Zuckerberg prefere arriscar “desperdiçar bilhões” a perder a corrida da IA

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • Mark Zuckerberg vê risco real de uma “bolha da IA”, mas acredita que o maior perigo é não agir rápido o suficiente.
  • Meta planeja investir pelo menos US$ 600 bilhões em infraestrutura nos EUA até 2028.
  • Para o CEO, ser agressivo no ritmo de investimentos é mais seguro do que ficar para trás se a superinteligência chegar antes do esperado.

A corrida pela superinteligência

Em entrevista recente ao podcast Access, Mark Zuckerberg deixou claro que não pretende correr o risco de ficar para trás na era da inteligência artificial.

O fundador da Meta reconheceu que uma “bolha da IA” é totalmente possível, fazendo referência a momentos históricos em que setores inteiros inflaram, colapsaram, mas deixaram estruturas valiosas para o futuro.

Ainda assim, para ele, há um risco maior: avançar devagar demais.

Segundo Zuckerberg, se uma empresa como a Meta não se mover com agressividade suficiente e a superinteligência surgir de repente, ficará fora de posição diante daquilo que ele considera “a tecnologia mais transformadora da história”.


O tamanho da aposta: 600 bilhões de dólares

O compromisso financeiro da Meta impressiona. A empresa anunciou que pretende investir ao menos US$ 600 bilhões até 2028 em data centers e infraestrutura nos EUA.

Esse montante cobre desde a construção de superestruturas de computação até contratações estratégicas para suportar a evolução da IA.

Esse movimento acontece em meio a discussões intensas sobre uma possível bolha no setor, comparada por alguns investidores ao estouro da bolha das “ponto-com” nos anos 2000.

Ao mesmo tempo, a Meta ajusta o próprio ritmo: recentemente reduziu a agressividade em contratações, após períodos de bônus milionários para atrair talentos em IA.

Essa reavaliação veio após pressões de Wall Street sobre custos trabalhistas e diluição de valor acionário.

Para Zuckerberg, entretanto, o balanço é claro: o custo de errar apostando cedo é alto, mas o de ficar para trás é muito maior.


Estratégia Meta vs. concorrência

Outro ponto relevante do discurso foi a comparação entre a Meta e laboratórios independentes, como OpenAI e Anthropic.

Enquanto essas empresas dependem de levantar capital constante para bancar custos astronômicos de computação, a Meta se apoia em um ecossistema consolidado e estável, sem risco imediato de insolvência.

Zuckerberg detalhou também a criação de um laboratório dedicado à superinteligência, estruturado de forma enxuta e sem prazos inflexíveis, para privilegiar a pesquisa profunda em IA de fronteira.

A aposta é clara: dar aos pesquisadores o maior acesso possível a recursos computacionais, tornando o “compute per researcher” (capacidade de computação por pesquisador) uma vantagem competitiva.

Enquanto isso, as ações da Meta já refletem parte dessa confiança — com valorização de quase 40% em um ano.


💡 O discurso de Zuckerberg confirma uma disposição rara entre CEOs: arriscar consciente de que bilhões podem ser “mal gastos”, mas com a convicção de que perder o momento da superinteligência seria um preço ainda mais alto.

O recado é claro para o mercado: a corrida já começou, e só os que ousarem acelerar estarão prontos quando e se a superinteligência realmente surgir.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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