11 países impõem restrições ao DeepSeek por temor de acesso a dados na China

Renê Fraga
3 min de leitura

Principais destaques

  • Governos de ao menos 11 países adotaram bloqueios ou restrições ao uso do DeepSeek em sistemas públicos.
  • A principal preocupação é o armazenamento de dados de usuários em servidores localizados na China.
  • Autoridades dos Estados Unidos levantaram suspeitas sobre vínculos da empresa com o setor militar chinês.

O avanço rápido do DeepSeek, startup chinesa de inteligência artificial, colocou a empresa no centro de uma disputa global envolvendo tecnologia, soberania digital e segurança nacional.

Após afirmar que seus modelos conseguem competir com soluções como o ChatGPT a um custo muito menor, a companhia passou a ser analisada com lupa por reguladores de diferentes países.

Desde o início de 2025, ao menos 11 governos anunciaram medidas formais contra o uso do DeepSeek, especialmente em ambientes governamentais. O receio central é que dados sensíveis possam ser acessados por autoridades chinesas, em conformidade com as leis locais de segurança cibernética.

Crescimento tecnológico que acendeu alertas globais

O DeepSeek ganhou projeção internacional após o lançamento do modelo de raciocínio R1, em janeiro de 2025. A empresa declarou que o sistema foi desenvolvido com um investimento relativamente baixo, algo em torno de US$ 5,6 milhões, o que chamou a atenção do setor de inteligência artificial.

Esse crescimento acelerado, porém, veio acompanhado de questionamentos. A própria política de privacidade da empresa reconhece que prompts e arquivos enviados pelos usuários podem ser processados e armazenados em servidores localizados na China. Para muitos países, isso representa um risco direto à proteção de dados.

Bloqueios e proibições em cadeia

A Itália foi o primeiro país a bloquear oficialmente o DeepSeek, após considerar insuficientes as explicações da empresa sobre o uso de dados pessoais. Pouco depois, a Austrália proibiu o aplicativo em dispositivos do governo, citando riscos considerados inaceitáveis à segurança nacional.

Medidas semelhantes surgiram em países como Alemanha, França, Holanda, Coreia do Sul, Taiwan, Índia, Canadá, Bélgica e República Tcheca. Em alguns casos, autoridades chegaram a solicitar que lojas de aplicativos removessem o DeepSeek de suas plataformas.

Pressão dos EUA e suspeitas militares

Nos Estados Unidos, o caso ganhou contornos ainda mais sensíveis. Agências como NASA, Pentágono e Marinha bloquearam o acesso ao DeepSeek em seus sistemas internos. Um alto funcionário americano afirmou à Reuters que a empresa teria fornecido apoio ao Exército de Libertação Popular da China.

Além disso, autoridades americanas alegam que o DeepSeek tentou driblar controles de exportação de chips de IA por meio de empresas intermediárias no Sudeste Asiático. A empresa nega irregularidades, mas o debate segue intenso em Washington.

Apesar das controvérsias, o DeepSeek continua sendo visto como um exemplo do avanço rápido da inteligência artificial chinesa e do impacto geopolítico que essa tecnologia passou a exercer.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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