consome e quais etapas dependem das anteriores.

⏱️ A restrição de tempo é particularmente importante: pedir que o modelo identifique aquilo que não cabe no orçamento de cinco horas semanais transforma uma lista de ideias em um problema de planejamento.

Esse é exatamente o tipo de situação em que mais raciocínio pode produzir uma resposta mais útil.

Então qual nível escolher? 🎯

Uma regra simples ajuda.

Instant quando você provavelmente conseguiria conferir ou refazer a resposta rapidamente.

Medium quando existe trabalho real envolvido, mas o problema não tem muitas variáveis.

High quando uma resposta errada pode custar dinheiro, comprometer uma decisão ou gerar um planejamento inconsistente.

Pense em algo como:

SituaçãoNível sugerido
Reescrever um e-mailInstant
Resumir um texto enviadoInstant
Criar ideias para uma campanhaInstant/Medium
Comparar produtos ou estratégiasMedium
Analisar orçamentoHigh
Conferir cálculosHigh
Avaliar riscos de um contratoHigh
Criar planejamento com várias dependênciasHigh

Não é uma regra matemática. É mais uma forma de evitar desperdício de raciocínio em tarefas que não precisam dele.

E se a primeira resposta já veio no Instant?

Não precisa começar tudo de novo do zero.

A recomendação apresentada no texto é simples: alterar o nível para High e enviar novamente a mesma pergunta.

Depois, comparar as duas respostas.

Esse pequeno teste também ajuda a entender quais tipos de tarefa realmente se beneficiam de mais raciocínio no seu próprio uso do ChatGPT.

Para uma pergunta simples, talvez a diferença seja irrelevante.

Para uma decisão envolvendo números, contratos ou planejamento, pode ser bastante perceptível.

O que acontece com usuários Free e Go? 📱

O material faz uma distinção importante.

A mudança descrita para Plus e Pro não se aplica da mesma maneira aos usuários Free e Go.

Nesses planos, o texto aponta a existência de um botão Think, em vez do controle deslizante com diferentes níveis de Thinking.

Ou seja, a experiência de escolha do raciocínio varia conforme o plano.

O hábito de dois segundos

No fim, a mudança cria uma rotina bastante simples.

Antes de enviar uma pergunta importante, vale olhar rapidamente qual modo está selecionado.

Se for uma tarefa trivial, Instant provavelmente resolve.

Se envolver dinheiro, cálculos, documentos, riscos ou uma sequência de decisões, Medium ou High podem ser escolhas mais apropriadas, dependendo do plano.

E há uma segunda regra que continua valendo mesmo com o nível mais avançado:

um modelo com mais tempo para raciocinar ainda precisa receber informações suficientes para raciocinar sobre alguma coisa.

É como entregar uma planilha para alguém muito bom em matemática, mas esconder metade das células importantes. Mais tempo não resolve a falta de dados.

Por isso, a combinação mais eficiente parece ser justamente essa: nível adequado de raciocínio + prompt específico + contexto suficiente.

A pergunta agora é menos “como faço o ChatGPT pensar mais?” e mais “quanto raciocínio esta tarefa realmente merece?”.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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