Principais destaques
- Mark Zuckerberg sinaliza uma guinada estratégica ao priorizar inteligência artificial em vez do metaverso.
- A Meta passa a enxergar os feeds como geradores ativos de conteúdo personalizado por IA.
- Investimentos bilionários em IA contrastam com prejuízos crescentes da divisão de realidade virtual.
A Meta está redesenhando sua visão de futuro. Durante a apresentação dos resultados do quarto trimestre de 2025, Mark Zuckerberg deixou claro que a inteligência artificial se tornou o centro da estratégia da empresa.
O metaverso, que por anos dominou os discursos do executivo, praticamente desapareceu da conversa. No lugar dele, surge a ideia de feeds sociais impulsionados por IA, capazes não apenas de recomendar, mas também de criar conteúdo sob medida para cada usuário.
Segundo o CEO, a evolução das redes sociais sempre acompanhou os avanços tecnológicos, começando pelo texto, passando por fotos e vídeos.
Agora, a próxima etapa seria marcada por formatos mais imersivos e interativos, viabilizados apenas pelos recentes progressos em inteligência artificial, como relatado pela The Verge.
Da recomendação à criação de conteúdo
Na visão de Zuckerberg, os aplicativos da Meta deixarão de funcionar como simples vitrines de posts recomendados.
A proposta é que cada usuário encontre uma IA capaz de entender seus gostos, contexto e histórico, oferecendo ou até mesmo gerando conteúdo exclusivo. Esse movimento aponta para uma transformação profunda na experiência de uso das redes sociais.
Um exemplo prático dessa ideia já está em teste. O feed chamado Vibes, lançado em 2025 dentro do aplicativo Meta AI, apresenta vídeos curtos criados por IA que podem ser remixados, editados e compartilhados em plataformas como Instagram e Facebook.
A iniciativa indica como a empresa pretende unir criatividade automatizada e engajamento social.
O recuo silencioso do metaverso
Enquanto a IA ganha protagonismo, o metaverso perde espaço. A divisão Reality Labs, responsável por realidade virtual e aumentada, continua acumulando prejuízos expressivos.
Somente no último trimestre de 2025, as perdas operacionais ultrapassaram US$ 6 bilhões, somando cerca de US$ 19 bilhões no ano.
Esse cenário levou a Meta a reduzir equipes e encerrar estúdios de VR, redirecionando recursos para infraestrutura de IA.
Para 2026, a empresa projeta gastos de capital entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões, quase o dobro do ano anterior, com foco em data centers e no recém-anunciado Meta Superintelligence Labs.
A aposta financeira e o olhar do mercado
Apesar do aumento agressivo nos investimentos, o mercado reagiu de forma positiva.
A Meta superou expectativas ao registrar quase US$ 60 bilhões em receita no quarto trimestre, impulsionando suas ações após o fechamento do pregão.
Para Zuckerberg, 2026 será um marco na entrega do que ele chama de “superinteligência pessoal”, uma IA capaz de compreender profundamente cada usuário.
Além da visão tecnológica, há um plano claro de negócios. O Meta AI deve, no futuro, contar com modelos de monetização baseados em assinaturas e publicidade, sinalizando que a empresa espera transformar essa nova fase da inteligência artificial em uma fonte relevante de receita.
