xAI oferece até US$ 125 por hora para escritores de elite treinarem o Grok

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • A xAI abriu vagas altamente seletivas para escritores premiados ajudarem a treinar o chatbot Grok.
  • Os pagamentos podem chegar a US$ 125 por hora, com critérios que excluem a maioria dos profissionais do mercado.
  • A iniciativa ocorre em meio a controvérsias recentes envolvendo o uso indevido de recursos do Grok.

A xAI, empresa de inteligência artificial criada por Elon Musk, está em busca de alguns dos escritores mais respeitados do mercado editorial para um objetivo estratégico: refinar e treinar o Grok, seu principal chatbot de IA.

A remuneração varia entre US$ 40 e US$ 125 por hora, um valor incomum até mesmo para especialistas renomados.

A vaga de “Especialista em Escrita” apareceu recentemente na página de carreiras da empresa e deixou claro que não se trata de um recrutamento convencional.

A proposta é reunir talentos capazes de avaliar, aprimorar e produzir textos considerados de nível máximo em diversos gêneros, de ficção e roteiros até jornalismo, escrita acadêmica e poesia clássica.

Critérios que miram a elite literária

Os requisitos chamam atenção pelo grau de exigência.

Para escritores de ficção, por exemplo, é preciso atender a pelo menos dois critérios extremamente restritivos, como contratos com grandes editoras internacionais, vendas superiores a 50 mil exemplares, múltiplas publicações em revistas literárias de prestígio ou reconhecimento em prêmios como Hugo e Nebula.

Roteiristas também enfrentam barreiras altas. A xAI exige créditos confirmados em longas distribuídos por grandes estúdios ou participação relevante em séries de televisão, além de possíveis indicações a prêmios como Oscar ou Emmy. Já jornalistas precisam comprovar anos de experiência em veículos de peso, como o The New York Times ou a BBC.

No campo acadêmico, a empresa pede doutorado e um índice h elevado, enquanto poetas que trabalham majoritariamente com verso livre são explicitamente excluídos.

A preferência declarada é por domínio técnico de formas clássicas e estruturas tradicionais.

Contratações em meio a controvérsias do Grok

O anúncio surge em um momento delicado para a xAI. Reportagens do The New York Times apontaram que o Grok teria gerado milhões de imagens sexualizadas de mulheres em poucos dias, após usuários explorarem brechas para criar deepfakes de pessoas reais.

A situação levou a uma investigação formal da União Europeia e ao bloqueio do serviço em países como Malásia e Indonésia.

Além disso, a empresa enfrenta uma ação coletiva na Califórnia por supostas violações de privacidade. Como resposta, a xAI restringiu recursos avançados de edição de imagens apenas a usuários pagantes, tentando conter abusos enquanto ajusta suas políticas de uso.

A aposta em especialistas humanos na IA

Apesar da narrativa comum de que a inteligência artificial substituirá profissionais criativos, o movimento da xAI mostra o oposto.

A empresa vem reduzindo equipes generalistas de anotação de dados e investindo em tutores altamente especializados. Em 2025, cerca de 500 trabalhadores desse tipo foram demitidos, enquanto a companhia anunciou planos de multiplicar por dez seu quadro de especialistas.

Com uma rodada recente de investimentos que avaliou a xAI em mais de US$ 230 bilhões, a empresa também abriu vagas para treinadores de idiomas e até tutores de videogames.

A ironia, destacada por veículos como o Gizmodo, é clara: alguns dos escritores mais talentosos do mundo estão sendo chamados para ajudar a desenvolver uma tecnologia frequentemente vista como ameaça à própria profissão.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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