Zuck: IA vai tomar conta do feed do Instagram e Facebook

Renê Fraga
5 min de leitura

Principais destaques:

  • Mark Zuckerberg anuncia a “terceira era” das redes sociais, impulsionada por conteúdo gerado por Inteligência Artificial.
  • A Meta vê resultados promissores com seu novo app Vibes, que permite criar vídeos com IA e já movimenta bilhões de criações.
  • Mesmo com alta de 26% na receita, investidores se mostram céticos quanto aos gastos bilionários com IA, e ações caem mais de 11%.

Durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre, Mark Zuckerberg, CEO da Meta, revelou o que pode ser o maior salto estratégico da empresa desde a ascensão dos criadores de conteúdo: o domínio do conteúdo gerado por Inteligência Artificial nas plataformas Instagram e Facebook.

O executivo afirmou que estamos entrando na “terceira era” das redes sociais, uma fase em que os algoritmos da Meta começarão a recomendar não apenas postagens de amigos e criadores, mas também produções sintéticas, criadas por IA.

A fala de Zuckerberg veio junto a resultados financeiros impressionantes, a Meta reportou uma receita de US$ 51,24 bilhões, um aumento de 26% em relação ao ano anterior.

No entanto, o anúncio provocou inquietação em Wall Street: as ações da companhia despencaram mais de 11%, refletindo as preocupações dos investidores com os gastos crescentes em inteligência artificial.


Da Era dos Amigos à Era da Inteligência Artificial

Zuckerberg explicou que o ecossistema digital da Meta evoluiu através de três grandes etapas:

  1. A Primeira Era: o conteúdo compartilhado entre amigos, familiares e conexões diretas.
  2. A Segunda Era: a ascensão dos criadores de conteúdo, que transformaram o feed em um espaço vibrante de entretenimento e informação.
  3. A Terceira Era: um ecossistema misto, onde humanos e máquinas criam lado a lado.

Para o CEO, essa nova fase vai multiplicar as possibilidades de expressão nas redes e abrir espaço para “um enorme conjunto de conteúdo” gerado por IA, integrado aos sistemas de recomendação da Meta.


“Vibes”: A Aposta da Meta em Conteúdo Sintético

Uma das grandes apostas da empresa nesse caminho é o Vibes, um aplicativo lançado em setembro que permite que usuários criem e compartilhem vídeos gerados por IA.

Segundo Zuckerberg, os resultados são “promissores”: o app já ultrapassou 20 bilhões de imagens geradas no feed e tem apresentado crescimento semanal acelerado.

A CFO da Meta, Susan Li, destacou ainda que o Meta AI, o aplicativo central da companhia para experimentos com inteligência artificial, viu um salto de 56% em downloads após o lançamento do Vibes, atingindo 3,9 milhões de instalações em menos de um mês.

O número de usuários ativos diários também disparou: passou de 775 mil para 2,7 milhões em apenas quatro semanas, com cerca de 300 mil novas instalações todos os dias.

Para Zuckerberg, tudo isso confirma um padrão: quanto mais sofisticados os sistemas de recomendação, maior o valor que eles geram.

Ele acredita que algoritmos com “compreensão profunda” do conteúdo humano ou sintético serão o motor da próxima geração do engajamento digital.


A Dúvida dos Investidores: Quanto Custa o Futuro?

Mesmo com o entusiasmo da Meta, o mercado financeiro recebeu o plano com cautela.

A companhia aumentou sua orientação de despesas de capital para 2025 para algo entre US$ 70 e 72 bilhões, e já sinalizou que 2026 trará “crescimento significativamente maior” nos custos à medida que os investimentos em IA se intensificam.

Analistas da Oppenheimer compararam essa nova onda de gastos ao período em que a Meta investiu fortemente no metaverso, investimentos vultosos com retorno incerto.

Ainda assim, Zuckerberg se manteve firme: “Toda vez que construímos infraestrutura em escala, a demanda supera nossas expectativas. É um padrão que se repete”, afirmou.

A mensagem é clara: a Meta está apostando que o conteúdo gerado por IA não é apenas uma tendência, mas um novo paradigma.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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