X libera edição de imagens com IA e gera revolta entre artistas e criadores

Renê Fraga
3 min de leitura

Principais destaques

  • O X passou a permitir que qualquer usuário edite imagens públicas de terceiros usando IA, sem opção de bloqueio.
  • Artistas alertam para uso indevido, distorção de obras e falta de consentimento ou compensação.
  • A polêmica impulsiona a migração de criadores para plataformas concorrentes, como o Bluesky.

A plataforma X lançou em 24 de dezembro de 2025 um recurso que rapidamente se tornou um dos temas mais criticados do ecossistema digital.

A novidade permite que usuários editem imagens publicadas por outras pessoas por meio do chatbot de inteligência artificial Grok, sem que o autor original tenha como desativar a função. A reação foi imediata, especialmente entre artistas visuais, ilustradores e animadores.

Como funciona a edição de imagens com o Grok

Na prática, basta pressionar uma imagem pública ou acessar um menu contextual para pedir ao Grok que faça alterações com IA.

Entre as possibilidades estão mudar estilos artísticos, adicionar elementos ou modificar o conteúdo visual. A imagem editada é então publicada como resposta ao post original, o que, para muitos criadores, abre espaço para distorções e usos não autorizados de suas obras.

O animador e artista de efeitos visuais Seter resumiu a indignação ao afirmar que qualquer pessoa pode editar artes alheias com IA, sem consentimento e sem controle por parte de quem criou o conteúdo.

Reação dos artistas e ameaça de êxodo

Criadores de diferentes áreas afirmam que a ferramenta compromete a autoria e o valor do trabalho artístico.

O mangaká Boichi, conhecido por obras de grande alcance, declarou que gosta da plataforma para se conectar com fãs, mas não aceita que suas artes sejam usadas, treinadas ou exploradas sem permissão ou compensação financeira.

Como resposta, alguns artistas já anunciaram que pretendem remover seus trabalhos do X ou migrar para redes alternativas, especialmente o Bluesky, que vem registrando forte crescimento desde o fim de 2024.

Falta de controles e silêncio oficial

Testes feitos por usuários indicam que desativar o Grok nas configurações de privacidade não impede que terceiros editem imagens publicadas.

Ferramentas populares de proteção contra IA, como Glaze e Nightshade, também não funcionam nesse cenário. A única alternativa encontrada até agora é converter imagens em GIFs com múltiplos quadros, o que reduz bastante a qualidade visual.

Até 25 de dezembro, o X não havia divulgado nenhum posicionamento oficial. O dono da plataforma, Elon Musk, seguiu promovendo o recurso, chamando a edição de imagens e vídeos do Grok de algo “insanamente bom”, o que intensificou ainda mais as críticas.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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