Altman chama plano de data center orbital de Musk de ‘ridículo’

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • Sam Altman chamou de “ridícula” a ideia de data centers orbitais defendida por Elon Musk
  • SpaceX quer lançar até um milhão de satélites com capacidade de processamento de IA
  • Rivalidade entre os dois empresários agora envolve processos que podem ultrapassar US$ 100 bilhões

Durante evento em Nova Délhi, o CEO da OpenAI, Sam Altman, criticou duramente a proposta de Elon Musk de colocar data centers em órbita. A declaração foi feita no Express Adda, promovido pelo jornal The Indian Express, e arrancou risos da plateia ao classificar o plano como impraticável no cenário atual.

Altman afirmou que os custos de lançamento e a manutenção de equipamentos no espaço tornam a ideia inviável no curto prazo. Segundo ele, consertar uma GPU em órbita seria um desafio logístico extremo. Ainda assim, ponderou que o conceito pode fazer sentido no futuro, mas não nesta década.

A aposta ambiciosa da SpaceX

A crítica de Altman mira diretamente uma proposta apresentada pela SpaceX à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos. O plano prevê uma constelação de até um milhão de satélites funcionando como centros de dados em órbita baixa, entre 500 e 2.000 quilômetros de altitude.

A justificativa é aproveitar energia solar praticamente constante no espaço para superar limitações energéticas que já afetam infraestruturas terrestres de IA. A iniciativa foi apresentada como um passo rumo a uma “civilização Kardashev Tipo II”, conceito teórico que descreve sociedades capazes de utilizar toda a energia de sua estrela.

O movimento ocorreu dias antes da conclusão da aquisição da xAI pela SpaceX, unificando foguetes, a rede Starlink e os modelos Grok sob uma mesma estrutura empresarial. Musk afirmou a funcionários que essa integração aceleraria a construção dos chamados data centers orbitais.

O desafio real: falta poder computacional

Mesmo descartando a viabilidade imediata da computação espacial, Altman reconheceu que o mundo enfrenta um gargalo crítico. Em sua fala na Cúpula de Impacto de IA da Índia 2026, ele afirmou que simplesmente não há capacidade suficiente de processamento para sustentar sociedades totalmente orientadas por IA.

Segundo ele, a indústria ainda está longe de produzir o volume necessário de GPUs para atender à demanda global. O problema, na visão do executivo, não é onde construir infraestrutura, mas como escalar rapidamente o poder computacional disponível.

Outras gigantes também estudam o tema. A Google, da Alphabet, revelou recentemente um projeto de pesquisa voltado para satélites equipados com unidades de processamento para executar cargas de trabalho de IA no espaço. A corrida pela infraestrutura do futuro já começou.

De parceiros a adversários nos tribunais

A tensão entre Altman e Musk vai muito além das declarações públicas. Os dois fundaram juntos a OpenAI em 2015 como uma organização sem fins lucrativos. Musk deixou o conselho em 2018 e, anos depois, criou sua própria empresa de inteligência artificial, a xAI.

Hoje, a disputa está nos tribunais. Musk acusa a OpenAI de ter abandonado sua missão original e busca indenizações bilionárias. O julgamento está previsto para começar em abril, em Oakland, na Califórnia, e pode durar semanas.

Durante o evento em Nova Délhi, Altman ainda ironizou a possibilidade de reatar a amizade com Musk. Questionado se isso seria mais improvável do que a líder mundial em fabricação de chips perder sua hegemonia, ele respondeu que a reconciliação era ainda menos provável. Uma frase que resume o tamanho do rompimento.

Enquanto a batalha judicial se aproxima e os planos espaciais ganham manchetes, uma coisa é certa: a corrida pela infraestrutura da inteligência artificial está cada vez mais estratégica, ambiciosa e pessoal.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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