Principais destaques
- Autoridades brasileiras determinaram que o X impeça o Grok de gerar imagens sexualizadas sem consentimento
- Órgãos apontam falta de transparência e provas sobre as medidas adotadas pela empresa
- Descumprimento pode resultar em multa diária e responsabilização judicial
O governo brasileiro aumentou a pressão sobre a plataforma X após identificar falhas graves na atuação do Grok, ferramenta de inteligência artificial ligada à empresa.
A determinação partiu da Agência Nacional de Proteção de Dados, do Ministério Público Federal e da Secretaria Nacional do Consumidor, que exigem medidas imediatas para impedir a criação de conteúdos sexualizados envolvendo crianças, adolescentes e adultos sem consentimento.
A decisão foi anunciada após as instituições concluírem que as providências apresentadas pelo X foram insuficientes para conter a produção e circulação de deepfakes de caráter sexual.
Resposta considerada insuficiente
De acordo com nota oficial da ANPD, o X informou ter removido milhares de publicações e suspendido centenas de contas depois de recomendações feitas em janeiro.
No entanto, os órgãos brasileiros afirmam que a empresa não apresentou relatórios técnicos, provas documentais ou sistemas de monitoramento que comprovem a efetividade dessas ações.
Testes realizados pelas equipes técnicas indicaram que o problema persiste. Mesmo após as supostas correções, ainda foi possível identificar a geração e disseminação de conteúdos incompatíveis com as orientações já emitidas.
Para o MPF, faltou transparência sobre como as medidas foram implementadas e quais resultados concretos produziram.
Prazos e possíveis penalidades
A ANPD concedeu prazo de cinco dias úteis para que o X comprove o cumprimento das determinações e entregue documentação detalhada sobre os mecanismos adotados.
Já o MPF solicitou relatórios mensais com dados sobre a remoção de conteúdos e a suspensão de contas envolvidas na criação de deepfakes.
Caso a plataforma não atenda às exigências, poderá enfrentar multa diária, abertura de processo administrativo sancionador e até responsabilização por crime de desobediência, além de eventual ação judicial.
Pressão internacional sobre o Grok
A controvérsia não se limita ao Brasil. O Grok, desenvolvido pela empresa xAI ligada a Elon Musk, já enfrenta questionamentos em outros países.
A Indonésia foi a primeira nação a bloquear totalmente a ferramenta, enquanto Reino Unido e França mantêm investigações em andamento.
Relatórios internacionais indicam que milhões de imagens sexualizadas foram geradas em um curto período, incluindo milhares que aparentavam retratar menores de idade.
O caso amplia o debate sobre responsabilidade das plataformas digitais e os limites éticos da inteligência artificial.
