Brasil aperta o cerco e exige que X bloqueie deepfakes sexualizados criados pelo Grok

Renê Fraga
3 min de leitura

Principais destaques

  • Autoridades brasileiras determinaram que o X impeça o Grok de gerar imagens sexualizadas sem consentimento
  • Órgãos apontam falta de transparência e provas sobre as medidas adotadas pela empresa
  • Descumprimento pode resultar em multa diária e responsabilização judicial

O governo brasileiro aumentou a pressão sobre a plataforma X após identificar falhas graves na atuação do Grok, ferramenta de inteligência artificial ligada à empresa.

A determinação partiu da Agência Nacional de Proteção de Dados, do Ministério Público Federal e da Secretaria Nacional do Consumidor, que exigem medidas imediatas para impedir a criação de conteúdos sexualizados envolvendo crianças, adolescentes e adultos sem consentimento.

A decisão foi anunciada após as instituições concluírem que as providências apresentadas pelo X foram insuficientes para conter a produção e circulação de deepfakes de caráter sexual.

Resposta considerada insuficiente

De acordo com nota oficial da ANPD, o X informou ter removido milhares de publicações e suspendido centenas de contas depois de recomendações feitas em janeiro.

No entanto, os órgãos brasileiros afirmam que a empresa não apresentou relatórios técnicos, provas documentais ou sistemas de monitoramento que comprovem a efetividade dessas ações.

Testes realizados pelas equipes técnicas indicaram que o problema persiste. Mesmo após as supostas correções, ainda foi possível identificar a geração e disseminação de conteúdos incompatíveis com as orientações já emitidas.

Para o MPF, faltou transparência sobre como as medidas foram implementadas e quais resultados concretos produziram.

Prazos e possíveis penalidades

A ANPD concedeu prazo de cinco dias úteis para que o X comprove o cumprimento das determinações e entregue documentação detalhada sobre os mecanismos adotados.

Já o MPF solicitou relatórios mensais com dados sobre a remoção de conteúdos e a suspensão de contas envolvidas na criação de deepfakes.

Caso a plataforma não atenda às exigências, poderá enfrentar multa diária, abertura de processo administrativo sancionador e até responsabilização por crime de desobediência, além de eventual ação judicial.

Pressão internacional sobre o Grok

A controvérsia não se limita ao Brasil. O Grok, desenvolvido pela empresa xAI ligada a Elon Musk, já enfrenta questionamentos em outros países.

A Indonésia foi a primeira nação a bloquear totalmente a ferramenta, enquanto Reino Unido e França mantêm investigações em andamento.

Relatórios internacionais indicam que milhões de imagens sexualizadas foram geradas em um curto período, incluindo milhares que aparentavam retratar menores de idade.

O caso amplia o debate sobre responsabilidade das plataformas digitais e os limites éticos da inteligência artificial.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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