Casas Bahia acelerou o uso de IA, melhorou a operação e mesmo assim entrou em recuperação judicial

Renê Fraga
23 min de leitura

Principais destaques

  • A inteligência artificial já faz parte da operação da Casas Bahia em uma escala significativa, com a Bah.IA apoiando milhares de vendedores e ferramentas de IA sendo usadas em busca, recomendação de produtos, atendimento, dados e personalização.
  • Os indicadores operacionais realmente melhoraram nos últimos anos, mas não é correto atribuir toda essa evolução à inteligência artificial, já que a transformação também envolveu redução de despesas, reorganização das lojas, gestão de estoque, crédito e outras medidas.
  • A recuperação judicial mostra justamente o outro lado da história: mesmo uma empresa mais eficiente pode continuar enfrentando uma crise financeira quando juros elevados, dívida, necessidade de capital de giro e pressão sobre o consumo consomem os ganhos obtidos na operação.

A história recente da Casas Bahia parece, à primeira vista, uma daquelas contradições que costumam alimentar debates sobre inteligência artificial.

Enquanto a companhia ampliava o uso de ferramentas de IA, colocava tecnologia nas mãos de milhares de vendedores e divulgava melhorias importantes em seus indicadores operacionais, a situação financeira continuava se deteriorando até desembocar em um pedido de recuperação judicial envolvendo R$ 17,3 bilhões em dívidas reconhecidas no processo.

O contraste chama atenção porque a Casas Bahia não estava simplesmente fazendo uma experiência com inteligência artificial.

A tecnologia passou a ocupar uma posição relevante dentro de sua estratégia de transformação, com aplicações que vão desde a busca por produtos e recomendações personalizadas até o suporte aos vendedores e o atendimento aos consumidores.

Ao mesmo tempo, seria um erro transformar essa história em uma narrativa na qual a IA “fracassou” porque a empresa entrou em recuperação judicial.

Os dados disponíveis contam uma história muito mais complexa, na qual a tecnologia aparentemente ajudou a empresa a operar melhor, mas não conseguiu resolver problemas financeiros que eram muito maiores do que a eficiência de um vendedor, a conversão de uma busca ou a velocidade de um atendimento.

Esse talvez seja o ponto mais interessante de todo o caso, porque ele coloca uma questão que o entusiasmo em torno da IA costuma deixar em segundo plano: uma empresa pode ficar muito mais eficiente graças à tecnologia e ainda assim continuar financeiramente doente.

A inteligência artificial chegou à operação da Casas Bahia em escala real

A Casas Bahia vem trabalhando há alguns anos para transformar sua estrutura tecnológica e digital, e a parceria com o Google Cloud tornou essa estratégia particularmente visível.

A companhia adotou soluções como Retail Search e Recommendations AI para melhorar a experiência de busca e recomendação de produtos, enquanto também ampliou o uso de dados e inteligência artificial em diferentes áreas do negócio.

Os resultados divulgados pelo próprio Google Cloud ajudam a dimensionar essa transformação. A atualização diária de SKUs, por exemplo, passou de aproximadamente 100 mil para mais de 7 milhões, enquanto a conversão dos usuários a partir da busca aumentou 58% e o CTR cresceu 28%.

O tempo necessário para carregar o catálogo também caiu de 24 horas para quatro horas, e a receita por usuário do aplicativo aumentou 28%.

Esses números não significam que todos os ganhos foram provocados exclusivamente por inteligência artificial, mas mostram que a tecnologia deixou de ser uma camada experimental e passou a interferir diretamente em processos que têm relação com receita, experiência do consumidor e produtividade.

A Bah.IA é talvez o exemplo mais fácil de visualizar, porque transforma a IA em uma ferramenta que chega diretamente à ponta da operação. Desenvolvida com tecnologia do Google Cloud e Vertex AI, ela funciona como uma espécie de assistente para os vendedores, ajudando a sugerir produtos e abordagens personalizadas para cada cliente.

Segundo o Google, a ferramenta reduziu em até 50% o tempo de espera e acelerou em 30% a resolução de dúvidas.

A escala também é significativa, porque a própria companhia relata o uso de soluções de IA por milhares de profissionais, incluindo mais de 10 mil vendedores em iniciativas relacionadas à Bah.IA.

O que chama atenção não é apenas a existência da IA, mas sua distribuição pela operação.

A Casas Bahia tentou levar ferramentas inteligentes para quem está vendendo, atendendo, analisando dados e trabalhando diretamente com a experiência do consumidor.

Isso ajuda a entender por que a história não pode ser reduzida à ideia de uma empresa que simplesmente criou um chatbot para acompanhar a tendência do mercado.

A estratégia é mais ampla e envolve a tentativa de tornar diferentes partes da operação mais orientadas por dados e automação.

Uma transformação maior do que a própria IA

Também é importante não confundir a transformação digital da companhia com inteligência artificial pura.

A Casas Bahia passou por um processo mais amplo de reorganização, envolvendo canais digitais, marketplace, lojas físicas, despesas, estoque, crédito e estrutura de capital. A tecnologia aparece como uma das ferramentas dessa transformação, mas não como sua única causa.

Essa distinção é especialmente importante porque alguns números que circulam sobre a companhia parecem atribuir à IA ganhos que, na realidade, podem ter vindo de uma combinação de iniciativas.

Um exemplo é a evolução das margens.

Em 2025, a empresa registrou EBITDA ajustado de R$ 2,6 bilhões, com margem de 8,8%, enquanto a margem bruta chegou a 30,5%. As despesas de vendas, gerais e administrativas representaram 22,7% da receita líquida, indicando um movimento de controle de custos e ganhos de produtividade.

Esses resultados são relevantes, mas não permitem concluir que a inteligência artificial, sozinha, tenha provocado a melhora.

A IA pode ter contribuído para a produtividade e para determinadas linhas de receita, mas a recuperação operacional envolveu uma série de decisões empresariais simultâneas.

E é justamente aqui que começa a aparecer a diferença entre melhorar a operação e resolver a situação financeira.


A empresa estava ficando mais eficiente, mas o dinheiro continuava caro

Uma das características mais interessantes do caso Casas Bahia é que os avanços operacionais aconteceram em paralelo a uma pressão financeira extremamente forte.

Em 2025, por exemplo, o resultado financeiro da companhia foi negativo em aproximadamente R$ 3,7 bilhões, enquanto o CDI médio subiu de 10,84% em 2024 para 14,32% em 2025. A própria empresa destacou o peso do custo elevado dos juros sobre seus resultados.

Esse detalhe muda completamente a maneira de interpretar a história.

Imagine que uma empresa consiga melhorar a conversão de suas vendas, reduzir o tempo necessário para atender clientes e tornar seus vendedores mais produtivos. Esses avanços podem gerar valor real, mas a companhia ainda precisa financiar seu estoque, pagar fornecedores, administrar seu capital de giro e honrar suas dívidas.

Se o custo do dinheiro sobe demais, uma parcela importante do benefício operacional pode ser absorvida pelo resultado financeiro.

É como tentar acelerar um carro enquanto alguém aumenta constantemente o peso que ele precisa carregar.

A inteligência artificial pode aumentar a potência do motor, mas não consegue decidir sozinha quanto a empresa paga de juros.

Essa diferença ajuda a explicar por que uma empresa pode apresentar melhora de margem e, ainda assim, continuar registrando prejuízo.

O EBITDA mostra a capacidade operacional antes de determinados efeitos financeiros, tributários e contábeis. O caixa disponível para pagar dívidas, entretanto, depende de uma equação muito mais ampla.

E a Casas Bahia chegou a 2026 carregando justamente essa contradição.

“Ganhos no micro, dores no macro”

A expressão usada em uma análise do Itaú BBA para descrever a companhia resume bem o momento.

No nível micro, havia avanços.

A operação estava mais eficiente, as margens tinham melhorado e a empresa vinha implementando mudanças estruturais que buscavam tornar o negócio menos pesado.

No nível macro, entretanto, o cenário continuava extremamente desfavorável para uma varejista dependente de crédito e consumo.

Os juros elevados encareciam a dívida e o financiamento, enquanto o consumidor brasileiro continuava enfrentando um ambiente de crédito mais difícil.

A própria evolução do setor varejista ajuda a contextualizar o problema. Entre junho de 2025 e junho de 2026, o número de empresas varejistas em recuperação judicial no Brasil cresceu 20,4%, segundo levantamento citado pelo UOL.

Isso não significa que a crise da Casas Bahia possa ser explicada apenas pelo cenário econômico, mas mostra que a companhia estava enfrentando uma tempestade que atingia todo o setor.

A concorrência também se tornou mais agressiva, especialmente com marketplaces que conseguem operar com estruturas diferentes das grandes redes físicas tradicionais.

Nesse ambiente, a inteligência artificial pode ajudar uma empresa a vender melhor, mas não consegue alterar sozinha a economia fundamental de seu modelo de negócios.


O prejuízo de R$ 10,1 bilhões assusta, mas precisa ser interpretado

Quando a Casas Bahia divulgou um prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, o número rapidamente se transformou em um dos elementos mais impressionantes da história.

O valor é verdadeiro.

O problema está em imaginar que a companhia simplesmente perdeu R$ 10,1 bilhões em dinheiro durante o trimestre.

Grande parte desse resultado veio de efeitos contábeis sem impacto equivalente no caixa, incluindo aproximadamente R$ 9,1 bilhões em itens não recorrentes. O prejuízo ajustado ficou próximo de R$ 978 milhões.

Essa diferença é fundamental para entender a crise.

Um prejuízo ajustado de quase R$ 1 bilhão continua sendo extremamente grave e mostra que a empresa estava longe de uma situação confortável, mas é completamente diferente de imaginar que R$ 10,1 bilhões tenham desaparecido fisicamente do caixa em apenas três meses.

O balanço também terminou com patrimônio líquido negativo em aproximadamente R$ 8,1 bilhões, evidenciando a profundidade do problema patrimonial.

A recuperação judicial, portanto, não apareceu como uma consequência direta de um único trimestre.

Ela foi o resultado de uma deterioração financeira acumulada, combinada com dificuldades de financiamento e com um ambiente econômico que dificultava ainda mais a reorganização da companhia.

R$ 17,3 bilhões não são simplesmente “o prejuízo”

Outro cuidado importante envolve os números que passaram a circular depois do pedido de recuperação judicial.

A Casas Bahia reconheceu aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas no processo de recuperação judicial, enquanto a dívida total mencionada no contexto da companhia ultrapassa R$ 27,8 bilhões.

Isso significa que não é correto escrever que “o balanço apresentou R$ 17,3 bilhões de passivo” como se esse valor fosse apenas mais uma linha do resultado trimestral.

Estamos falando de conceitos diferentes.

O prejuízo é uma medida de resultado.

A dívida é uma obrigação financeira.

O passivo sujeito à recuperação judicial corresponde aos valores abrangidos pelo processo.

Misturar essas três coisas produz uma narrativa mais dramática, mas tecnicamente menos precisa.

E, quando o assunto é uma empresa em recuperação judicial, precisão importa bastante.


A recuperação judicial chegou justamente quando a transformação tecnológica estava avançando

O pedido foi protocolado em 16 de agosto de 2026, na Justiça de São Paulo, envolvendo dez empresas do grupo. A companhia reconheceu R$ 17,3 bilhões em dívidas no processo e afirmou que a medida busca reorganizar seus passivos, preservar a operação, recuperar acesso ao crédito e negociar com os credores.

A empresa também anunciou o fechamento de 298 lojas e uma redução significativa de seu quadro de funcionários, enquanto enfrenta dificuldades para manter seus estoques em um ambiente de crédito restrito.

Segundo informações divulgadas pela Folha, a companhia busca inclusive um financiamento de aproximadamente R$ 1 bilhão no modelo DIP, destinado a fornecer capital durante a recuperação judicial e ajudar na recomposição do caixa e dos estoques.

Esse movimento revela uma realidade importante: o problema imediato não é simplesmente vender mais ou adotar uma tecnologia melhor.

  • A companhia precisa de liquidez.
  • Precisa reorganizar obrigações.
  • Precisa garantir estoque.
  • Precisa recuperar acesso a financiamento.

E precisa fazer tudo isso enquanto tenta manter os clientes comprando.

É nesse ponto que a narrativa sobre inteligência artificial encontra seu limite mais evidente.

Uma empresa pode ter um excelente sistema de recomendação e não ter dinheiro suficiente para comprar os produtos que gostaria de vender.

  • Pode ter vendedores mais produtivos e ainda assim carregar uma dívida que custa bilhões.
  • Pode automatizar o atendimento e continuar precisando renegociar contratos.
  • Pode aumentar a conversão digital e ainda enfrentar uma crise de capital de giro.

Tecnologia melhora a máquina. Não substitui a estrutura financeira.


O número de 1.000 agentes de IA é a parte que merece mais cautela

Um dos elementos mais chamativos da narrativa que circulou sobre a Casas Bahia é a afirmação de que a companhia teria colocado aproximadamente 1.000 agentes de IA em operação.

Até o momento, não encontrei uma fonte pública suficientemente sólida para confirmar esse número específico.

Há evidências de que a empresa trabalha com agentes, automação e diferentes aplicações de inteligência artificial, além de estar ampliando sua capacidade interna nessa área, mas isso não é suficiente para afirmar que existam exatamente mil agentes rodando em produção.

A mesma cautela vale para a afirmação de que exatamente 16 mil funcionários utilizariam IA.

O Google Cloud descreve um ecossistema de aproximadamente 36 mil colaboradores e mais de 20 mil vendedores online, enquanto a companhia divulgou a utilização de soluções de IA por milhares de profissionais.

O número de mais de 10 mil vendedores utilizando soluções relacionadas à Bah.IA, por sua vez, aparece em materiais da própria empresa e é muito mais seguro para ser utilizado em uma reportagem.

Essa diferença entre os números parece pequena quando vista rapidamente, mas é enorme do ponto de vista jornalístico.

Em uma época em que empresas estão sendo avaliadas pelo tamanho de suas apostas em inteligência artificial, números redondos e impressionantes podem ganhar vida própria e começar a circular sem a fonte original.

Por isso, a melhor maneira de contar essa história é separar o que está documentado daquilo que ainda precisa de confirmação.


A Casas Bahia não prova que a IA falhou. Ela mostra que IA tem limites

Talvez essa seja a conclusão mais importante.

Se alguém olhar apenas para o pedido de recuperação judicial, poderá concluir que todo o investimento tecnológico não serviu para nada.

Essa conclusão não é sustentada pelos dados disponíveis.

A Casas Bahia possui resultados concretos associados à digitalização e ao uso de IA, especialmente na busca de produtos, conversão, personalização, catálogo e atendimento. O Google Cloud documenta aumentos de conversão, CTR e receita por usuário, enquanto a Bah.IA passou a apoiar vendedores em escala significativa.

Por outro lado, seria igualmente errado transformar esses resultados em uma prova de que a IA foi responsável por toda a melhora operacional.

A companhia também reduziu despesas, reorganizou sua estrutura, mudou sua estratégia de lojas, trabalhou sobre estoque e crédito e passou por uma transformação empresarial muito mais ampla.

O que a história realmente mostra é algo mais interessante.

A IA pode funcionar e, ainda assim, não ser suficiente.

Essa talvez seja uma das mensagens mais importantes para empresas que estão atualmente investindo bilhões em inteligência artificial.

A tecnologia pode aumentar produtividade.

  • Pode reduzir custos.
  • Pode elevar conversão.
  • Pode melhorar a experiência do consumidor.
  • Pode acelerar processos que antes levavam horas ou dias.

Mas existe uma distância enorme entre conseguir fazer uma operação funcionar melhor e conseguir transformar essa melhoria em caixa suficiente para resolver uma crise financeira.

A próxima fase da IA corporativa será muito menos sobre demonstrações e muito mais sobre retorno

Durante os últimos anos, o debate sobre inteligência artificial empresarial foi dominado por perguntas como quais modelos são melhores, quais agentes são mais autônomos e quantos funcionários estão utilizando copilotos.

Essas perguntas continuam importantes, mas o caso Casas Bahia ajuda a mostrar que existe outra questão que tende a ganhar cada vez mais espaço: quanto valor financeiro sustentável uma aplicação de IA realmente produz?

Não basta dizer que uma ferramenta economiza tempo.

É necessário entender o que acontece com esse tempo economizado.

Não basta dizer que a conversão aumentou.

É necessário descobrir se essa conversão adicional gera margem suficiente.

Não basta dizer que um vendedor consegue atender mais clientes.

É necessário saber se o aumento de produtividade chega ao resultado financeiro.

E não basta criar centenas de agentes.

É necessário saber se eles resolvem problemas que realmente importam para o negócio.

Essa mudança de perspectiva pode ser uma das consequências mais importantes do caso.

A inteligência artificial está deixando rapidamente de ser apenas uma história sobre tecnologia e passando a ser uma história sobre economia.


A ironia da Casas Bahia

Existe uma ironia difícil de ignorar.

A Casas Bahia conseguiu mostrar que uma empresa tradicional de varejo pode incorporar inteligência artificial de maneira concreta, distribuir ferramentas para milhares de profissionais e obter melhorias mensuráveis em partes importantes de sua operação.

Ao mesmo tempo, a companhia precisou recorrer à recuperação judicial para reorganizar uma estrutura financeira que não conseguiu ser resolvida pela melhora operacional.

Isso não transforma a IA em fracasso.

Também não transforma a IA em solução milagrosa.

A história mostra algo mais realista: tecnologia é uma alavanca, não uma cura universal.

A Casas Bahia pode ficar mais eficiente com inteligência artificial e, ao mesmo tempo, continuar precisando fechar lojas, reduzir despesas, renegociar dívidas e buscar capital novo.

Pode ter uma ferramenta capaz de recomendar o produto certo para o consumidor e ainda precisar lidar com juros de dois dígitos.

Pode ter milhares de vendedores utilizando IA e continuar enfrentando problemas de estoque.

Pode melhorar sua operação digital e ainda precisar reconstruir sua estrutura financeira.

É justamente essa combinação que torna o caso tão relevante para quem acompanha inteligência artificial.

Em vez de mostrar uma batalha entre IA e crise financeira, a Casas Bahia mostra que as duas coisas podem coexistir.

A empresa pode estar mais inteligente e, ao mesmo tempo, continuar vulnerável.

E talvez essa seja uma das lições mais importantes da atual fase da inteligência artificial corporativa: não importa apenas quantos modelos uma empresa utiliza, quantos agentes criou ou quantos funcionários receberam acesso às ferramentas. No fim, o verdadeiro teste está em saber se toda essa inteligência consegue produzir um negócio mais saudável, mais resiliente e capaz de transformar produtividade em caixa antes que as obrigações financeiras cobrem a conta.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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